Petista aposta na divisão da direita para avançar com o eleitorado do presidente Lula
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O candidato ao governo de Goiás Luis César Bueno (PT) afirmou que o peso político do ex-governador Ronaldo Caiado (PSD) dificulta o crescimento do bolsonarismo no estado. Em entrevista ao Domingos Conversa na terça-feira (8), o petista apontou a fragmentação do campo conservador como uma oportunidade para disputar o segundo turno com os votos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. “Não acredito no crescimento do bolsonarismo em Goiás, porque aqui tem um efeito Caiado que está batendo pesado. Ou seja, há uma pulverização, uma fragmentação total desse campo conservador”, afirmou.
A declaração foi uma resposta ao questionamento do jornalista Domingos Ketelbey sobre a possibilidade de candidatos ligados ao ex-presidente Jair Bolsonaro avançarem na reta final da campanha. Luis César rejeitou essa perspectiva para Goiás e contrapôs a disputa entre os adversários à tentativa de reunir o eleitorado de esquerda em sua candidatura.
Ao descrever o confronto entre os concorrentes, citou o debate da PUC TV. “No último debate que participei na PUC-TV, foi uma verdadeira briga de galo”, disse. Para ele, o episódio expôs o nível da disputa dentro da direita.
Aposta nos votos do presidente
Luis César sustenta que a associação com o presidente Lula é o principal caminho para chegar ao segundo turno. Na entrevista, destacou a composição de uma frente com PT, PCdoB, PV, PSOL, Rede, PDT e PSB e disse trabalhar para impedir que eleitores do presidente escolham adversários na disputa estadual. “Se nós conseguirmos segurar os votos do presidente Lula, que ele teve no segundo turno das eleições de 2022, nós vamos vencer as eleições, porque o outro lado está dividido”, declarou.
O petista também recorreu à comparação entre os governos federais. Atribuiu às gestões de Lula obras de infraestrutura e logística que, em sua avaliação, impulsionaram o desenvolvimento de Goiás. Em contraste, desafiou os bolsonaristas a apontarem entregas da administração do ex-presidente no estado. “Procura uma obra, uma, que o governo Jair Messias Bolsonaro fez em Goiás”, provocou. A afirmação foi apresentada pelo candidato como argumento para defender a vinculação de sua campanha ao presidente Lula.
Meta para a reta final
Cobrado sobre a previsão feita em julho de aparecer competitivo nas pesquisas em setembro, Luis César estabeleceu uma nova referência para a campanha: alcançar 14% das intenções de voto até o dia 15. “Se nós chegarmos até o dia 15 de setembro com 14%, nós vamos para o segundo turno”, afirmou. A relação entre esse percentual e a classificação é uma projeção do candidato, que aposta em crescimento nos últimos dias. “O PT é um partido de chegada.”
Para a reta final, anunciou que pretende intensificar as viagens aos grandes municípios e unificar as atividades com as candidaturas dos partidos aliados. A associação com o presidente continuará no centro da estratégia. “Nós vamos, primeiro, continuar esse processo de colar a imagem no nosso padrinho, que é o presidente Lula”, disse.

Domingos Ketelbey
É repórter, colunista e apresentador. Conecta os bastidores do poder, cultura e cotidiano na cobertura jornalística.
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