Grupo técnico vai analisar laudo estrutural de obra parada desde 2024 e que já consumiu R$ 20 milhões dos cofres municipais
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Cidades
O prefeito de Goiânia, Sandro Mabel (UB), reuniu nesta sexta-feira (7/8) representantes do Conselho Regional de Engenharia e Agronomia de Goiás (CREA-GO), do Tribunal de Contas dos Municípios (TCM-GO) e de entidades de engenharia para definir o que será feito com o viaduto da Avenida Leste-Oeste com a Avenida Castelo Branco. O grupo vai analisar o laudo estrutural da obra, iniciada em 2023 e paralisada em julho de 2024, e apontar se a estrutura pode ser recuperada ou se terá de vir abaixo.
Na manhã do mesmo dia, a Prefeitura liberou o tráfego na primeira pista lateral do complexo viário, no sentido Centro-Bairro. A segunda pista lateral está prevista para ficar pronta em até 60 dias.
A mesa técnica reúne conselheiros especialistas em engenharia estrutural do CREA-GO, técnicos da Secretaria Municipal de Infraestrutura Urbana (Seinfra) e do TCM-GO, além do Instituto Brasileiro de Avaliações e Perícias de Engenharia de Goiás (Ibape-GO). A tarefa é examinar o diagnóstico feito por empresa contratada e emitir uma recomendação técnica ao município.
Mabel afirmou que a intenção é concluir o viaduto sem jogar fora o que já foi gasto. "Estamos falando de uma obra que já consumiu cerca de R$ 20 milhões em dinheiro público. Nosso compromisso é encontrar a solução mais técnica, mais segura e mais econômica possível. A demolição será a última alternativa", disse.
O desenho da mesa tem uma leitura política evidente. Ao chamar o TCM-GO antes de decidir, e não depois, a gestão transfere para um colegiado técnico e para o próprio órgão de controle o ônus de uma escolha que pode custar dezenas de milhões. Se a recomendação for demolir, a conta virá acompanhada de aval externo. Se for recuperar, a Prefeitura terá respaldo para responder a eventual questionamento futuro.
O presidente do CREA-GO, Lamartine Moreira, disse que o conselho vai colocar seus especialistas à disposição da Prefeitura. "Vamos reunir nossos conselheiros, juntamente com técnicos do Tribunal de Contas e da Prefeitura, para estudar detalhadamente o laudo e orientar a administração municipal sobre a alternativa mais adequada", afirmou.
Presidente do TCM-GO, Joaquim de Castro tratou a participação do tribunal como acompanhamento do processo, e não como validação prévia de qualquer alternativa. Segundo ele, o papel da corte é contribuir para que os recursos sejam aplicados observando "os princípios da eficiência, da economicidade e da segurança".
Durante a reunião, integrantes do CREA-GO informaram que os estudos preliminares indicam que a subestrutura e a mesoestrutura do viaduto, ou seja, fundações e pilares, têm condições de aproveitamento. A avaliação agora se concentra na superestrutura e nos elementos que apresentaram inconformidades. Na prática, o cenário que se desenha é o de recuperação parcial, com demolição restrita ao que estiver comprometido.
Também participaram o presidente do Ibape-GO, Henrique Toledo, e o titular da Seinfra, Francisco Lacerda.
Enquanto a decisão estrutural não sai, a Prefeitura concentra os trabalhos nas pistas laterais. O secretário municipal de Engenharia de Trânsito, Tarcísio Abreu, disse que a obra foi dividida em quatro etapas: remanejamento da galeria pluvial, terraplenagem, pavimentação e sinalização semafórica. "O cronograma está sendo cumprido e, ao final, as quatro vias de mão dupla proporcionarão maior fluidez ao trânsito", afirmou.
Os próximos marcos são a entrega da segunda pista lateral, em até 60 dias, e a recomendação técnica do grupo de trabalho sobre a estrutura principal. Só depois disso a gestão terá como anunciar prazo e custo para concluir uma obra que está parada há dois anos em um dos principais corredores da capital.

Domingos Ketelbey
É repórter, colunista e apresentador. Conecta os bastidores do poder, cultura e cotidiano na cobertura jornalística
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