Me deixa puto tentativas de justificar o indefensável
12 de fevereiro de 2026 às 23:50
·
Editorial
Pensei muito antes de escrever qualquer linha sobre a tragédia que aconteceu em Itumbiara. Não foi um dia normal. Acordei às seis da manhã com informações ainda desencontradas sobre o que viria a se confirmar como uma das notícias mais brutais que já precisei ler. Como pai de duas crianças, entrei em negação. Procurei alguma brecha que me permitisse desacreditar. Fake news, óbvio. Agora, já perto das onze da noite, tudo o que apurei e li continua martelando. Passei o dia sem escrever uma linha, e talvez tenha sido o texto mais difícil de começar.
No jornalismo, existe um certo tabu com o suicídio. Os acontecimentos que pautaram os noticiários de Goiás quebraram isso. Porque não foi uma série de coisas para além disso. Foi assassinato de crianças, feminicídio indireto, uma carta pública abjeta com tentativa de transferir uma culpa injustificável, além de uma figura pública com projeção eleitoral. Meandros de poder por trás de tudo.
Ninguém mata "por impulso". O dia inteiro ouvi tentativas de encontrar um ponto de apoio, algumas pessoas querendo minimizar o impacto de tudo. Um motivo que organizasse o caos. Uma frase que tornasse o absurdo menos absurdo. Não existe. Algumas coisas simplesmente são o que são.
Domingos Ketelbey
É repórter, colunista e apresentador. Conecta os bastidores do poder, cultura e cotidiano na cobertura jornalística
Continue a leitura








