O pré-Carnaval de Goiânia cresceu em silêncio até ultrapassar a condição de festa de blocos espalhados pela cidade. Hoje, o evento interfere na dinâmica urbana, altera o trânsito, ocupa a rede hoteleira e movimenta bares, ambulantes e pequenos comércios ao longo dos trajetos.
A virada de chave ocorreu quando os blocos passaram a atuar de forma coordenada. Criada em 2023, a Liga dos Blocos Pré-Carnaval de Goiânia organizou horários, percursos e o diálogo com o poder público, em parceria com o Governo de Goiás e a Prefeitura transformando um movimento espontâneo em um circuito estruturado. Em conjunto, criaram o circuito Folia Goiás.
A expectativa para este sábado (7) é de 150 mil pessoas circulando pelos blocos e convergindo para a Avenida 85 ao longo do dia. Esse fluxo não se traduz apenas em música, mas em consumo distribuído por diferentes pontos da cidade.
De acordo com o presidente da Liga, Guilherme Junqueira, os reflexos são visíveis antes mesmo da festa começar. Ele aponta hotéis cheios, aumento no movimento de bares e restaurantes e a geração de centenas de postos de trabalho temporários como sinais de que o pré-Carnaval passou a ter impacto direto na economia local.
“O pré-Carnaval virou oportunidade para muita gente trabalhar. Enquanto alguns estão festejando, muitos estão trabalhando”, afirma o presidente da Liga, Guilherme Junqueira em entrevista exclusiva ao Blog do DK.
Leia na íntegra a entrevista exclusiva ao Blog do DK com o presidente da Liga dos Blocos Pré-Carnaval, Guilherme Junqueira:
Domingos Ketelbey: O que a Liga dos Blocos está preparando para este sábado de pré-Carnaval em Goiânia?
Guilherme Junqueira: Cada bloco traz uma proposta diferente, mas a união de todos vai resultar em uma festa muito bonita e segura. Com o apoio da Secretaria da Retomada, da Secult, da Prefeitura e do Governo como um todo, conseguimos entregar um evento bem estruturado para a população.
Domingos Ketelbey: A diversidade musical parece ser uma das marcas do pré-Carnaval organizado pela Liga.
Guilherme Junqueira: Sem dúvida. Temos samba, pagode, axé, música eletrônica e rock. A Liga hoje conta com nove blocos, cada um com seu público e sua identidade.
Domingos Ketelbey: Quais são os blocos que integram a Liga atualmente?
Guilherme Junqueira: Carnarock, Bloquinho Aê, Bloco Cerrado, Sobe no Meu Trem, Não Enche Meu Sax, Nord 23/K10, Cateretê, Bloco do Madá com Meu Pai te Ama e Medellín.
Domingos Ketelbey: Estamos aqui no Estádio Olímpico, ponto de concentração do Carnarock. O que o folião pode esperar desse bloco?
Guilherme Junqueira: O Carnarock existe desde 2019 e só cresce. A concentração começa ao meio-dia, teremos show do Marcelo Falcão, banda de rock, DJ Simone. Às 18h, nosso trio sai em direção à Avenida 85 com o Egypcio, do Tihuana.
Domingos Ketelbey: Qual será o trajeto do bloco?
Guilherme Junqueira: Vamos sair do Estádio Olímpico, passar pelas ruas Paraíba e Tocantins, contornar a região da Rua do Lazer e seguir por vias do Centro até chegar à Avenida 85. É um percurso que passa por muitos bares tradicionais.
Domingos Ketelbey: A escolha do Centro foi estratégica?
Guilherme Junqueira: Sim. O Centro está muito vivo hoje. A gente quer potencializar isso e valorizar os bares e o comércio local.
Domingos Ketelbey: Quantas pessoas a Liga espera reunir na Avenida 85 ao longo do dia?
Guilherme Junqueira: Desde que a Liga foi criada, em 2023, o pré-Carnaval vem crescendo muito. A expectativa para este ano é de 150 mil pessoas, somando os públicos dos blocos e a pipoca gratuita, que terá show do Léo Santana.
Domingos Ketelbey: A Liga faz alguma estimativa do impacto econômico desse movimento?
Guilherme Junqueira: Esse número a gente fecha depois, mas já percebemos reflexos claros. A rede hoteleira está praticamente lotada. Sindbares e Abrasel confirmam aumento forte no movimento dos bares e restaurantes. Ambulantes e pequenos comércios também sentem esse impacto.
Domingos Ketelbey: Além da festa, há geração de trabalho.
Guilherme Junqueira: Com certeza. Enquanto alguns estão festejando, muitos estão trabalhando. Cada bloco emprega de 50 a 150 pessoas. No Carnarock, por exemplo, temos 180 colaboradores diretos e indiretos.
Domingos Ketelbey: Quantos foliões são esperados aqui no Carnarock?
Guilherme Junqueira: Entre mil e mil e quinhentas pessoas.
Domingos Ketelbey: O pré-Carnaval de Goiânia já virou um evento de cidade grande?
Guilherme Junqueira: Virou sim. Hoje é um evento organizado, com apoio do poder público, que movimenta a economia e leva gente para as ruas de forma segura e planejada.