Adriana Accorsi (Foto: Divulgação)

Adriana Accorsi (Foto: Divulgação)

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Relatório de Adriana Accorsi faz conta da tornozeleira chegar ao agressor

Relatório de Adriana Accorsi faz conta da tornozeleira chegar ao agressor

Texto aprovado na Comissão de Segurança Pública também prevê áreas de exclusão e resposta imediata a violações de medidas protetivas

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Política

A Comissão de Segurança Pública aprovou um projeto que obriga o monitorado a bancar a instalação, o funcionamento e a manutenção da tornozeleira eletrônica. A exceção será para quem comprovar à Justiça que não tem condições financeiras.

A proposta parece óbvia. Quem provocou a necessidade da vigilância deveria pagar por ela. No Congresso, porém, até o óbvio precisa atravessar comissões, pareceres e votações antes de virar lei.

O texto aprovado foi relatado pela deputada federal Delegada Adriana Accorsi (PT-GO). Ela reuniu três projetos em um substitutivo que amplia o uso da tecnologia no combate à violência doméstica.

“Essa criminalidade, impulsionada pelo sentimento de posse, exige mecanismos de proteção tecnologicamente sofisticados e de natureza impositiva”, afirmou.

O projeto não se limita à cobrança. Também obriga delegacias a criar canais específicos para receber alertas quando o agressor romper a distância determinada pela Justiça.

O sistema atual costuma falhar no intervalo entre o aviso e a resposta policial. A tornozeleira pode indicar a aproximação, mas o alerta eletrônico não impede sozinho uma nova agressão. Sem equipe para agir, o dispositivo corre o risco de se transformar em um acessório de plástico caro e pouco útil.

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A proposta também prevê áreas de exclusão ao redor da casa, do trabalho e do local de estudo da vítima. A medida reconhece um fato elementar: não basta mandar o agressor manter distância da mulher se ele puder circular livremente pelos lugares em que sabe que vai encontrá-la.

Outro ponto autoriza a entrega de celulares apreendidos a mulheres de baixa renda. Os aparelhos seriam usados para receber alertas de segurança. A ideia tenta resolver um paradoxo frequente das políticas públicas digitais: o governo cria a tecnologia, mas parte das vítimas não tem equipamento para acessá-la.

Mudanças recentes na Lei Maria da Penha já passaram a tratar como crime a violação da tornozeleira ou das áreas de exclusão. A pena pode ser aumentada em um terço, e o monitoramento pode ser determinado imediatamente pela autoridade policial.

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Domingos Ketelbey

É repórter, colunista e apresentador. Conecta os bastidores do poder, cultura e cotidiano na cobertura jornalística

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