Ex-governador critica condução das prévias de 2021 e avalia que legenda se afastou das referências que a identificavam com o eleitor
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Política
O ex-governador de Goiás José Eliton afirmou que a passagem de João Doria pelo PSDB contribuiu para a perda de identidade política do partido. Em entrevista ao Domingos Conversa, apresentado pelo jornalista Domingos Ketelbey, nesta terça-feira (3), ele criticou a mudança de perfil da sigla e a condução das prévias presidenciais de 2021.
“Eu acho que o João Doria fez um mal terrível ao PSDB. Ele deixou, naquele momento, de ser um partido que tinha uma cara. E passou a ser partido que tinha uma imagem empresarial, o que não foi bom para o partido”, afirmou.
Para Eliton, o processo que escolheu Doria como candidato à Presidência, mas terminou sem que ele disputasse a eleição, expôs a desorganização tucana. O ex-governador classificou como desastrosa a forma como a disputa interna foi conduzida.
“O processo de prévias naquela eleição em 2021 foi desastroso para o PSDB da forma como foi conduzido, que o João Doria ganha a prévia e acaba nem saindo candidato a presidente”, disse.
A avaliação foi feita quando Eliton era questionado sobre o futuro da legenda. Sem filiação partidária, o ex-governador sustentou que o problema do PSDB vai além do desempenho nas urnas: o eleitor deixou de reconhecer com clareza quais ideias o partido representa.
Das referências políticas à perda de identidade
Eliton contrapôs a passagem de Doria às trajetórias de Fernando Henrique Cardoso, José Serra e Geraldo Alckmin. Na avaliação dele, essas lideranças estavam associadas a políticas públicas que davam conteúdo à identidade tucana.
Ao citar Fernando Henrique, destacou a estabilização econômica e a responsabilidade fiscal. Sobre Serra, mencionou a atuação na saúde e a política de medicamentos genéricos. Em relação a Alckmin, apontou a estabilidade fiscal e o perfil administrativo.
“Quando você olhava para Fernando Henrique Cardoso, um intelectual que estabilizou a economia, que fez as agências reguladoras, criou a Lei de Responsabilidade Fiscal, você enxergava uma visão”, afirmou.
Segundo Eliton, essa identificação se enfraqueceu nos anos seguintes. Ele defendeu que o partido recupere suas referências social-democratas, ainda que venha a passar por mudanças na estrutura partidária.
“Me parece que o PSDB, ao longo dos anos, acabou por se perder. Agora, isso não impede que ele reencontre o caminho com suas raízes”, disse.
Crítica também alcança escolhas de Marconi
O diagnóstico nacional se conecta à avaliação que Eliton fez sobre a campanha de Marconi Perillo em Goiás. Embora tenha declarado voto no antigo aliado em 2026, o ex-governador afirmou que o tucano cometeu equívocos ao se afastar das raízes do PSDB e não construir uma aliança com forças de centro-esquerda.
“Eu acho que talvez o maior dos equívocos que ele tenha cometido foi justamente se distanciar das raízes de fundação do PSDB”, afirmou.
Eliton citou Henrique Santillo como referência progressista do grupo que chegou ao governo com Marconi. Para ele, o afastamento dessa tradição dificultou a identificação de parte do eleitorado com a candidatura.
Questionado sobre uma possível composição de Marconi com o PT, revelou que aconselhou o ex-governador a seguir esse caminho. “Eu defendi isso para ele em diversos momentos.”

Domingos Ketelbey
É repórter, colunista e apresentador. Conecta os bastidores do poder, cultura e cotidiano na cobertura jornalística.
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