Clima interno no partido esquentou, especialmente após o nome do produtor rural Flávio Faedo ter surgido nos bastidores da legenda (Foto: Reprodução)

Clima interno no partido esquentou, especialmente após o nome do produtor rural Flávio Faedo ter surgido nos bastidores da legenda (Foto: Reprodução)

Clima interno no partido esquentou, especialmente após o nome do produtor rural Flávio Faedo ter surgido nos bastidores da legenda (Foto: Reprodução)

Clima interno no partido esquentou, especialmente após o nome do produtor rural Flávio Faedo ter surgido nos bastidores da legenda (Foto: Reprodução)

Indefinição da cúpula sobre candidato ao governo irrita militância do PT em Goiás

Indefinição da cúpula sobre candidato ao governo irrita militância do PT em Goiás

Após convite a Flávio Faedo, militantes cobram decisão, criticam prazo de 15 dias e defendem alternativas como Adriana Accorsi e Valério Luiz

·

Política

Após convite a Flávio Faedo, militantes cobram decisão, criticam prazo de 15 dias e defendem alternativas como Adriana Accorsi e Valério Luiz

A indefinição do PT sobre a candidatura ao Governo de Goiás em 2026 deixou de ser apenas assunto da direção estadual e passou a circular com cobrança aberta entre militantes. Depois da publicação da entrevista em que o produtor rural Flávio Faedo confirmou convite da legenda e disse que decidirá em até “10 ou 15 dias” se aceita disputar o Palácio das Esmeraldas, integrantes do partido passaram a cobrar uma definição mais rápida.

Registros de conversa em um grupo de petistas, aos quais o Blog do DK teve acesso, mostram incômodo com o prazo pedido por Faedo. “15 dias affff”, escreveu um militante. Em seguida, outro integrante completou: “Se brincar o PDT e o PSOL lança o candidato do Lula em Goiás antes de nós. Francamente”.

A cobrança ocorre no mesmo momento em que o jornalista Cláudio Curado, até então pré-candidato ao governo pelo PT, retirou o nome da disputa interna e passou a defender a deputada federal Adriana Accorsi como candidata da legenda. Curado também sugeriu que a deputada estadual Bia de Lima mude o foco para Brasília e dispute uma cadeira na Câmara dos Deputados.

No grupo, a avaliação de que o PT perdeu tempo apareceu em diferentes mensagens. “Estamos à deriva, companheiro”, escreveu um participante. Outro questionou o risco de o partido esperar por Faedo e, depois, ficar sem alternativa. “Provavelmente o Faedo daqui 15 dias vai dizer não. Já imaginou se os companheiros Valério Luiz e Luis César Bueno também dizer que não quer mais. E aí como ficará?”, perguntou.

A fala toca no ponto central do desgaste. O PT vinha mantendo em banho-maria nomes como Cláudio Curado, Valério Luiz Filho e Luis César Bueno, mas passou a mirar em Faedo como tentativa de reduzir a resistência da esquerda junto ao agronegócio. A operação pode ter lógica eleitoral, mas abriu ruído entre militantes que cobram tempo de rua, mobilização e candidatura já posta.

Defesa por Valério ou Adriana

Parte do grupo defendeu Valério Luiz como alternativa. Uma integrante afirmou que o partido precisa de “sangue jovem” e de alguém capaz de animar a militância jovem. Outro participante saiu em defesa do advogado: “Ele mostra disposição e é preparado pra fazer o PT de Goiás voltar a brilhar sua estrela”.

Outra ala passou a defender Adriana Accorsi. “É Lula presidente e Adriana Accorsi governadora de Goiás”, escreveu um militante. Ele também cobrou uma postura mais afirmativa do partido. “Vamos para guerra de igual para igual. Não vamos baixar a cabeça”, afirmou.

A candidatura de Adriana, no entanto, divide a militância. Há quem veja a deputada federal como o nome mais competitivo do PT para o governo, mas também quem avalie que tirá-la da disputa proporcional pode prejudicar a chapa de deputados federais. Um participante resumiu a preocupação: “A chapa majoritária já está prejudicada eleitoralmente, e querem ainda prejudicar a chapa proporcional de deputados federais retirando Adriana Accorsi”.

Até sugestão por aliança com Daniel VIlela

O debate também passou por uma eventual composição com o governador Daniel Vilela. Um dos integrantes sugeriu Marina Sant’Anna, militante histórica do PT, como vice em uma chapa com Daniel, sob o argumento de que a composição poderia ajudar o partido a eleger mais nomes e ocupar espaços em um eventual governo. A ideia foi rebatida por outro participante: “O Caiado não aceita aproximação nenhuma do Daniel Vilela com o PT, simples assim”.

A cobrança mais recorrente, porém, foi sobre calendário. “Era para ser dia 20.05.2026 a decisão para definir o nosso pré-candidato, agora teve que prorrogar?”, questionou um integrante. Em outra mensagem, ele afirmou que o partido está “adormecido” e lembrou a dificuldade de percorrer o estado em pouco tempo. “O estado é grande e nossa estrutura é pequena, teria que estar fazendo a nossa pré-campanha há muito tempo.”

Uma professora também comparou Goiás a outras unidades da federação. “O DF já lançou suas pré-candidaturas majoritárias e proporcionais. Estive lá. Foi lindo e estimulador”, escreveu. Em seguida, completou: “A militância está doida para ir para as ruas, mas estamos ‘amarrados’”.

Nos registros, Curado voltou a defender que o tempo favorece apenas um nome já conhecido. Segundo ele, se o partido esperar os 15 dias pedidos por Faedo, estará a cerca de 120 dias da eleição. “Não dá para sair do zero, ele é desconhecido no partido e no estado, e achar que vai a algum lugar”, escreveu. Para Curado, a opção mais segura seria Adriana, por já pontuar em pesquisas e ter recall junto ao eleitorado petista.

Image

Domingos Ketelbey

É repórter, colunista e apresentador. Conecta os bastidores do poder, cultura e cotidiano na cobertura jornalística

Continue a leitura

Carlos Lupi, presidente nacional do PDT