Iure de Castro defende reforma estrutural no STF, admite apoio ao presidente e diz que ficaria neutro caso PSDB-Cidadania embarque com Flávio Bolsonaro
·
Candidato ao Senado pela federação PSDB-Cidadania e aliado do ex-governador Marconi Perillo, Iure de Castro defendeu uma reforma profunda no Supremo Tribunal Federal, rejeitou qualquer possibilidade de apoiar Flávio Bolsonaro na disputa presidencial e afirmou acreditar na reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
As declarações foram dadas durante entrevista ao Domingos Conversa. Procurador-geral licenciado da Assembleia Legislativa de Goiás, Iure disputa pela primeira vez um cargo eletivo e tenta se apresentar ao eleitor como uma candidatura menos vinculada à polarização nacional.
Entre suas principais propostas está uma mudança no modelo de composição do STF. Iure defende mandato de 12 anos para ministros, sem possibilidade de recondução, além de idade mínima de 50 anos e pelo menos 20 anos de experiência profissional.
A proposta também prevê que dois terços das vagas sejam ocupados por magistrados de carreira. As demais seriam destinadas à advocacia, ao Ministério Público Estadual e ao Ministério Público Federal.
“Supremo Tribunal Federal não é órgão para você fazer carreira”, afirmou.
Segundo Iure, o modelo atual de indicação dos ministros amplia o componente político das escolhas e cria conflitos que deveriam ser enfrentados por regras constitucionais de impedimento.
O candidato também descartou a estratégia defendida por setores bolsonaristas de eleger uma bancada capaz de promover o impeachment do ministro Alexandre de Moraes.
“O impeachment não sai. Esquece que o impeachment é uma utopia”, disse.
Para ele, o caminho seria alterar estruturalmente as regras do Judiciário. Iure afirmou ainda que apresentou anteriormente ao PL uma proposta que estabelecia novos impedimentos para ministros do Supremo, mas o texto não teria avançado.
“O PL preferiu deixar o Bolsonaro preso, inelegível, do que criar uma regra de impedimento para o Brasil”, declarou.
Flávio, não
Ao ser questionado sobre a eleição presidencial, Iure afirmou que a decisão nacional da federação ainda terá peso sobre seu posicionamento, mas estabeleceu um limite: não apoiará Flávio Bolsonaro.
“O Renan eu apoiaria. O Flávio jamais”, afirmou.
Na sequência, ampliou as possibilidades. “Eu apoiaria o Renan, eu apoiaria o Lula, eu apoiaria o Caiado, mas eu não apoio o Flávio Bolsonaro.”
Caso PSDB e Cidadania decidam embarcar numa candidatura de Flávio, Iure disse que adotará neutralidade.
“Eu não tenho aptidão política para apoiar o Flávio Bolsonaro”, afirmou.
O candidato fez críticas duras à trajetória política do senador e afirmou não enxergar realizações suficientes que justifiquem seu apoio.
No bate-bola final do programa, ao ser questionado sobre quem acredita que será o próximo presidente da República, respondeu sem hesitar: “Acredito que o Lula”.
Iure também classificou Lula como “um excelente gestor”, embora tenha feito ressalvas sobre o nível de gastos públicos.
O posicionamento chama atenção porque Iure disputa o Senado na chapa que apoia Marconi Perillo, enquanto setores do campo político tucano discutem caminhos distintos para a eleição presidencial.
Marconi como aposta
Em Goiás, Iure reafirmou apoio integral a Marconi e o classificou como “o melhor governador que Goiás já teve”.
Para justificar a escolha, comparou a experiência administrativa do tucano com a dos demais adversários.
“Quando eu olho para a disputa, não há um candidato melhor hoje com o currículo, com a história, com o legado, do que o Marconi Perillo”, disse.
O candidato também atacou a gestão de Ronaldo Caiado e afirmou que o ex-governador teve “muito verniz, muita publicidade”.
Sobre Daniel Vilela, adversário de Marconi na disputa estadual, Iure disse considerar o governador “uma excelente pessoa”, mas afirmou que ele “precisa ter um pouco mais de maturidade”.
Wilder Morais também foi alvo. Iure o classificou como “um grande empresário”, mas disse que ele “não é um bom senador e também não tem condições de ser governador de Estado”.
Sobre Gracinha Caiado, candidata ao Senado, o procurador fez uma avaliação mais pessoal, mas também eleitoralmente dura.
“Gracinha é uma pessoa boa, uma mulher brilhante, uma mulher honrada, mas que não está à altura do Senado Federal”, afirmou.
Candidatura fora da polarização
Iure admite que começa a campanha com pouco conhecimento popular e menor estrutura política que seus principais adversários.
“Ausência de capilaridade e de musculatura política. Eu sou gente comum, as pessoas não me conhecem politicamente”, disse ao apontar sua principal fraqueza.
A estratégia é tentar ocupar o espaço do eleitor que rejeita a lógica exclusivamente ideológica da eleição.
“Do PT ao PL, o Iure vai receber votos”, afirmou.
Ao longo da entrevista, o candidato defendeu ainda endurecimento das penas para mortes provocadas por motoristas embriagados, maior fiscalização das emendas parlamentares e mudanças na aplicação dos recursos públicos.
Iure afirmou que pretende apresentar durante a campanha um caderno de propostas com foco em reformas institucionais, segurança, mobilidade urbana, políticas para mulheres e combate à corrupção.
Para ele, a disputa ao Senado precisa se afastar da lógica de culto a lideranças nacionais e voltar a discutir o papel institucional do Congresso.
“O Senado é coisa muito séria. A gente não pode agir com gracinha, não, com brincadeira, não. Nós temos que apresentar as propostas que o Brasil precisa”, disse.

Domingos Ketelbey
É repórter, colunista e apresentador. Conecta os bastidores do poder, cultura e cotidiano na cobertura jornalística
Continue a leitura









