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A ÚLTIMA RODADA #01: Vassil diz que campanha de Wilder parece reforçar discurso de Daniel

A ÚLTIMA RODADA #01: Vassil diz que campanha de Wilder parece reforçar discurso de Daniel

Jornalista criticou peças do candidato do PL e questionou estratégia usada na reta final

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Política

O jornalista Vassil Oliveira avaliou, durante a estreia da Última Rodada, no Domingos Conversa, que a campanha de Wilder Morais (PL) tem adotado mensagens que acabam reforçando parte do discurso usado por Daniel Vilela (MDB) na disputa pelo Governo de Goiás.

A crítica apareceu na reta final do programa, quando Vassil e o jornalista Raphael Bezerra foram provocados a avaliar as campanhas dos principais candidatos ao Palácio das Esmeraldas.

Ao comentar peças de Wilder, Vassil chamou atenção para o uso recorrente de expressões ligadas à ideia de “seguir em frente”, também presente na estratégia de Daniel desde o início da campanha. “Daniel, desde o início do ano, está dizendo: ‘temos que seguir em frente, não podemos olhar para trás’. Aí vem o Wilder agora e fala: ‘temos que seguir em frente, não podemos olhar para trás’”, afirmou.

Na sequência, o jornalista fez uma provocação direta sobre o efeito da comunicação do candidato do PL. “Ele está fazendo campanha para quem? Para ele ou para o Daniel?”, questionou.

Elogios ao governo também chamam atenção

Vassil também citou situações em que Wilder reconheceu avanços da gestão estadual, especialmente em áreas como segurança pública.

Durante a conversa, os jornalistas lembraram um vídeo publicado após o debate da PUC TV em que Daniel aparece falando sobre segurança e, na sequência, Wilder concorda com parte da avaliação. “Agora, ele trouxe o Daniel para dentro da casa dele, para dentro do espaço dele, no vídeo dele”, observou Vassil.

A leitura apresentada na mesa é que esse tipo de comunicação pode dificultar a construção de um contraste mais claro entre Wilder e o atual governador.

Raphael também demonstrou estranhamento com a estratégia. “A campanha do Wilder não está parecendo nem as campanhas que a própria direita faz, que o próprio bolsonarismo faz”, afirmou.

Dependência do bolsonarismo

Ao longo do programa, Vassil sustentou que Wilder depende diretamente de uma eventual mobilização do eleitor bolsonarista na reta final para ganhar competitividade.

“A campanha dele só vai funcionar se for com o bolsonarismo. O Wilder, pelo Wilder, ele não mexeu em nada, ele não fez nada”, disse.

Em outro momento, ele comparou a expectativa da campanha a uma “enchente” que poderia chegar nos últimos dias e mudar o cenário eleitoral.

“A única expectativa do Wilder é a ascensão, é que venha o milagre, a enchente”, afirmou.

Para Vassil, esse movimento poderia reproduzir fenômenos registrados em eleições anteriores, quando candidaturas identificadas com o bolsonarismo cresceram fortemente na reta final.

Raphael também vê dificuldades

Raphael Bezerra fez avaliação semelhante sobre a campanha de Wilder e apontou limitações na capacidade do senador de conduzir uma candidatura baseada apenas em seu próprio desempenho.

“Eu acredito que o Wilder não tem o traquejo para conseguir convencer o eleitor goiano”, afirmou.

Segundo Raphael, Wilder precisaria de uma mobilização mais forte do bolsonarismo para transformar sua candidatura em um movimento eleitoral capaz de superar Marconi Perillo (PSDB).

“Ele depende dessa massa bolsonarista para fazer campanha com ele e ainda não aconteceu”, disse.

Atlas colocou Wilder em segundo lugar

A avaliação ocorre depois da divulgação da pesquisa AtlasIntel que colocou Wilder em segundo lugar na disputa pelo Governo, atrás de Daniel e à frente de Marconi.

O resultado abriu uma discussão durante o programa sobre a possibilidade de um crescimento do candidato do PL na reta final.

Apesar dos números, Vassil ponderou que ainda é cedo para afirmar que houve uma mudança consolidada na hierarquia da oposição. “É a primeira pesquisa. Para a gente saber se é um movimento mesmo que começa, tem que aguardar o andamento”, afirmou.

Na avaliação dele, Wilder pode crescer, mas a candidatura ainda depende essencialmente da capacidade do bolsonarismo de transferir votos.

“Eu acho que o Marconi é muito mais candidato do que o Wilder. O Wilder só vai para o segundo turno, não por méritos dele. Ele só vai para o segundo turno por mérito do bolsonarismo”, disse.

Wilder teve pior campanha na avaliação dos convidados

Na “Saideira”, quadro de respostas rápidas da Última Rodada, Raphael e Vassil foram questionados sobre qual candidatura apresenta, até agora, o pior desempenho estratégico na disputa pelo Governo.

Os dois apontaram Wilder. “A do Wilder”, respondeu Vassil. “Eu concordo, a do Wilder”, completou Raphael.

Para os jornalistas, a principal dificuldade é justamente transformar Wilder em uma candidatura com identidade própria e capaz de se diferenciar de Daniel, Marconi e do próprio bolsonarismo nacional.

A avaliação, segundo Vassil, é que enquanto esse contraste não aparecer com clareza, a campanha corre o risco de reforçar justamente a mensagem do adversário que tenta derrotar.

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Domingos Ketelbey

É repórter, colunista e apresentador. Conecta os bastidores do poder, cultura e cotidiano na cobertura jornalística.

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