Senador nega que filiação de Caiado tenha sido imposta e reforça permanência no PSD
2 de fevereiro de 2026 às 20:03
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Entrevista
O senador Vanderlan Cardoso, presidente do PSD em Goiás, demonstrou serenidade diante da filiação do governador Ronaldo Caiado (UB) à legenda. Em entrevista exclusiva ao Blog do DK, ele afirmou que a entrada do chefe do Executivo estadual não foi imposta e que participou das conversas desde o início. “Não foi goela abaixo”, garantiu.
Vanderlan reforçou que continua como pré-candidato à reeleição ao Senado e que não condiciona sua decisão a alianças ou rearranjos internos. Para ele, a chegada de Caiado fortalece o PSD no estado e ajuda a resolver entraves na montagem das chapas proporcionais. “Já tirou cinco toneladas das minhas costas”, afirmou.
Apesar de o governador ter declarado preferência por outros nomes para a disputa ao Senado, como a primeira-dama Gracinha Caiado (UB) e o deputado federal Gustavo Gayer (PL), o senador diz que sua candidatura segue firme, independente de apoios externos. “Eu sou do PSD e me preocupo com o PSD. Não dependo da boa vontade dos outros.”
Sobre eventuais disputas internas ou a possibilidade de dividir espaço com adversários, Vanderlan diz que não teme o embate. “Quem tem serviço prestado não escolhe adversário”, resume.
Leia abaixo a entrevista na íntegra com o senador Senador Vanderlan Cardoso (PSD-GO):
Domingos Ketelbey: O senhor foi consultado sobre a filiação do governador Ronaldo Caiado ao PSD?
Vanderlan Cardoso: Fui, sim. O presidente Kassab me ligou para tratar disso. A conversa era sobre a filiação do governador a nível nacional, como pré-candidato à Presidência da República. E eu disse que, em hipótese alguma, me oporia. Seria um prazer receber o governador. Ele ajuda a formar uma das melhores chapas em Goiás, tanto para estadual quanto para federal.
Domingos Ketelbey: A filiação foi pacificada ou houve alguma imposição?
Vanderlan Cardoso: Não foi goela abaixo, como andaram dizendo. Participei desde o início das conversas com Kassab. O fechamento foi nacional, o estado de Goiás nem entrou nesse ponto. Mas fui consultado, sim, e deixei claro que não tinha objeção.
Domingos Ketelbey: A direção do partido em Goiás pode mudar?
Vanderlan Cardoso: Isso vai depender da conversa que teremos: eu, o governador e Kassab. Não quero antecipar nada. Eu sou pré-candidato à reeleição, isso eu não abro mão. Agora, sobre quem vai ser presidente estadual ou não, eu não tenho apego. Não morro de paixão por presidência. Dá muito trabalho.
Domingos Ketelbey: A vinda de Caiado muda sua posição no partido?
Vanderlan Cardoso: Pelo contrário. Reforça. Com ele, já tirou cinco toneladas das minhas costas em relação à formação das chapas proporcionais. Estou mais animado do que nunca. Eu já sou senador, estou no partido e sigo como pré-candidato.
Domingos Ketelbey: O governador tem defendido os nomes de Gracinha Caiado e Gustavo Gayer para o Senado. Como o senhor avalia isso?
Vanderlan Cardoso: Isso é problema deles. Minha candidatura não depende de negociação com o governador, com a dona Gracinha ou com o com o sujeito do PL. Eu sou do PSD e me preocupo com o PSD. Não dependo da boa vontade dos outros.
Domingos Ketelbey: O senhor se vê dividindo palanque com Gayer?
Vanderlan Cardoso: Se isso acontecer, ótimo. A população vai poder comparar. Eu tenho serviço prestado. O eleitor saberá decidir entre quem trabalhou pelo estado e quem está envolvido em escândalos. Não fico escolhendo adversário. Se a pessoa só entra em confusão, isso ela que terá que explicar, não eu.
Domingos Ketelbey: O senhor foi procurado por outros partidos após a filiação do governador?
Vanderlan Cardoso: Fui, sim. Algumas pessoas me ligaram, achando que a filiação do Caiado foi imposta. Mas expliquei que não houve isso. Não tenho intenção de sair do PSD.
Domingos Ketelbey: O senhor chegou a conversar com Marconi Perillo para uma eventual aliança?
Vanderlan Cardoso: Não. Isso é especulação. Nunca sentei com ele para discutir eleição. Não houve diálogo, então não existe essa possibilidade. É factoide.
Domingos Ketelbey: E o apoio à eventual candidatura de Caiado à Presidência?
Vanderlan Cardoso: Já falei com o Kassab há mais de um ano: mesmo se o PSD tivesse candidato, eu já apoiaria o governador. Seria estranho, como senador de Goiás, não apoiar o governador do meu estado. E o Kassab compreendeu. Agora, com o governador filiado ao PSD, não há qualquer objeção quanto ao apoio.
Domingos Ketelbey
É repórter, colunista e apresentador. Conecta os bastidores do poder, cultura e cotidiano na cobertura jornalística
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