Número de consumidores inadimplentes aumentou 4,73% em um ano
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Economia
A inadimplência continua avançando em Goiás. O número de consumidores negativados no Estado cresceu 4,73% em agosto de 2026, na comparação com o mesmo período do ano passado, segundo levantamento da Federação das Câmaras de Dirigentes Lojistas de Goiás (FCDL-GO), elaborado com dados do Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil).
Apesar do crescimento anual, o resultado goiano ficou abaixo dos índices registrados no Centro-Oeste, de 5,06%, e no Brasil, de 5,02%. Na comparação mais recente, entre julho e agosto deste ano, houve movimento contrário: o número de devedores em Goiás caiu 0,99%.
O tamanho das dívidas, entretanto, chama atenção. Cada consumidor inadimplente no Estado acumula, em média, R$ 5.821,61 (cinco mil, oitocentos e vinte e um reais e sessenta e um centavos) em débitos.
Bancos concentram 61% das dívidas
As dívidas com bancos representam 61,47% do total registrado no levantamento. Em agosto, cada consumidor inadimplente em Goiás possuía, em média, 2,47 dívidas em atraso.
O número supera ligeiramente a média do Centro-Oeste, de 2,46 débitos por consumidor, e a nacional, de 2,34.
Para o presidente da FCDL-GO, Valdir Ribeiro, o crescimento das dívidas exige atenção mesmo diante da redução mensal do número de negativados. “A inadimplência continua exigindo atenção, especialmente porque o volume de dívidas cresce em ritmo superior ao de pessoas negativadas. A recomendação é que, seja o devedor um consumidor pessoa física ou empresa, ele deve buscar o quanto antes a negociação dos débitos para reduzir o comprometimento da renda e preservar o consumo”, afirma.
Quem são os consumidores inadimplentes em Goiás?
A faixa entre 30 e 39 anos concentra a maior participação entre os consumidores negativados, representando 25,90% do total.
Os homens correspondem a 51,07% dos inadimplentes, enquanto as mulheres representam 48,93%. Outro dado mostra a duração do endividamento: quase 36% dos devedores estão inadimplentes há um período entre um e três anos.
FCDL-GO vai acompanhar efeito do fim das bets no comércio
A FCDL-GO também pretende monitorar os possíveis efeitos da proibição das bets sobre o consumo no Estado. A entidade afirma que o comércio atribui parte do avanço da inadimplência ao crescimento do número de pessoas que apostavam em plataformas digitais.
A Federação cita pesquisa da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) e do SPC Brasil, em parceria com a Offerwise Pesquisas, segundo a qual 50 milhões de pessoas apostavam nas capitais brasileiras, com gasto médio mensal de R$ 213 (duzentos e treze reais) por apostador.
Com a proibição das apostas online, a expectativa manifestada pela FCDL-GO é de que parte dos recursos antes destinados aos jogos volte ao consumo, contribuindo para movimentar o varejo no fim do ano. Trata-se de uma expectativa da entidade, e não de um efeito já constatado nos indicadores de vendas.
Segundo os dados citados pela Federação, o fluxo financeiro destinado às apostas online chegou a R$ 62,5 bilhões (sessenta e dois bilhões e quinhentos milhões de reais) em 2025. A estimativa consta do 3º Boletim Fiscal dos Estados Brasileiros, elaborado pelo Comitê Nacional de Secretários de Fazenda (Comsefaz) em parceria com o Centro Internacional Celso Furtado de Políticas para o Desenvolvimento (Cicef).

Domingos Ketelbey
É repórter, colunista e apresentador. Conecta os bastidores do poder, cultura e cotidiano na cobertura jornalística.
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