
Fora da base governista, Calil relata promessa não cumprida, fala em decepção e busca novo palanque para 2026
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O deputado federal Zacharias Calil confirmou que vai deixar o União Brasil, declarou-se fora da base do governador Ronaldo Caiado e afirmou que o Senado é seu foco definitivo em 2026. As declarações foram dadas em entrevista ao Domingos Conversa, programa apresentado pelo jornalista Domingos Ketelbey, exibido nesta segunda-feira (9) na TV Capital e nas principais plataformas de podcast.
Sem rodeios, Calil afirmou que a decisão de disputar o Senado já está tomada e que não pretende voltar atrás. “Meu foco principal é o Senado. Eu não vou à reeleição para deputado federal. Eu decidi ir ao Senado”, disse.
Conversa com Caiado e falta de espaço
Ao detalhar os bastidores da relação com o governador Ronaldo Caiado, Calil relatou uma conversa recente que, segundo ele, deixou claro que não há espaço para sua candidatura dentro da base governista. “Eu tive uma conversa com o governador e não foi me oferecida nenhuma opção. Fui lá, agradeci, porque ele me trouxe para a política, realizamos um sonho, que foi a construção do Hospital Estadual da Criança e do Adolescente. Mas hoje eu não tenho espaço”, afirmou.
Segundo o deputado, a definição das candidaturas ao Senado já está encaminhada dentro do grupo político do governador. “Ele foi muito claro comigo. O candidato ao governo é o Daniel Vilela. A Gracinha é a candidata ao Senado e o Gustavo Gayer também. Diante disso, qual o motivo de eu continuar na base?”, questionou.
Calil disse que, naquele momento, se sentiu formalmente fora do arranjo político. “Eu me senti totalmente fora da base aliada. Não sou eu que estou dizendo isso, os jornais também estão dizendo”, completou.
Promessa feita em 2022 e frustração
Durante a entrevista, o deputado afirmou que houve uma promessa em 2022 para que ele abrisse mão da disputa ao Senado naquele ano e buscasse a reeleição à Câmara, com perspectiva de disputar a vaga majoritária no ciclo seguinte. “Na minha cabeça houve um acordo. Houve promessa”, disse.
Ele relembrou o contexto da época, quando seu nome começou a crescer nas pesquisas. “Eu saí de 4% e cheguei a 15% em 15 dias. Eu tinha o menor índice de rejeição. Falei isso. Mas me disseram que, na próxima eleição, com duas vagas, eu poderia sair candidato”, relatou.
Para Calil, o fato de esse cenário não ter se concretizado gerou decepção, ainda que ele evite falar em ressentimento. “Eu fiquei decepcionado. Não tenho mágoa do governador. Ele tem os compromissos dele. Mas eu acho que era uma oportunidade que eu poderia ter no União Brasil”, afirmou.
Decisão tomada e necessidade de palanque
Calil foi categórico ao dizer que, para disputar o Senado, precisa estar vinculado a um projeto ao governo do Estado. “Para eu disputar o Senado, eu preciso sair com um candidato ao governo. Se eu não tiver palanque, não há chance. Contra máquina, contra todo mundo”, disse.
Segundo ele, a decisão já está tomada. “Eu sou cirurgião. Quando eu tenho que tomar uma decisão, eu tomo. Sou pré-candidato ao Senado. Fim de papo”, afirmou.
Diálogos com partidos e novos caminhos
O deputado confirmou conversas com diferentes forças políticas e admitiu que avalia novos caminhos fora do União Brasil. Ele citou diálogos com lideranças do PL, do PSDB, do Podemos, da federação PRD-Solidariedade e do Novo.
Sobre o PSDB, Calil confirmou convite direto do ex-governador Marconi Perillo. “Isso é real. O Marconi me chamou e disse que o partido está à disposição para lançar a minha pré-candidatura ao Senado”, afirmou.
Ele também confirmou convite feito pelo presidente da Assembleia Legislativa, Bruno Peixoto. “Ele me convidou para ir para a federação. Disse que a vaga estava aberta”, relatou.
Apesar dos convites, Calil pondera que a definição passa necessariamente pela construção de um palanque estadual. “Hoje, realisticamente, sobraram dois caminhos: PL e PSDB. Ainda tem o União Brasil, mas eu não sei como isso vai evoluir”, disse.
Relação com Daniel Vilela
Calil afirmou que teve poucas conversas com o vice-governador Daniel Vilela e que, recentemente, ouviu dele que seria preciso buscar uma solução. “Ele me disse: temos que achar uma solução. Mas a solução não é o que eu quero”, afirmou.
Senado, STF e posições nacionais
Além do cenário estadual, o deputado também falou sobre temas nacionais. Calil fez críticas duras ao Supremo Tribunal Federal e afirmou que, se eleito senador, atuaria para exercer as prerrogativas da Casa. “O Supremo hoje está politizado. O Senado precisa cumprir o seu papel”, disse.
Ele afirmou que não vê impedimento em discutir impeachment de ministros. “Claro que trabalharia por impeachment. Eles não são imunes”, declarou.
Calil também defendeu anistia e falou sobre a situação de Jair Bolsonaro. “Anistia? Sim, claro. Por que não? Eu sou médico. Existe um lado humano que precisa ser considerado”, afirmou.
Apoio a Caiado na disputa presidencial
Apesar da ruptura no plano estadual, Calil afirmou que apoiaria Ronaldo Caiado em uma eventual candidatura à Presidência da República. “Sem dúvida. É um candidato de Goiás, o governador mais bem avaliado do Brasil. Não tem como não apoiar”, disse.
Ele reforçou que a divergência é política, não pessoal. “Eu não tenho mágoa. Tenho decepção, mas a política é assim. Cada um tem seus compromissos”, concluiu.
Episódio no ar
A entrevista completa com Zacharias Calil está disponível no Domingos Conversa #21, exibido na TV Capital e nas principais plataformas de podcast.

Domingos Ketelbey
É repórter, colunista e apresentador. Conecta os bastidores do poder, cultura e cotidiano na cobertura jornalística
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