Foto: Geraldo Magela/Agência Senado

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Senado barra Jorge Messias no STF e impõe a Lula primeira derrota desde 1894

Senado barra Jorge Messias no STF e impõe a Lula primeira derrota desde 1894

Por 42 a 34, em um ano eleitoral, plenário arquiva indicado do Planalto, reabre disputa pela vaga de Barroso e expõe fissura entre o governo e Davi Alcolumbre

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Política

O Senado rejeitou nesta quarta-feira (29) a indicação do advogado-geral da União, Jorge Messias, para o Supremo Tribunal Federal. Em votação secreta, foram 42 votos contrários, 34 favoráveis e uma abstenção. Dos 81 senadores, 77 votaram, dois se ausentaram e dois não registraram voto. A Casa impôs ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) a primeira derrota desse tipo desde a Constituição de 1988 e a primeira em 132 anos. Eram necessários no mínimo 41 votos para aprovação.

A rejeição quebra um padrão de mais de um século. As cinco recusas anteriores ocorreram em 1894, durante o governo do marechal Floriano Peixoto, em meio à Revolta da Armada e à Revolução Federalista. Messias é o sexto indicado barrado em toda a história do STF, criado em 1890, e o primeiro após a redemocratização. Também é o terceiro nome enviado por Lula ao Senado no atual mandato. Os anteriores, Cristiano Zanin e Flávio Dino, foram aprovados sem grandes resistências.

A indicação tensionou a relação entre o Planalto e o comando do Senado desde novembro de 2025, quando o nome foi anunciado. O presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União-AP), defendia abertamente a escolha do senador Rodrigo Pacheco (PSB-MG) para a vaga aberta com a aposentadoria antecipada do ministro Luís Roberto Barroso, em outubro do ano passado. Por receio da derrota, o Planalto só formalizou a mensagem (MSF 7/2026) em 1º de abril, quase cinco meses depois do anúncio público. Na reta final, o governo negociou cargos em agências reguladoras e autarquias com parlamentares, mas não conseguiu garantir maioria. Pacheco votou a favor de Messias.

Mais cedo, na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), Messias foi aprovado por 16 a 11, com relatório favorável do senador Weverton Rocha (PDT-MA). O placar na comissão só foi obtido depois de o governo recompor o colegiado nos dias anteriores, com a saída do senador Sergio Moro (PL-PR) e a entrada de aliados. A sabatina durou cerca de oito horas e foi marcada por questionamentos da oposição sobre aborto, liberdade de expressão e a tese de doutorado em que Messias classificou como "golpe" o impeachment de Dilma Rousseff.


Antes da votação no plenário, Alcolumbre rebateu acusações de boicote e disse que cumpriu "atribuições constitucionais e regimentais" no processo. Após a derrota, o líder do governo, senador Randolfe Rodrigues (PT-AP), atribuiu o resultado ao calendário eleitoral e afirmou que o Planalto ainda definirá se reapresenta o nome de Messias ou envia outro indicado. Já o relator Weverton reconheceu o revés, mas avaliou que Lula não fará nova indicação de imediato.

A bancada de Goiás esteve nos dois lados da disputa. O senador Wilder Morais (PL) sinalizou voto contrário desde o início, alinhado à oposição bolsonarista. O vice-presidente da CCJ, Vanderlan Cardoso (PSD), defendeu a indicação ao chegar à sabatina acompanhado de pastores e bispos, e afirmou haver "unidade entre lideranças evangélicas" no apoio a Messias. O senador Jorge Kajuru (PSB), também titular da CCJ, não declarou voto publicamente. Na Câmara, o protagonismo coube ao deputado federal Gustavo Gayer (PL-GO), líder da Minoria e pré-candidato ao Senado em 2026, que lançou em abril o site "Votos Senadores" para monitorar publicamente a posição de cada parlamentar e amplificou a pressão da oposição. Gayer foi tornado réu pela Primeira Turma do STF na véspera da sabatina, em ação por injúria contra Lula. Em Goiás, a articulação evangélica em favor do indicado passou pela vereadora Aava Santiago (PSB), que serviu de ponte com lideranças da Convenção Nacional das Assembleias de Deus durante encontro em Goiânia, em 16 de abril.

A mensagem com a indicação foi arquivada. Lula precisará enviar outro nome ao Senado, e aliados de Pacheco já retomaram a articulação que estava engavetada desde março, quando o próprio senador disse considerar a hipótese encerrada. Em paralelo, o Planalto tenta convencê-lo a disputar o governo de Minas Gerais em 2026, o que tiraria o nome do páreo. A derrota chega às vésperas do início oficial do calendário eleitoral, com reflexo direto em Goiás: Vanderlan Cardoso e Jorge Kajuru terminam o mandato neste ciclo e disputam reeleição, enquanto Wilder Morais reforça a posição de principal nome do bolsonarismo no estado.

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Domingos Ketelbey

É repórter, colunista e apresentador. Conecta os bastidores do poder, cultura e cotidiano na cobertura jornalística

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Foto: Geraldo Magela/Agência Senado