
Cientista política e jornalista debatem com Domingos Ketelbey a eliminação do Brasil, a interferência de Trump sobre o Irã, o espaço das mulheres no futebol e a overdose de apostas que sobrou da Copa.
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O quarto episódio do Domingos Conversa na Copa recebeu a cientista política Ludmila Rosa e o jornalista Felipe Fulquim para discutir o saldo do Brasil no Mundial dos Estados Unidos: a eliminação para a Noruega nas oitavas de final, a interferência do presidente americano Donald Trump sobre a arbitragem e um país que, no diagnóstico dos três, trocou o futebol pela jogatina.
Ludmila entra no programa como torcedora corintiana e cientista política que, segundo ela mesma, foi tirada da zona de conforto pela proposta de falar de futebol. Felipe, jornalista e mestre em comunicação, tem uma relação mais antiga com o apresentador: foi professor de Domingos Ketelbey na faculdade.
Do país do futebol ao país da jogatina
O Brasil caiu nas oitavas de final diante da Noruega e, mais uma vez, não superou um adversário europeu numa fase decisiva de Copa do Mundo. Domingos lembra que o último trunfo contra um time europeu em fase final foi a vitória sobre a Alemanha, na final de 2002: se o padrão se mantiver, o país chega a 2030 com 28 anos sem título mundial, a maior fila da história. É desse cenário que nasce o diagnóstico que batiza o episódio: o Brasil, para o apresentador, deixou de tratar o futebol como projeto de nação e virou "o país da jogatina, o país das bets". A frase volta no fechamento, quando ele resume o programa reconhecendo que o Brasil "acaba deixando de se tornar o país do futebol para se tornar o país da jogatina".
Trump, o cartão anulado e o silêncio sobre o Irã
A conversa também mediu a política que atravessou o torneio nos Estados Unidos. Felipe classificou como "o mais bizarro de todas as Copas" um episódio específico: a anulação de um cartão vermelho, por suposta interferência do presidente americano Donald Trump, na eliminação do Egito diante da Argentina, partida em que jogadores e membros da comissão técnica egípcia chegaram a insinuar manipulação da arbitragem. Ludmila foi além e cobrou a FIFA pelo tratamento à seleção do Irã, impedida de pernoitar no país sede, algo que, segundo ela, nunca tinha acontecido em nenhuma Copa do Mundo. "O que aconteceu com a seleção iraniana é um absurdo", disse, apontando um "silêncio eloquente" da entidade diante do episódio. "Foi muito feio o que fizeram com o Irã. Eu teria muita vergonha", completou.
O espaço das mulheres e a aposta em Leila Pereira
Ludmila também cobrou atenção da CBF ao futebol feminino, às vésperas da Copa do Mundo de 2027. Para ela, o questionamento recorrente sobre a competência de narradoras mulheres mostra que "o futebol ainda não é o espaço por excelência para as mulheres", nem para quem narra, nem para quem comenta, nem para quem joga. Torcedora do Corinthians, Ludmila disse torcer para ver Leila Pereira um dia à frente da CBF.
A overdose de bet que sobrou da Copa
O quarto bloco do programa foi tomado pelas apostas esportivas, que os três descreveram como onipresentes nas transmissões da Copa, incluindo canais no YouTube dedicados a divulgar bets. Para Ludmila, o fenômeno "deslegitima" o interesse do torcedor pela seleção e já tem custo social: "nós resumimos uma grande paixão nacional a algo que é absolutamente devastador para a vida de muita gente, para milhares de famílias, para milhões de brasileiros", afirmou, citando o endividamento das famílias mais pobres como efeito concreto da expansão das bets.
Domingos encerrou o programa avisando que a cobertura da Copa continua: mais dois episódios do Domingos Conversa na Copa estão confirmados, incluindo um balanço final do torneio, além de uma versão do podcast dedicada à Copa do Mundo de futebol feminino em 2027.
O episódio completo do Domingos Conversa na Copa com Ludmila Rosa e Felipe Fulquim já está disponível no YouTube e em todos os tocadores de podcast.

Domingos Ketelbey
É repórter, colunista e apresentador. Conecta os bastidores do poder, cultura e cotidiano na cobertura jornalística
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