Wandir Allan foi o convidado desta segunda-feira (10) no Domingos Conversa (Foto: Divulgação)

Wandir Allan foi o convidado desta segunda-feira (10) no Domingos Conversa (Foto: Divulgação)

Wandir Allan foi o convidado desta segunda-feira (10) no Domingos Conversa (Foto: Divulgação)

Wandir Allan foi o convidado desta segunda-feira (10) no Domingos Conversa (Foto: Divulgação)

DOMINGOS CONVERSA #62: Procurador-Geral de Goiânia rejeita voto impresso, vê pacificação de Mabel e Legislativo e aposta em Daniel e Caiado

DOMINGOS CONVERSA #62: Procurador-Geral de Goiânia rejeita voto impresso, vê pacificação de Mabel e Legislativo e aposta em Daniel e Caiado

Wandir Allan preside comissão nacional da OAB, comanda a Procuradoria de Goiânia e anunciou que deixará temporariamente o cargo para atuar nas eleições

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Domingos Conversa

Podcast

O procurador-geral de Goiânia, Wandir Allan, fez uma análise dos principais desafios jurídicos das eleições de 2026, rejeitou a necessidade de adoção do voto impresso no Brasil e avaliou que a velocidade de resposta da Justiça Eleitoral diante de conteúdos produzidos por inteligência artificial será determinante no pleito deste ano.

Presidente da Comissão Especial de Direito Eleitoral do Conselho Federal da OAB e conselheiro federal da entidade por Goiás, Wandir foi o entrevistado do Domingos Conversa. Além do cenário eleitoral, falou sobre os bastidores da gestão Sandro Mabel, a relação do Paço Municipal com a Câmara de Goiânia e revelou que pretende se licenciar da Procuradoria para atuar nas eleições.

Para Wandir, a inteligência artificial será um dos pontos de atenção da campanha, especialmente pela possibilidade de criação de vídeos e outros conteúdos capazes de simular situações envolvendo pessoas reais. Ele pondera, entretanto, que o conhecimento da população sobre a existência dessas ferramentas diminui parte do potencial de surpresa das chamadas deepfakes.

O problema, segundo ele, pode estar em uma camada menos perceptível.

“Eu acho que o que nós precisamos avançar agora é naquilo que é mais sutil, que é o uso dos algoritmos na formação, na manipulação da formação da decisão do eleitor”, afirmou.

Voto impresso

Ao tratar da segurança das urnas eletrônicas, Wandir defendeu o sistema brasileiro e rejeitou a necessidade de impressão de um comprovante individual do voto.

O advogado argumentou que o sistema eletrônico possui diferentes mecanismos de fiscalização, com participação da Justiça Eleitoral, Ministério Público, OAB, partidos e sociedade civil. Citou ainda a zerésima emitida antes da votação e os boletins de urna disponibilizados ao final do processo.

Para Wandir, um comprovante que permitisse ao eleitor demonstrar em quem votou poderia, inclusive, criar um problema adicional em regiões submetidas à atuação do crime organizado.

“Temos realidades aí onde milícias comandam regiões, onde o crime organizado comanda regiões, e esse comprovante impresso do voto vai servir para você manter ou não a sua vida”, disse.

Ele também apontou problemas logísticos e custos adicionais de um sistema de impressão em larga escala. “O sigilo do voto é uma das garantias mais antigas que as democracias têm, e hoje ele é preservado de maneira absoluta no modelo que nós temos”, acrescentou.

Judicialização da campanha

Wandir também prevê uma eleição marcada pela judicialização, mas fez uma ressalva: parte significativa das ações eleitorais tem sido utilizada menos pelos seus efeitos jurídicos e mais como instrumento das estratégias de comunicação.

“Acaba que a judicialização vira um discurso, vira um material de campanha”, avaliou.

Segundo ele, representações sobre questões de menor impacto podem sobrecarregar a estrutura da Justiça Eleitoral e desviar a atenção de temas mais relevantes, como abuso de poder, inelegibilidades e registros de candidatura.

Na avaliação do advogado, o desafio central será a velocidade da resposta institucional diante da circulação de conteúdos potencialmente irregulares.

“A velocidade da resposta que a Justiça Eleitoral eventualmente der é que vai ser o grande desafio das eleições”, afirmou.

Mabel e Câmara

Na segunda parte da entrevista, Wandir falou sobre sua atuação como procurador-geral e avaliou que a relação entre o prefeito Sandro Mabel e a Câmara Municipal melhorou após um período de forte tensão.

Segundo ele, o primeiro ano da administração foi marcado por restrições financeiras e decisões impopulares que produziram desgaste na relação com os vereadores. O cenário, na avaliação do procurador, mudou ao longo de 2026.

“O relacionamento institucional Paço-Câmara melhorou infinitamente do que era no começo do ano de 2026 para o que a gente tem hoje”, disse.

Wandir contou ainda que já precisou contrariar Mabel em decisões administrativas. A relação, segundo ele, passa pela busca de alternativas jurídicas para viabilizar projetos sem ultrapassar os limites da legalidade. “Já teve que falar ‘não dá’?”, perguntou Domingos Ketelbey. “Ah, várias vezes”, respondeu o procurador.

Ele também revelou que a Prefeitura negociou dívidas herdadas de exercícios anteriores e conseguiu fechar acordos com deságio de 20% a 25% depois de revisar restos a pagar e verificar a regularidade das cobranças apresentadas por fornecedores.

Licença para as eleições

Wandir confirmou ainda que pretende deixar temporariamente a Procuradoria-Geral para atuar profissionalmente nas eleições de 2026.

Segundo ele, a decisão já foi comunicada a Sandro Mabel. A saída deve ocorrer após o julgamento da ação que discute a taxa do lixo de Goiânia. “Fico até o julgamento da ADI da taxa do lixo, e aí eu vou licenciar para fazer campanha”, revelou.

O advogado explicou que seu escritório atende candidatos às eleições proporcionais e que pretende acompanhar essas campanhas diretamente. A previsão é retornar ao Paço após o pleito. “Meu compromisso com o prefeito é esse: fazer eleição e voltar.”

Daniel, Caiado e 2028

No jogo rápido do Domingos Conversa, Wandir também entrou no terreno político. Questionado sobre uma eventual candidatura de Mabel à reeleição em 2028, respondeu: “Se depender de mim, sim”.

Para o Governo de Goiás, afirmou acreditar na reeleição do governador Daniel Vilela. Já na disputa presidencial, apostou na competitividade de Ronaldo Caiado caso o goiano consiga chegar ao segundo turno.

“Eu creio que o nosso governador Ronaldo Caiado, estando no segundo turno, é presidente do Brasil”, afirmou. Ao ser questionado se acredita em crescimento de Caiado durante a campanha presidencial, Wandir respondeu: “Acredito, sem dúvida”.

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Domingos Ketelbey

É repórter, colunista e apresentador. Conecta os bastidores do poder, cultura e cotidiano na cobertura jornalística

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