Dirigente afirma que revogação ocorre sob pressão eleitoral
21 de fevereiro de 2026 às 16:54
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Política
O presidente nacional do PSDB Agro, Leonardo Martins, reagiu ao anúncio do governador Ronaldo Caiado e do vice-governador Daniel Vilela de revogar a cobrança do Fundo Estadual de Infraestrutura (Fundeinfra). Para ele, a decisão não é gesto de sensibilidade ao setor, mas “recuo forçado” diante da pressão política e do calendário de 2026.
“A revogação da chamada ‘taxa do agro’ não é gesto de grandeza. É recuo forçado”, afirmou ao Blog do DK. De acordo com Martins, o governo criou uma cobrança que penalizou o produtor rural e agora volta atrás em ano eleitoral. “O agro não é caixa eletrônico de governo. Quem produz já enfrenta seca, excesso de chuva, alta nos insumos, crédito caro e insegurança de mercado.”
O dirigente tucano vinculou diretamente o anúncio à movimentação do ex-governador Marconi Perillo, pré-candidato ao Palácio das Esmeraldas, que tem defendido a extinção da contribuição. “O fim da taxa acontece após Marconi assumir publicamente o compromisso de extingui-la no primeiro dia de governo. Não há coincidência. Há pressão política”, declarou.
O Fundeinfra foi criado em 2022 com a justificativa de financiar obras de infraestrutura, especialmente pavimentação e manutenção de rodovias estaduais. A contribuição, de até 1,65% sobre o valor de comercialização, era facultativa e vinculada à concessão de benefícios fiscais aos produtores que aderiam ao regime.
Ao anunciar o envio do projeto de lei à Assembleia Legislativa, Caiado afirmou que a decisão acompanha a atual conjuntura econômica e citou dificuldades enfrentadas pelo setor, como custos elevados e juros altos. Daniel Vilela disse que o fundo “cumpriu seu papel” e que a revogação é uma colaboração ao agronegócio em um momento de safra desafiadora.
Leonardo Martins sustenta que a própria revogação confirma que a medida não deveria ter sido criada. “A taxa jamais deveria ter existido. Promessa feita ao produtor precisa ser cumprida. O agro tem memória”, disse.
O projeto de lei que formaliza o fim da cobrança ainda será analisado pela Assembleia. Resta saber se o embate ficará restrito ao discurso ou se abrirá uma nova frente de disputa entre governo e oposição no campo, setor que historicamente tem peso decisivo nas eleições estaduais.
Domingos Ketelbey
É repórter, colunista e apresentador. Conecta os bastidores do poder, cultura e cotidiano na cobertura jornalística
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