
Ex-presidente da Goinfra assume posição política, sugere Zé Mário para a vice e diz que PL pode crescer na reta final
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O ex-presidente da Goinfra e pré-candidato a deputado federal, Pedro Sales, afirmou que a eleição de 2026 em Goiás tende a ser acirrada, com influência direta da polarização nacional, e defendeu o nome de José Mário Schreiner como opção para vice na chapa do governador Daniel Vilela (MDB). As declarações foram dadas em entrevista ao Domingos Conversa, exibido nesta segunda-feira (27). Caso eleito, ele afirma que pretende levar para a Câmara a proposta de formação de uma “bancada da infraestrutura”, voltada ao debate sobre obras e logística no país.
Fora do governo desde o início de abril, Pedro Sales entra na disputa tentando se posicionar dentro da base governista, sem abrir mão de marcar posição no debate nacional.
Ele defendeu que a composição da chapa majoritária siga critérios objetivos e seja orientada por dados. “O governador tem que ser científico nessa medida”, afirmou, ao citar pesquisas como instrumento para definição do vice.
Mesmo assim, indicou preferência. Sales mencionou José Mário Schreiner como alternativa “interessante” para a composição, destacando capilaridade no interior e experiência política.
Disputa aberta e efeito nacional
Ao analisar o cenário estadual, o ex-presidente da Goinfra apontou o nome do ex-governador Marconi Perillo como competitivo, mas ressaltou que o comportamento do eleitorado bolsonarista pode alterar o quadro.
Segundo ele, o senador Wilder Morais pode ganhar força na reta final, impulsionado por mobilização digital. “O PL tem um método, não é por acaso”, disse.
Sales também minimizou o impacto político do fim da chamada taxa do agro, ao avaliar que o tema tende a perder força após o encerramento da cobrança. “Todo tipo de incidência tributária desgasta, mas a entrega mitiga”, afirmou.
Senado e disputa indefinida
Na corrida ao Senado, avaliou que uma das vagas tende a ser influenciada pelo recall da primeira-dama Gracinha Caiado, enquanto a segunda permanece em aberto.
Ele citou nomes como Gustavo Gayer, Vanderlan Cardoso, Zacharias Calil e Alexandre Baldy como competitivos, sem apontar favorito. “A outra vaga está em disputa, não dá para cravar”, disse.
Posicionamento e estratégia
Pedro Sales também antecipou o posicionamento político que pretende levar para a campanha. Ele se definiu como “antipetista não bolsonarista” e afirmou buscar um eleitorado que rejeita a polarização tradicional.
“Eu estou no antipetismo, mas não estou no antipetismo bolsonarista”, afirmou.
Servidor de carreira do Supremo Tribunal Federal, ele criticou o papel do Senado no controle institucional. “A falha não é só de quem decide, é de quem não julga”, disse.
Pedro ainda defendeu a anistia aos envolvidos nos atos de 8 de janeiro como forma de pacificação política, alinhando-se a uma das principais bandeiras do ex-governador Ronaldo Caiado no cenário nacional.
Infraestrutura como ativo
Na disputa por uma vaga na Câmara, o ex-presidente da Goinfra afirmou que pretende levar a infraestrutura como principal bandeira e criticou o modelo atual de atuação parlamentar. “Você acaba virando um despachante de caminhão de lixo de emenda”, afirmou.
Para ele, o Congresso precisa ampliar o debate sobre temas estruturais e reduzir a dependência de pautas locais baseadas exclusivamente na destinação de recursos.
O episódio completo do Domingos Conversa com Pedro Sales está disponível na TV Capital e nas principais plataformas de podcast.

Domingos Ketelbey
É repórter, colunista e apresentador. Conecta os bastidores do poder, cultura e cotidiano na cobertura jornalística
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