Governador afirma que aquisição será tratada em negociação direta com grupo proprietário e admite buscar financiamento para bancar imóvel de R$ 500 milhões
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Política
O governador Daniel Vilela (MDB) afirmou que a compra do prédio do Câncer Center Goiânia para transferência do Hospital de Urgências de Goiás (Hugo) não precisa de autorização da Assembleia Legislativa. De acordo com ele, a operação será conduzida como uma negociação direta com o grupo investidor proprietário do imóvel.
A declaração foi dada nesta quarta-feira (8), após a assinatura do protocolo de intenções para aquisição do prédio, localizado no Conjunto Fabiana, em Goiânia. A estrutura foi construída para abrigar um hospital privado de alta complexidade, mas o projeto original foi abandonado pelo grupo responsável pela implantação da unidade.
Questionado se a compra dependeria de autorização legislativa, Daniel negou. “Não há necessidade de autorização legislativa. É um processo de negociação”, afirmou.
O governador disse que o Estado vai tentar viabilizar financiamento para a aquisição do imóvel, avaliado em R$ 500 milhões. Ele também não descartou o uso de recursos do Tesouro Estadual, caso essa alternativa seja necessária para concluir a operação.
“Nós vamos tentar viabilizar também o financiamento para a aquisição desse prédio. É um volume muito significativo”, disse. “A saúde e o orçamento da saúde são sempre desafiantes, mas a gente acredita que podemos otimizar o nosso orçamento, podemos reduzir despesas e viabilizar a aquisição, até mesmo, se for necessário, com recurso do próprio Tesouro.”
Daniel também esclareceu que os R$ 500 milhões se referem apenas à compra do prédio. O valor não inclui equipamentos, que serão tratados em uma etapa posterior. Parte dos aparelhos hoje usados no Hugo poderá ser transferida para a nova unidade, mas o governo ainda terá de definir o que será comprado.
“O valor de R$ 500 milhões é em relação à aquisição do prédio. Não se trata de equipamentos”, afirmou.
A transferência do Hugo está prevista para o início de 2027, mas ainda depende da conclusão da negociação, da parte burocrática, do levantamento técnico e da liberação das licenças necessárias. O governador disse que o cronograma será detalhado depois da participação da Secretaria Estadual de Saúde e da Sociedade Beneficente Israelita Brasileira Albert Einstein, atual gestora da unidade.
“Existe um cronograma que começou a ser pensado para que a gente possa ter uma transferência definitiva no início de 2027, mas isso é um desafio que precisa iniciar para a gente entender essa dinâmica e poder fazer essa migração definitiva”, afirmou.
A mudança foi justificada pelo governo pela dificuldade de reformar o prédio atual do Hugo, no Setor Pedro Ludovico, sem interromper o atendimento de urgência e emergência. Daniel disse que a estrutura antiga impõe limites à ampliação da capacidade da unidade.
O novo prédio deve dobrar o número de salas cirúrgicas, de 10 para 20, e ampliar os leitos de UTI, de 52 para 90. O número total de leitos ainda precisa ser confirmado oficialmente, já que Daniel citou 410 na entrevista, enquanto informações anteriores indicavam previsão superior a 500 após adequações.
A atual sede do Hugo ainda não tem destino definido. Segundo o governador, o Estado vai avaliar nos próximos meses se o imóvel continuará sendo usado na saúde ou se terá outra finalidade pública.

Domingos Ketelbey
É repórter, colunista e apresentador. Conecta os bastidores do poder, cultura e cotidiano na cobertura jornalística
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