Vice distingue regras da desincompatibilização, evita falar da chapa de 2026 e centra discurso na economia durante evento do PSB
11 de fevereiro de 2026 às 10:14
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Política
A ida do vice-presidente Geraldo Alckmin a Goiânia para prestigiar a filiação de Aava Santiago ao PSB acabou servindo para algo bem maior do que um gesto partidário local. Na prática, foi ali, numa coletiva aparentemente protocolar, que ele deixou escapar os primeiros sinais concretos do que pretende fazer no calendário eleitoral que se aproxima.
Questionado se deixará o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços no dia 4 de abril, prazo de desincompatibilização para ministros que pretendem disputar as eleições, Alckmin foi direto. “É provável.”
A resposta, curta, carrega um peso político evidente. Não se trata de uma hipótese distante. Trata-se de alguém que já opera com a agenda de 2026 sobre a mesa.
O vice fez questão de separar as coisas. Disse que não há prazo para deixar a Vice-Presidência. Para o ministério, há. Tradução simples. Ele pode perfeitamente permanecer como vice, mas já trabalha com a possibilidade real de sair do governo operacional para ficar apenas na função constitucional.
Quando provocado sobre a composição da chapa de 2026 e sobre a conversa de bastidor de que o MDB poderia ocupar a vaga, não deu abertura para outras interpretações. “Tudo tem seu tempo.” Tergiversou. Não negou, não confirmou. Apenas deixou claro que essa discussão está viva.
O presidente Lula diz que tem uma missão para o atual vice: só que em São Paulo, onde o médico ainda detém forte ativo político. No bastidor profundo, o petista empurra Alckmin para sua origem e abre espaço para o MDB. Percebendo o terreno político escorregadio, Geraldo fez o movimento que costuma fazer. Levou o debate para onde se sente mais confortável. A economia.
“Eleição nacional é muito economia”, repetiu, como quem recita um mantra. Em seguida, emendou uma sequência de números. Desemprego de 5,1%. Inflação de 4,26% em 2025. Queda no grupo alimentação. Nova faixa do Imposto de Renda com isenção até R$ 5 mil. Injeção de R$ 28 bilhões na economia.
Domingos Ketelbey
É repórter, colunista e apresentador. Conecta os bastidores do poder, cultura e cotidiano na cobertura jornalística
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