Ex-deputado do Novo diz que não quer dividir o campo conservador e anuncia pré-candidatura à Câmara Federal
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Política
O ex-deputado estadual Humberto Teófilo (Novo) desistiu da pré-candidatura ao Senado e anunciou que vai disputar uma vaga na Câmara dos Deputados em 2026. A decisão foi comunicada nesta quinta-feira (9/7), em vídeo divulgado nas redes sociais.
A justificativa mistura cálculo político, drama pessoal e discurso de enfrentamento. Teófilo afirmou que a disputa ao Senado segue em seu horizonte, mas será “prorrogada”. Por ora, diz ter escolhido o caminho em que vê mais condições de vitória.
“Eu preciso escolher o caminho que tenho mais condições de vencer. Sim, tenho chance para o Senado, sim, mas eu entendo que disputar uma vaga para deputado federal é a decisão mais responsável”, afirmou.
O trecho mais político do pronunciamento veio quando o delegado citou a multiplicidade de candidaturas no mesmo campo ideológico. Teófilo disse que não quer dividir a direita.
“Há uma multiplicidade de candidaturas disputando o mesmo eleitorado. Isso naturalmente divide forças. Eu não quero dividir a direita. Jamais”, declarou.
A fala mira um problema real. A direita goiana chega à pré-campanha com muitos nomes, muita ambição e pouca disposição inicial para recuos. O Senado virou uma espécie de funil incômodo. Todos querem passar. Poucos cabem.
Ao deixar a disputa, Teófilo tenta transformar recuo em gesto de responsabilidade. A mensagem é simples: não desistiu da luta, apenas mudou de trincheira. Sai da corrida mais difícil e entra em uma disputa proporcional em que sua base digital, policial e conservadora pode render voto com menos risco.
No vídeo, o ex-deputado também afirmou que os últimos meses foram duros para ele e para sua família. Disse ter sido retirado da Central de Flagrantes de Goiânia e da Central de Flagrantes de Aparecida de Goiânia. Classificou a medida como injusta e atribuiu a situação ao fato de “combater o sistema”. “Me tiraram das ruas, justamente do lugar onde sempre trabalhei e onde sempre cumpri meu dever com muito orgulho”, disse.
Teófilo também relatou ameaças de morte, escolta policial, carro blindado, oficial de Justiça na porta de casa, processos e procedimentos administrativos. Segundo ele, praticamente não há semana sem alguma acusação, demanda judicial ou desgaste. “Passei a conviver com ameaças de morte. Fui jurado pelo PCC. Escolta policial, carro blindado, oficial de Justiça na porta da minha casa”, afirmou.
O discurso reforça a marca que Teófilo tenta sustentar desde o mandato na Assembleia: a de policial em confronto permanente com criminosos, burocracias e adversários políticos. É uma narrativa conhecida na direita. Funciona melhor quando traduz perseguição em mobilização.
A diferença é que, desta vez, a narrativa vem acompanhada de uma decisão pragmática. Teófilo reconhece que a eleição ao Senado exigiria estrutura, tempo, recursos e capacidade de atravessar um campo congestionado. Na Câmara, poderá disputar com discurso mais concentrado e base mais identificada. “Não vamos desistir, não vamos recuar. Vamos apenas mudar a estratégia”, disse.
A saída de Teófilo da corrida ao Senado também reabre a discussão sobre afunilamento na direita. O próprio delegado verbalizou o argumento que outros aliados vinham tratando com cuidado: candidaturas demais no mesmo eleitorado podem dividir força e abrir espaço para adversários.
Ao fim do vídeo, Teófilo adotou tom religioso e afirmou que tomou a decisão após oração e reflexão. Pediu apoio para a nova caminhada e apresentou o novo rumo da pré-campanha. “O delegado Humberto Teófilo, o Delegado da Caneta, agora é pré-candidato a deputado federal”, concluiu.

Domingos Ketelbey
É repórter, colunista e apresentador. Conecta os bastidores do poder, cultura e cotidiano na cobertura jornalística
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