Episódio discute a eliminação brasileira, o futuro de Ancelotti, a falta de novos craques e a influência de governos e interesses econômicos fora das quatro linhas
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Política
O que sobrou para a Seleção Brasileira depois de mais uma eliminação precoce em Copa do Mundo? E até que ponto a política, o dinheiro e os interesses dos países-sede interferiram no torneio? Essas são algumas das perguntas do próximo Domingos Conversa, que recebe os jornalistas e comentaristas esportivos José Leal e José Carlos Lopes nesta segunda-feira (13).
Com mais de quatro décadas dedicadas à cobertura do futebol, os dois analisam a queda do Brasil diante da Noruega, nas oitavas de final, e as perspectivas para o ciclo que termina em 2030. A permanência de Carlo Ancelotti, a falta de uma nova geração de jogadores decisivos e a perda da identidade do futebol brasileiro estão no centro da conversa.
José Carlos Lopes faz um diagnóstico duro sobre o material disponível para a comissão técnica. “Com esse grupo de jogadores não se forma uma boa seleção”, afirma. Para ele, a chegada de Ancelotti criou a expectativa de que o Brasil pudesse ao menos se tornar competitivo, o que não ocorreu nesta Copa.
José Leal também demonstra preocupação com o futuro. Segundo ele, o futebol brasileiro não apresenta hoje uma renovação capaz de sustentar uma seleção candidata ao título em 2030. “A perspectiva de entrar para ser campeão é zero”, diz, ao relacionar o problema à formação de jogadores e à própria gestão da Confederação Brasileira de Futebol.
O episódio ainda debate se o Brasil passou a copiar modelos europeus justamente quando seleções do continente incorporaram características historicamente associadas ao futebol brasileiro. “Eles jogam o que o Brasil jogou e o Brasil não consegue jogar mais”, resume José Carlos. José Leal completa: “O dono desse produto, que é o Brasil, não está fazendo uso dele”.
A política fora das quatro linhas é outro eixo da entrevista. Para José Leal, a edição de 2026 mostrou uma inversão na relação de força entre a Fifa e os países-sede. “Hoje o futebol, principalmente um evento do tamanho da Copa do Mundo, é mais político do que mesmo futebol”, afirma.
José Carlos Lopes relaciona essa mudança ao peso dos Estados Unidos na organização do torneio e à concentração da maior parte das partidas no país. Segundo ele, diferentemente de outras edições, em que a Fifa impunha suas condições aos governos, desta vez a entidade teria cedido às pressões políticas do anfitrião.
A conversa passa ainda por Neymar, Messi, Cristiano Ronaldo, Vinícius Júnior, a arbitragem goiana representada por Wilton Pereira Sampaio e o papel das bets no futebol. Os convidados também discutem como o jornalismo esportivo passou a dividir espaço com ex-jogadores, influenciadores e torcedores que comentam os jogos em tempo real.
O novo episódio do Domingos Conversa vai ao ar nesta segunda-feira (13), às 21h30, na TV Capital, no YouTube e nas principais plataformas de podcast.

Domingos Ketelbey
É repórter, colunista e apresentador. Conecta os bastidores do poder, cultura e cotidiano na cobertura jornalística
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