Pesquisa mostra que 71% já tiveram o sono prejudicado por problemas financeiros e 62% deixaram de procurar ajuda psicológica porque não conseguiam pagar
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Os problemas financeiros estão ultrapassando o bolso e chegando à saúde mental dos brasileiros. Uma pesquisa da Serasa, realizada em parceria com o Instituto Opinion Box, mostra que 89% dos entrevistados afirmam já ter sofrido algum impacto emocional relacionado às finanças.
A falta de dinheiro e a dificuldade para pagar as contas aparecem entre as maiores preocupações para 80% dos participantes. Os reflexos chegam a diferentes áreas da vida: 71% relatam impacto na qualidade do sono, 53% alterações de humor, 50% problemas de autoestima e 47% instabilidade emocional.
O levantamento ouviu 1.140 pessoas por meio de entrevistas online realizadas entre 19 e 26 de agosto de 2026 em todo o Brasil. A margem de erro é de 2,9 pontos percentuais.
Problemas financeiros estão tirando o sono
Um dos dados que mais chama atenção é a piora do sono. Em 2025, 54% dos entrevistados afirmavam que as finanças já haviam afetado a qualidade do descanso. Neste ano, o percentual chegou a 71%, uma diferença de 17 pontos percentuais.
A pesquisa mostra ainda uma relação de mão dupla entre dinheiro e saúde mental. Ao mesmo tempo em que dificuldades financeiras afetam o bem-estar emocional, os gastos relacionados aos cuidados com a saúde mental também podem pesar no orçamento.
Entre os participantes, 83% afirmaram que gostariam de investir mais na própria saúde mental. Atualmente, 67% dizem já gastar com esse tipo de cuidado e, dentro desse grupo, 36% afirmam comprometer cerca de 10% da renda mensal.
62% já deixaram de procurar ajuda por falta de dinheiro
Outro dado revela uma barreira para o acesso ao cuidado psicológico: 62% dos entrevistados disseram que já deixaram de procurar ajuda psicológica por não conseguirem pagar. Em 2025, esse percentual era de 49%.
Além disso, 66% afirmaram já ter enfrentado dificuldades financeiras relacionadas aos gastos com saúde mental. O levantamento cita despesas com medicamentos, terapia e psiquiatria entre os custos que podem pesar no orçamento.
Os impactos também aparecem quando problemas emocionais interferem na administração do dinheiro. Entre os entrevistados que relataram dificuldades financeiras decorrentes de questões de saúde mental, 70% acumularam dívidas, 64% passaram por desorganização financeira, 41% utilizaram a reserva de emergência e 37% passaram a depender de crédito para pagar despesas do dia a dia.
Educação financeira aparece como possível aliada
Para 76% dos entrevistados, a educação financeira pode contribuir para melhorar a saúde mental. Outros 53% acreditam que aprender a organizar melhor as finanças ajudaria nessa relação.
O levantamento também mostra que 63% consideram que o apoio psicológico poderia ajudá-los a tomar decisões financeiras melhores, enquanto 57% acreditam que a redução do estresse favoreceria escolhas mais ponderadas.
Os resultados apontam, portanto, para uma relação que pode funcionar nos dois sentidos: dificuldades com dinheiro são associadas pelos entrevistados a efeitos sobre sono, humor e autoestima, enquanto problemas relacionados à saúde mental também podem repercutir na organização financeira.

Domingos Ketelbey
É repórter, colunista e apresentador. Conecta os bastidores do poder, cultura e cotidiano na cobertura jornalística.
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