
Presidente de honra do PSD em Goiás, ele defende Gilberto Kassab como vice de Caiado, evita cravar favorito na vice de Daniel Vilela e só revela o próprio nome em 2026 no dia 5 de agosto
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O ex-deputado federal e presidente de honra do PSD em Goiás, Vilmar Rocha, defendeu que o ex-governador Ronaldo Caiado (PSD) deve escolher o presidente nacional do partido, Gilberto Kassab, como vice em sua pré-candidatura à Presidência da República, numa chapa puramente pessedista. Rocha também classificou o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o bolsonarismo, as duas opções hoje à frente nas pesquisas, como "insuficientes" para o país. As declarações foram dadas em entrevista ao Domingos Conversa, exibido nesta segunda-feira (29).
Fundador do PSD em Goiás e ex-secretário da Casa Civil do Estado, Rocha foi candidato ao Senado em 2022 e hoje comanda um instituto que leva seu nome. Deixou a presidência do diretório estadual em 2023, mas segue como presidente de honra.
PSD, "chapa pura" e a aposta em Kassab
Rocha participou da fundação nacional do PSD em 2011, quando era deputado federal e secretário da Casa Civil de Goiás, e projeta para 2026 uma bancada de cerca de 70 deputados federais. Fez questão de separar a sigla do Partido Novo, de nome parecido: "Partido novo é um projeto de partido. O nosso já é uma realidade."
Sobre a vice de Caiado, não tem dúvida. Kassab, fundador e presidente nacional da legenda e colega de Rocha desde o extinto PFL, daria respaldo político ao ex-governador, recém-chegado ao partido. "O nome natural é o Kassab. Como tudo indica que vai ser chapa pura, o meu candidato é o Kassab, porque acho que vai ser o melhor nome para o Ronaldo", disse.
"Insuficientes para o Brasil"
Caiado oscila nas pesquisas entre 5% e 7%, atrás de Lula e do campo bolsonarista. Questionado sobre a estagnação, Rocha misturou análise com torcida assumida: "É as duas coisas. Não tenho como não colocar meu desejo aí." Na leitura dele, a corrida segue em aberto até 4 de outubro porque as duas opções mais fortes seriam "insuficientes para o Brasil".
Do governo Lula, cobrou propostas, não idade. "Não é envelhecimento de idade. É envelhecimento político, falta de propostas e, mais do que isso, falta de autoridade. O poder é político, a autoridade é moral e intelectual. No caso do governo atual, o Lula perdeu a autoridade", disse. Do bolsonarismo, mirou a briga de família: "Não é do tamanho do Brasil, são interesses de família. Acho patético, ridículo", disse, citando o desgaste entre a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro e o enteado, o senador Flávio Bolsonaro (PL).
Emendas parlamentares e a defesa do centro
Crítico da polarização, Rocha lembrou ter dialogado com adversários em dois momentos da carreira, da Frente Liberal na transição democrática às reformas do governo Fernando Henrique Cardoso, e citou chapas que o PSD já formou com o PT em cidades goianas, caso da cidade de Goiás, alternando prefeito e vice entre os dois partidos. "Essa polarização interessa aos dois grupos radicais, um alimenta o outro, e a gente fica com um ambiente político medíocre", afirmou.
Como exemplo, defendeu mudar o sistema de emendas parlamentares, tema que Domingos Ketelbey citou já vir apurando no blog: "o legislativo não é executivo. Vamos ter que encontrar uma solução para disciplinar isso, fazendo um grande acordo."
A disputa pela vice de Daniel Vilela
Em Goiás, o PSD reúne ao menos três nomes de olho na vice do governador Daniel Vilela (MDB) em 2026, entre eles o pré-candidato Adriano Rocha Lima. Rocha evitou declarar favorito: "não é o momento de fulanizar. O vice vai ser do PSD e o perfil é aquele que melhor contribuir para a eleição e para a governabilidade." Também descartou risco de racha: "não vai causar fissura. A grande maioria dos apoiadores de todos os candidatos apoia o Daniel, eles não vão mudar." A definição deve sair perto da convenção, marcada para 5 de agosto.
Rocha defendeu a reeleição de Vilela citando o histórico goiano. "Goiás tem uma história de bons governadores nos últimos 50 anos, com raríssimas exceções", disse. Sobre o governador: "representa um passo na renovação. Se vai cometer erro, vai, todo mundo comete, só que vai cometer erro novo, não vai repetir os erros antigos." Vai ajudar a eleger e a governar, mas nos bastidores: "a minha praia é os bastidores".
Sem certeza sobre o próprio nome em 2026
Rocha reconhece ambição antiga pelo Senado, mas hoje o campo goiano tem cinco pré-candidatos. "Tenho o perfil para ser senador, me preparei para ser senador. Já disputei duas vezes", disse, e apontou que um deles, Alexandre Baldy, pode recuar da disputa. Lembra que, em 2022, entrou na corrida faltando pouco mais de um mês para a eleição, depois que outros dois nomes cotados pelo grupo desistiram em cima da hora: "entrei para marcar presença, para honrar o compromisso do PSD de Goiás de ter um candidato a senador."
Sobre 2026, não confirma nem descarta nada. Deputado federal? "Pode ser." Estadual? "Pode ser." Senador? "Está mais difícil, que já tem candidato demais." A decisão só sai no dia 5 de agosto.
O episódio completo do Domingos Conversa com Vilmar Rocha está disponível no YouTube e em todos os tocadores de podcast.

Domingos Ketelbey
É repórter, colunista e apresentador. Conecta os bastidores do poder, cultura e cotidiano na cobertura jornalística
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