Humberto Teófilo, ao lado de Domingos Ketelbey e Renato Rick (Foto: Divulgação)

Humberto Teófilo, ao lado de Domingos Ketelbey e Renato Rick (Foto: Divulgação)

Humberto Teófilo, ao lado de Domingos Ketelbey e Renato Rick (Foto: Divulgação)

Humberto Teófilo, ao lado de Domingos Ketelbey e Renato Rick (Foto: Divulgação)

DOMINGOS CONVERSA #65: DESISTÊNCIA AO SENADO, PERSEGUIÇÃO NA POLÍCIA E ELEIÇÕES 2026, COM HUMBERTO TEÓFILO

DOMINGOS CONVERSA #65: DESISTÊNCIA AO SENADO, PERSEGUIÇÃO NA POLÍCIA E ELEIÇÕES 2026, COM HUMBERTO TEÓFILO

Ex-deputado estadual afirma que deixou disputa majoritária por enxergar mais chances na Câmara e relata sucessivas remoções dentro da Polícia Civil

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Domingos Conversa

Podcast

O delegado da Polícia Civil e ex-deputado estadual Humberto Teófilo, candidato a deputado federal pelo Novo, afirmou que desistiu da disputa ao Senado depois de concluir que suas chances de vitória eram reduzidas e que sua permanência na corrida poderia dividir votos do campo da direita com Gustavo Gayer.

Em entrevista ao Domingos Conversa, Teófilo disse que chegou a aparecer com índices entre 15% e 17% nas pesquisas, mas avaliou que havia atingido um teto eleitoral. A partir daí, decidiu concentrar esforços na Câmara dos Deputados.

“Esse Senado eu ia perder, deputado federal eu vou ganhar. Simples assim”, afirmou.

Segundo ele, a mudança também passou pela estratégia do Novo, que precisa ampliar sua representação na Câmara para cumprir a cláusula de desempenho partidário.

Teófilo disse ainda que a legenda trabalha para eleger ao menos um deputado federal em Goiás e projetou uma meta pessoal acima dos 100 mil votos.

“Eu trabalho para ter 100 mil votos acima. Eu acredito que tem que ter 100 mil”, disse. Em um cenário mais otimista, chegou a citar a possibilidade de alcançar 200 mil votos.

Caminho até o Novo

Durante a entrevista, Teófilo confirmou que chegou a avaliar uma filiação ao PL antes de acertar com o Novo.

“Na verdade, eu iria para o PL”, afirmou.

Ele disse ter percebido uma forte disputa interna por espaço no partido e enxergado no Novo uma possibilidade maior de participação na construção da legenda em Goiás.

“Eu vi no Novo uma fase embrionária, um partido que eu ingressando ali tenho oportunidade de estar caminhando e dando desenvolvimento, crescimento a esse partido. Então eu preferi ir para o Novo, mas nada contra o PL.”

Teófilo afirmou ainda que teve autonomia dentro da sigla para decidir se permaneceria na disputa ao Senado ou migraria para a Câmara.

“Fui perseguido”

Outro trecho de destaque da entrevista foi o relato sobre sua trajetória recente dentro da Polícia Civil.

Teófilo afirmou ter sido alvo de perseguição administrativa após deixar a Assembleia Legislativa e retornar às atividades policiais. Segundo ele, passou por diferentes lotações e acabou transferido para uma função administrativa na área de ensino da Secretaria de Segurança Pública.

“Eu fui perseguido pela administração”, declarou.

Ele disse responder a cerca de 30 procedimentos internos, além de sindicâncias, processos administrativos disciplinares e ações criminais.

Teófilo também relacionou as remoções à forma como atuava nas delegacias e afirmou que manteve uma postura de enfrentamento tanto ao tráfico de drogas quanto a pessoas com influência política ou econômica.

“Eu nunca atendi pedido de ninguém para aliviar bandido”, disse.

O delegado afirmou ainda que, se eleito deputado federal, não pretende usar o mandato para retaliar integrantes da administração da Polícia Civil.

“Os colegas da administração que me sacanearam podem ficar tranquilos. Mesmo se for um governo ao meu favor, eu não vou vingar de ninguém. Eu vou ajudar a Polícia Civil.”

Ameaça do crime organizado

Teófilo também relatou ter sido alvo de um plano atribuído a integrantes do PCC.

Segundo ele, uma investigação da Polícia Civil identificou sete membros da facção que teriam participado da articulação para matá-lo depois de prisões realizadas em Aparecida de Goiânia.

O delegado afirmou que passou a usar colete à prova de balas em determinadas agendas e sustenta que o crime organizado atua em Goiás de maneira menos ostensiva e mais infiltrada na economia formal.

Durante a entrevista, citou postos de combustíveis, empresas de fachada, fintechs, bets e licitações como áreas suscetíveis à lavagem de dinheiro.

Teófilo foi além e afirmou não descartar a existência de representantes do crime organizado em espaços políticos.

“Eu não duvido que tenha representando o crime organizado, seja deputado estadual, federal, aqui em Goiás.”

A declaração foi feita de forma genérica, sem apresentação de nomes ou provas durante o programa.

Bets, 6x1 e segurança pública

Na discussão sobre pautas nacionais, Teófilo defendeu o fim das apostas esportivas on-line.

“Para mim tinha que acabar com todas as bets. Regulamentação, bosta nenhuma. Isso é um lixo. Isso é destruição”, afirmou.

O candidato também se posicionou contra o fim da escala 6x1 no formato atualmente discutido. Disse que considera necessário avaliar os impactos econômicos e sobre a empregabilidade antes de apoiar qualquer mudança.

“Hoje eu sou contra, porque eu não estou vendo uma vantagem para isso”, declarou.

Segurança pública, na avaliação de Teófilo, será um dos principais temas da campanha nacional de 2026, com foco no combate às facções criminosas.

Caiado e Bolsonaro

Questionado sobre uma comparação entre Ronaldo Caiado e Jair Bolsonaro, Teófilo rejeitou qualquer proximidade ideológica entre os dois.

“Vejo o Bolsonaro da direita e o Caiado centro”, afirmou.

Apesar das críticas políticas, reconheceu avanços na segurança pública durante o período de Caiado no governo de Goiás.

Teófilo, no entanto, disse considerar que o ex-governador se movimenta de acordo com as conveniências do cenário político.

“É um posicionamento que surfa na onda, não tem lado, e vai onde o poder direcionar.”

O peso da história familiar

Na reta final da entrevista, Humberto Teófilo também respondeu sobre as cobranças relacionadas à trajetória judicial de seu pai, o ex-vereador Amarildo Pereira.

O delegado afirmou que não aceita que episódios envolvendo familiares sejam associados automaticamente à própria carreira.

“Eu tenho meu CPF. Meu pai tem um CPF dele. Meu irmão tem um CPF dele. Meu tio tem um CPF dele.”

Teófilo disse que a questão é frequentemente levantada por adversários e em comentários nas redes sociais por causa de sua atuação política de linha dura.

“O meu CPF é limpo e eu vou continuar combatendo, do mesmo sentido, a corrupção, o crime, com a mesma energia de sempre.”

O episódio completo do Domingos Conversa está disponível no canal de Domingos Ketelbey no YouTube.

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Domingos Ketelbey

É repórter, colunista e apresentador. Conecta os bastidores do poder, cultura e cotidiano na cobertura jornalística

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