Novos estúdios da ABC

Novos estúdios da ABC (Foto: Divulgação)

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Novos estúdios da ABC (Foto: Divulgação)

Novos estúdios da ABC

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ABC prepara nova fase no rádio, lança emissora popular e cogita até a “RBC Rock”

ABC prepara nova fase no rádio, lança emissora popular e cogita até a “RBC Rock”

Projeto inclui a Arrocha FM, uma rádio voltada ao noticiário e a possibilidade de uma emissora dedicada ao rock goiano

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Mídia

A Agência Brasil Central (ABC) prepara uma reconfiguração de suas emissoras de rádio que pode alterar o desenho da comunicação pública em Goiás. Em entrevista ao Blog do DK, o presidente da instituição, Reginaldo Júnior, confirmou a criação de uma nova emissora popular, a Arrocha FM, a implantação de uma rádio voltada exclusivamente para notícias e esporte, a RBC News, e revelou estudos para um quarto canal temático, voltado ao rock produzido no estado.

A principal novidade será a Rádio Arrocha FM, que deve ocupar a frequência 85,7 MHz. A emissora surge no contexto da migração obrigatória das rádios AM para o FM e terá programação focada em música sertaneja e cultura popular. O nome faz referência a uma expressão conhecida entre os goianos e repetida em diferentes ambientes, inclusive no discurso político do governador Ronaldo Caiado (PSD), como o bordão “arrocha, Goiás”, embora Júnior rejeite a tese de que se trate de uma referência direta ao jargão. “Arrocha é um símbolo cultural, musical, que todos os goianos usam. É uma expressão do povo”, afirmou.

Segundo Reginaldo Júnior, a estratégia é ampliar o alcance do sistema de comunicação da agência com perfis distintos de programação. Enquanto a RBC FM continuará dedicada à música popular brasileira e aos artistas goianos, a nova emissora popular deverá dialogar diretamente com o público que consome sertanejo e programação mais interativa. “Precisamos ter comunicação com cheiro de povo. Não adianta fazer rádio distante das pessoas”, disse.

O plano inclui ainda a criação da RBC News, rádio dedicada ao jornalismo e ao esporte, com foco em notícias locais, trânsito, política e cobertura da atuação da bancada goiana em Brasília. A tradicional Rádio Brasil Central AM, por sua vez, deve deixar o dial nos próximos meses e passar a operar em formato digital, como web rádio. “Hoje quase não existem mais aparelhos de rádio AM. Ou migrávamos ou perderíamos um patrimônio da comunicação em Goiás”, explicou.

Reginaldo Júnior afirma que o objetivo é transformar a estrutura da agência em um sistema de rádios complementares. Nesse cenário, além da emissora popular e da rádio de notícias, a ABC também estuda lançar uma quarta estação temática dedicada ao rock goiano, batizada provisoriamente de RBC Rock. “Nós não estamos conquistando uma rádio. Estamos praticamente triplicando a estrutura”, disse.

Leia a entrevista na íntegra com o presidente da Agência Brasil Central, Reginaldo Júnior:


Domingos Ketelbey: Presidente da Agência Brasil Central, Reginaldo Júnior. Obrigado, presidente. O que vem aí em 2026? Quais são os novos projetos que a agência tem, tanto para a comunicação quanto para o jornalismo?

Reginaldo Júnior: Domingos, primeiro é muito importante participar desse projeto seu. É um projeto moderno. Eu já te falei que você podia estar aqui na Brasil Central com ele, porque ele cabe com essa nova ideia de comunicação. Então é muito importante. Mas, sobre novos projetos: hoje a maior divulgação da agência Brasil Central vem através de uma nova rádio. É um presente que essa gestão ganhou, se empenhou e agora conquistou, junto com o governador Ronaldo Caiado e o vice-governador Daniel Vilela. Na verdade, não é apenas mais uma rádio. A Rádio Brasil Central AM, assim como todas as outras rádios, terão que migrar ou deixar de existir no FM, porque é um projeto do governo federal. Hoje, infelizmente, os aparelhos de rádio AM nem são mais vendidos. Eu sou apaixonado por rádio AM, rádio de ondas curtas, ondas tropicais. Sempre ouvia a Brasil Central fora de Goiás, em outros lugares. Mas fomos literalmente obrigados a tomar uma decisão: ou fechávamos a rádio e perdíamos um patrimônio, ou buscávamos um novo desafio. O Mardem, que é nosso diretor de Teleradiodifusão, uma pessoa em quem confio muito nesse relacionamento com o Ministério das Comunicações, junto com o Fernando Dibbi, me ajudou nas conversas em Brasília. Lutamos para conquistar, mesmo fora do período, a nova frequência, que é a 85.7. Por que ela vai se chamar Arrocha? Arrocha é um símbolo cultural, musical, que todos os goianos e brasileiros usam. É aquele arrocha mesmo: o cara apaixonado na namorada e dá uma arrochada. Eu, de vez em quando, arrocho a carona.

Domingos Ketelbey: Tem até o bordão do governador. Tem uma alusão? O governador sempre termina o discurso dizendo: “arrocha, Goiás”.

Reginaldo Júnior: Assim como aquela música “Quando eu quero mais eu vou pra Goiás” lembra o governador Ronaldo Caiado porque ela toca muito, esse bordão também aparece. Mas não é porque é um bordão do governador. É porque é um bordão dos goianos. O governador foi inteligente ao pegar esse bordão do povo e puxar para ele. Se as pessoas lembram do governador por causa disso, também precisam entender que a palavra arrocha não foi registrada por ele. Essa arrocha que o governador usa é uma arrocha do povo. E quem é contra essa palavra arrocha, quem é contra o arrocha, é contra o povo. Porque o que vai tocar nessa rádio é música sertaneja, música popular. A gente estava falando antes: por que eu não posso tocar Reginaldo Rossi nessa rádio? Por que não posso tocar Zezé? Por que não posso tocar Amado Batista? Inclusive recebi uma mensagem do Amado apoiando a ideia. Nós, goianos, precisamos divulgar a música que produzimos aqui. Na RBC FM, que não vai sair do ar, temos música popular brasileira. Sou apaixonado por Chico, Caetano, Gil.

Domingos Ketelbey: São maravilhosos. A RBC tem uma das melhores programações musicais do Brasil.

Reginaldo Júnior: Quando chegamos à rádio, eu falava que era uma rádio que dava um pouco de sono. Eu disse que precisava colocar essa rádio para cima. E hoje a RBC FM tem duas horas de programação exclusiva para cantores goianos. Tem Wilson Gandhi, Gilberto Correia, Marcelo Barra. Nós abrimos espaço para os artistas daqui. Então, primeiro projeto: RBC FM. Essa não mexemos nunca. Ela tem história. Tentaram mexer em governos passados, colocar música sertaneja. Não deu certo. Voltaram para música popular brasileira e nós corrigimos a rota nesses últimos cinco anos de gestão. Graças a Deus conseguimos esse reconhecimento.

Domingos Ketelbey: A Rádio Arrocha, popular. Quando ela será lançada?

Reginaldo Júnior: Dia 31 é a data em que penso lançar o aplicativo. Vou fazer a licitação dos transmissores da rádio e acredito que em mais dois meses ela já esteja no ar.

Domingos Ketelbey: Ainda dentro desse semestre?

Reginaldo Júnior: Se Deus quiser. Até porque estou fazendo estúdios maravilhosos. Você vai ver que será um dos estúdios mais incríveis de rádio do Brasil. Prepare-se: será um estúdio com auditório e espaço até para dançar. As duplas sertanejas que quiserem participar dos programas poderão tocar ao vivo. Vamos convidar pessoas para assistir às entrevistas e, se quiserem dançar na hora em que o artista estiver tocando, podem dançar.

Domingos Ketelbey: Além das edições dos programas, vai ter até eventos.

Reginaldo Júnior: Claro. Porque essa história de comunicação distante do povo não dá certo. A gente tem que ser povo.Não adianta eu ficar como secretário ou presidente longe das pessoas. Quem se esconde do povo é quem está devendo ao povo. A Rádio Brasil Central teve uma época em que o Túlio Isaac fazia um programa popular lotado de gente. Precisamos voltar a ter cheiro de povo. Eu sou aluno do Paulo Beringhs há quase 30 anos. Aprendi com ele jornalismo de verdade, com participação popular todos os dias. Então por que a Rádio Brasil Central FM, a Arrocha FM, a TV Brasil Central, a RBC News e até uma RBC Rock não podem ouvir o povo?

Domingos Ketelbey: É um projeto futuro?

Reginaldo Júnior: Por que não?

Domingos Ketelbey: Já existe esse planejamento? Por que não ter uma RBC Rock?

Reginaldo Júnior: Tem sim. Afinal, estamos perdendo a Rádio Brasil Central AM, mas conquistamos três rádios. Não estamos conquistando uma. Estamos quase triplicando a meta. Minha ideia é ter RBC FM, Rádio Arrocha FM e RBC News. Eu não sou jornalista, sou da comunicação, mas não aceito que os jornalistas não tenham voz e vez. A RBC News será uma rádio para dar oportunidade aos jornalistas de Goiás e do Brasil.

Domingos Ketelbey: Presidente, você falava da RBC News. O que ela terá de especial? É uma rádio 100% voltada para notícias?

Reginaldo Júnior: 100% voltada para notícias e esporte. Jornalismo esportivo, jornalismo raiz, com participação popular. Goiânia virou uma metrópole. A rádio pode informar sobre trânsito, problemas da cidade. Em São Paulo, o jornalista fala em tempo real do trânsito. Aqui nós não vamos falar da Avenida Paulista. Vamos falar da Avenida Anhanguera, da Avenida 85, da BR-153, do MotoGP, do Campeonato Goiano. Também precisamos ter equipe em Brasília. Estamos a menos de 200 quilômetros de lá. A TV Brasil Central já manda repórter todas as semanas para ouvir deputados e senadores.

Domingos Ketelbey: Então você tem a RBC News, a Arrocha FM e a RBC FM. Três canais.

Reginaldo Júnior: Múltiplos canais que vão permanecer, um complementando o outro.

Domingos Ketelbey: E a RBC AM vai ser desativada? Tem data?

Reginaldo Júnior: A RBC AM deve ser desativada em até 60 dias. Eu pago quase 30 mil reais de energia e a audiência é muito baixa porque as pessoas estão deixando de usar rádio AM. A ideia é transformar em web rádio. Assim, em vez de poucas pessoas ouvindo, podemos ter milhares pelo aplicativo, em qualquer lugar do mundo.

Domingos Ketelbey: Aqui no Centro Cultural Oscar Niemeyer acontecem muitos eventos de rock. O Bananada deve voltar para cá.

Reginaldo Júnior: É uma ótima notícia. É um grande festival que valoriza o rock independente. A RBC Rock pode dialogar com isso.

Domingos Ketelbey: A RBC News também pode ter debates políticos?

Reginaldo Júnior: Pode. O governador Ronaldo Caiado nunca fugiu de debate. Mas hoje os debates estão muito engessados. Trinta segundos para um falar, um minuto de réplica… fica chato. Talvez seja mais interessante fazer grandes entrevistas e sabatinas com candidatos. O marketing é importante, mas o jornalismo quebra o marketing. É o jornalismo que informa a população com credibilidade. Se for para fazer algo diferente, eu topo. Se for para fazer mais do mesmo, acho que não vale a pena.

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Domingos Ketelbey

É repórter, colunista e apresentador. Conecta os bastidores do poder, cultura e cotidiano na cobertura jornalística

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