Ex-deputado ocupava o cargo de escrivão da PF e não retornou às atividades após perder o mandato na Câmara dos Deputados
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Política
O Ministério da Justiça e Segurança Pública oficializou nesta segunda-feira (21) a demissão de Eduardo Bolsonaro do cargo de escrivão da Polícia Federal (PF) por abandono de cargo.
A decisão foi publicada no Diário Oficial da União e tem como base um processo administrativo disciplinar que concluiu que Eduardo acumulou faltas injustificadas por mais de 30 dias consecutivos. A penalidade foi aplicada com fundamento na Lei nº 15.047, de 2024.
Eduardo integrava o quadro de servidores da Polícia Federal e estava afastado das funções para exercer mandato eletivo como deputado federal.
PF havia determinado retorno ao trabalho
Eduardo Bolsonaro deixou o Brasil em março de 2025 para morar nos Estados Unidos. Em dezembro do mesmo ano, teve o mandato de deputado federal cassado por ausência em sessões deliberativas da Câmara.
Depois da perda do mandato parlamentar, a Polícia Federal declarou encerrado o afastamento concedido para o exercício do cargo eletivo e determinou que Eduardo retornasse às atividades como escrivão.
Segundo a Agência Brasil, a determinação teve efeitos retroativos a 19 de dezembro de 2025. O ex-deputado, no entanto, não retornou ao trabalho.
A ausência passou a ser analisada em processo administrativo disciplinar. A conclusão pela demissão já havia ocorrido anteriormente, e a medida foi formalizada pelo Ministério da Justiça com a publicação no Diário Oficial desta segunda-feira.
Condenação no STF
A demissão ocorre também após Eduardo Bolsonaro ser condenado pela Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF), em setembro, a quatro anos e dois meses de prisão, em regime semiaberto, pelo crime de coação no curso do processo.
Na última sexta-feira (18), a Primeira Turma rejeitou por unanimidade um recurso apresentado pelo ex-deputado. O placar foi de quatro votos a zero. Na mesma decisão, o colegiado determinou a inelegibilidade de Eduardo por oito anos e a perda do cargo de escrivão da PF.
Segundo o entendimento acolhido pelo STF, a partir da acusação apresentada pela Procuradoria-Geral da República (PGR), Eduardo atuou nos Estados Unidos para estimular medidas e sanções contra o Brasil com o objetivo de pressionar instituições brasileiras e influenciar o processo relacionado ao ex-presidente Jair Bolsonaro.

Domingos Ketelbey
É repórter, colunista e apresentador. Conecta os bastidores do poder, cultura e cotidiano na cobertura jornalística.
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