Duda Beat é uma das atrações do Goiania Noise

Duda Beat é uma das atrações do Goiania Noise

Duda Beat é uma das atrações do Goiania Noise

Duda Beat é uma das atrações do Goiania Noise

Goiânia Noise 31 ocupa o Oscar Niemeyer e reforça cidade como trincheira da música independente

Goiânia Noise 31 ocupa o Oscar Niemeyer e reforça cidade como trincheira da música independente

Festival reúne 44 shows gratuitos, mistura gerações e coloca a cena local no centro do palco

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Cultura

Goiânia vai voltar a fazer barulho. Muito barulho. De 7 a 10 de maio, o Centro Cultural Oscar Niemeyer recebe a 31ª edição do Goiânia Noise Festival, com uma programação que atravessa o mapa da música brasileira sem pedir licença. São 44 shows em dois palcos, com entrada gratuita mediante doação de alimento, num desenho que combina nomes consagrados, artistas em circulação nacional e a insistente vitalidade da cena goiana.

A lógica do festival segue a mesma há três décadas, mas com atualização de repertório. Duda Beat abre os trabalhos com sua estética pop de intensidade calculada, enquanto FBC leva ao palco um rap que dialoga com rock e tensiona o discurso social. Não é só uma questão de estilos. É uma disputa de narrativas em forma de show.

No meio do caminho, surge Tom Zé. Aos 90 anos, ele não celebra. Provoca. Sua presença desloca o festival do terreno da programação para o da história viva, lembrando que a música brasileira sempre foi menos confortável do que parece. Já Fernanda Abreu faz o percurso inverso: revisita o passado para manter o corpo em movimento, com um repertório que ajudou a moldar o pop urbano nacional.

O fechamento aponta para outro tipo de reverência. Los Sebosos Postizos assumem o clássico A Tábua de Esmeralda, de Jorge Ben Jor, e o devolvem ao público com sotaque de manguebeat, dub e ska. Não é tributo protocolar. É releitura com ambição de permanência.

O restante da programação segue sem concessões. Josyara traz a delicadeza tensa de seu repertório autoral, os gaúchos do Cachorro Grande aposta num rock direto sem muita firula, Dead Fish mantém o hardcore sem filtro, enquanto Ras Bernardo carrega o peso histórico do reggae nacional. Há ainda espaço para o ruído do Montage, a agressividade do Matanza Inc, o metal do Violator e o punk britânico do Varukers.

Mas o Noise nunca foi só sobre quem vem de fora. A espinha dorsal continua local. São 21 atrações goianas, entre nomes já testados e apostas que ainda circulam fora do radar. Salma Jô, Black Drawing Chalks, Hellbenders e Sheena Ye ajudam a sustentar a tese de que Goiânia não apenas consome música independente. Produz, exporta e disputa espaço. Que venha maio.

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Domingos Ketelbey

É repórter, colunista e apresentador. Conecta os bastidores do poder, cultura e cotidiano na cobertura jornalística

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Henry Almeida