(Foto: Léo Iran)

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DOMINGOS CONVERSA #80: O CONFRONTO COM O STF E A BUSCA POR TRÉGUA INTERNA NO PL, COM GUSTAVO GAYER

DOMINGOS CONVERSA #80: O CONFRONTO COM O STF E A BUSCA POR TRÉGUA INTERNA NO PL, COM GUSTAVO GAYER

Candidato ao Senado fala sobre Moraes, crise entre Wilder e Márcio Corrêa e apoios fora do partido

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Domingos Conversa

Podcast

EXCLUSIVO

O deputado federal e candidato ao Senado Gustavo Gayer (PL) afirmou que pretende usar uma eventual passagem pela Casa para liderar um movimento de enfrentamento ao Supremo Tribunal Federal, mas também adotou tom de conciliação ao tratar das disputas internas do PL em Goiás.

Em entrevista ao Domingos Conversa, Gayer disse que tenta conter o confronto entre o candidato ao governo Wilder Morais e o prefeito de Anápolis, Márcio Corrêa, e defendeu que qualquer discussão sobre uma eventual expulsão do prefeito seja deixada para depois das eleições. “Eu estou tentando de todas as formas apaziguar os ânimos. Eu acho que não é o momento para entrar numa briga dessa forma”, afirmou.

Segundo o deputado, ele conversou diretamente com os dois lados. “Falei para o Wilder: não é o momento, deixa para depois da eleição”, relatou. Gayer também disse ter pedido a Márcio que suspendesse as respostas públicas ao presidente estadual do PL. “Falei com o Márcio: ‘Márcio, para de fazer vídeo, para de responder. Vamos lutar pelo Brasil agora’.”

Gayer tenta conter crise no PL

A relação entre Wilder e Márcio Corrêa se deteriorou durante a campanha depois de divergências sobre a condução política do partido em Anápolis. O PL abriu procedimento interno contra o prefeito, enquanto os dois passaram a trocar críticas publicamente.

Para Gayer, levar o conflito adiante durante a campanha pode atingir diretamente Wilder. “Você cria uma briga com uma pessoa que tem uma autoridade, que tem uma rede social muito forte, que é o Márcio Corrêa, e que é um cara do confronto, que pode desgastar o Wilder e pode prejudicar o Wilder na campanha dele”, afirmou.

O candidato ao Senado argumentou ainda que, mesmo sem apoiar Wilder, Márcio permanece ligado à campanha presidencial de Flávio Bolsonaro e apoia candidaturas do PL. “Ele está apoiando eu, o Major Vitor Hugo, está apoiando o Flávio Bolsonaro. Então não é porque ele não está apoiando apenas o Wilder que ele mereça ser expulso do partido”, disse.

Gayer chegou a defender que a votação sobre uma possível expulsão seja realizada somente depois das eleições. “Só dá desgaste para todo mundo. Ia ser um gravando vídeo contra o outro no momento eleitoral. Eu não vejo ser muito produtivo isso.”

Senado e confronto com o STF




A mudança da Câmara para uma disputa ao Senado foi justificada por Gayer principalmente pelo enfrentamento ao Supremo.

Segundo ele, apenas o Senado possui instrumentos institucionais capazes de limitar a atuação de ministros da Corte e analisar pedidos de impeachment. “O único lugar, a única Casa que tem a autoridade, a prerrogativa de poder botar essa Suprema Corte de volta na caixinha deles é o Senado”, afirmou.

Gayer disse que o campo político ao qual pertence trabalha nacionalmente para eleger uma maioria de direita na Casa. “O objetivo é a gente fazer a maioria no Senado”, declarou.

Questionado sobre quanto tempo seria necessário para alterar a relação entre Congresso e Supremo caso esse grupo conquiste maioria, projetou um período entre oito meses e um ano. “Vai depender de pressão popular, vai depender de quantos senadores a gente vai conseguir. Mas eu acredito que em torno de oito meses a um ano.”

Ao longo da entrevista, Gayer fez acusações duras contra ministros do Supremo e integrantes de outras instituições. Parte dessas declarações representa avaliação e acusação política do candidato e não foi acompanhada, durante a entrevista, pela apresentação de provas documentais.

Reforma tributária e economia

Provocado a apresentar propostas além das pautas relacionadas ao STF e ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Gayer defendeu uma revisão da política tributária federal.

O candidato afirmou que pretende trabalhar pela suspensão da reforma tributária e pela reversão de aumentos de impostos promovidos pelo governo federal. “Nós vamos ter que derrubar e anular ou suspender boa parte, se não a totalidade, dos impostos criados por Lula. Suspender temporariamente a reforma tributária, porque ela foi muito mal feita”, disse.

Também defendeu medidas para ampliar o crédito aos produtores rurais e alguma espécie de carência para empresas endividadas. “Dar talvez uma carência para quem está endividado de pelo menos uns seis meses, sem aumento de juros, para que eles possam voltar a ganhar dinheiro, voltar a abrir as suas portas e recontratar pessoas.”

Gayer citou ainda dificuldades enfrentadas pelo agronegócio goiano e afirmou que produtores têm encontrado obstáculos para acessar crédito para novas safras.

Segundo voto é Oséias Varão

Na disputa pelas duas vagas ao Senado, Gayer afirmou de forma direta que seu segundo voto será no também candidato do PL Oséias Varão. “O meu candidato é o Oséias Varão. É com o Oséias que eu ando”, disse.

O deputado reconheceu, porém, que existem movimentos de eleitores que combinam seu nome com adversários de outros partidos, como Gracinha Caiado e Gustavo Mendanha. “As pessoas escolhem seus candidatos. Não tem como eu controlar quem vão escolher”, afirmou.

Gayer também disse que pesquisas internas encomendadas por sua campanha colocam seu nome e o de Gracinha nas primeiras posições. “Nas pesquisas que a gente fez aparece eu e a Gracinha muito próximos, numa liderança lá na frente”, declarou.

Os levantamentos mencionados pelo candidato não foram apresentados durante a entrevista e, portanto, não é possível verificar metodologia, período de campo ou percentuais.

Apoios fora do PL

Gayer afirmou ainda que sua candidatura tem recebido apoios de políticos de diferentes partidos.

Entre os nomes citados durante a entrevista estão Ismael Alexandrino, Igor Franco, Veter Martins e Daniel Agrobom. O candidato também mencionou declarações de apoio vindas de integrantes de MDB, PSD, União Brasil, PP, PDT e PSB. “Eu estou recebendo apoio de todos os lugares”, afirmou.

Ele chegou a dizer acreditar que possui mais apoio entre candidatos da chapa proporcional do PSD do que o próprio candidato ao Senado da legenda.

A estratégia, segundo Gayer, está relacionada à necessidade de ampliar sua base numa eleição majoritária. “Eu estou indo para majoritária. Eu preciso da maioria dos votos.”

Sem fundo eleitoral

Gayer afirmou que decidiu não utilizar recursos do fundo eleitoral na campanha ao Senado e disse ter devolvido ao partido aproximadamente R$ 4 milhões que estariam disponíveis para sua candidatura. “Zero de fundo eleitoral. Estou indo na cara e na coragem”, afirmou.

Segundo ele, a ausência do fundo aumenta a dependência de apoio popular e de estruturas políticas espalhadas pelo Estado.

A afirmação de que uma eventual vitória seria inédita em uma disputa majoritária em Goiás sem utilização do fundo eleitoral exigiria levantamento histórico específico antes de ser tratada como fato.

Gayer fala sobre Master e Bolsonaro

Na reta final da entrevista, o candidato foi questionado sobre o Banco Master e as relações de Daniel Vorcaro com personagens de diferentes campos políticos.

Gayer atribuiu o escândalo principalmente a integrantes do governo Lula e do Judiciário e saiu em defesa do deputado Nikolas Ferreira ao comentar conversas reveladas entre o parlamentar e Vorcaro. Também foi questionado sobre a tentativa de financiamento de um filme sobre Jair Bolsonaro.

Gayer relativizou o valor mencionado para a produção e argumentou que uma obra internacional produzida com profissionais americanos possui custos elevados. “Um filme é caro. O filme custa dinheiro”, afirmou.

O deputado também mencionou o ator Jim Caviezel como um dos nomes envolvidos no projeto.

“Eu estou me arriscando”

Ao justificar a decisão de disputar o Senado, Gayer afirmou que teria caminho mais seguro buscando a reeleição para deputado federal.

Segundo ele, uma nova candidatura à Câmara poderia inclusive levá-lo a superar a votação obtida em 2022. “Se eu fosse para a reeleição hoje, eu acho que poderia ficar em casa. Eu acho que seria o mais votado dessa eleição”, afirmou. 

Gayer disse, porém, que considera o Senado mais importante para o projeto político que defende. “Ser deputado federal hoje no Brasil não muda nada do principal problema que a gente está enfrentando. Só o Senado consegue fazer essa mudança.”

No pingue-pongue que encerrou a entrevista, Gayer definiu Alexandre de Moraes como “criminoso”, Daniel Vorcaro como “mafioso” e apontou o impeachment de Moraes como sua prioridade caso chegue ao Senado.

Ao ser questionado sobre uma pauta específica para Goiás em Brasília, respondeu: “Segurança jurídica para o agro e diminuição dos impostos”.

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Domingos Ketelbey

É repórter, colunista e apresentador. Conecta os bastidores do poder, cultura e cotidiano na cobertura jornalística.

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