Entidade quer usar tecnologia para rastreabilidade, validação documental e comprovação de origem em operações de comércio exterior
·
Economia
A ACIEG quer transformar a agenda de exportação das empresas goianas em um tema também de infraestrutura digital. A entidade anunciou, durante a FICOMEX 2026, em Portugal, a estruturação de um ecossistema de aplicações empresariais baseadas em blockchain para atender exigências de rastreabilidade, validação de informações e segurança em operações de comércio exterior.
O anúncio foi feito pelo presidente da ACIEG e da Faciest, Rubens Fileti, na primeira edição internacional da feira, realizada em Lisboa até 1º de junho. A iniciativa coloca a entidade no debate sobre um ponto que deixou de ser periférico para quem pretende vender ao exterior: a capacidade de provar origem, regularidade e conformidade dos produtos.
Segundo a ACIEG, o projeto torna a entidade a primeira organização empresarial do país preparada tecnologicamente para operar esse tipo de solução voltada a exportação e importação. A estrutura integra aplicações desenvolvidas no contexto da Rede Blockchain Brasil, rede público-permissionada criada pelo BNDES e pelo Tribunal de Contas da União para soluções institucionais com blockchain.
A tecnologia funciona como uma base digital compartilhada, com registros verificáveis. Na prática, pode ser usada para rastrear commodities, validar documentos, emitir certificações digitais verificáveis, comprovar origem de produtos e organizar uma arquitetura de confiança aplicada ao comércio internacional.
“A transformação digital do comércio internacional passa pela confiança nas informações. A blockchain se consolida como uma infraestrutura estratégica para garantir transparência, rastreabilidade e segurança nas relações comerciais globais”, afirma Rubens Fileti.
A aposta mira um ambiente regulatório cada vez mais exigente. Empresas que exportam ou pretendem exportar terão de lidar com regras de compliance, origem e rastreabilidade, especialmente em mercados como o europeu. Um dos pontos citados pela entidade é o Regulamento Europeu Anti-Desmatamento, o EUDR, que pressiona cadeias produtivas ligadas a commodities e produtos com risco ambiental.
O movimento tem peso para Goiás porque o estado combina força agroindustrial, vocação exportadora e dependência crescente de comprovação técnica nas cadeias de produção. Nesse cenário, a discussão deixa de ser apenas tecnológica. Passa a ser também uma disputa por competitividade.
A novidade foi detalhada no segundo dia da FICOMEX pelo head de Inovação da ACIEG, Renan Santana, durante a apresentação “Conectando estratégia, tecnologia e inovação para geração de valor e crescimento internacional”. A proposta é usar a tecnologia como instrumento de adaptação das empresas brasileiras às novas exigências do comércio global.
A ACIEG já realizou reunião técnica com a governança da Rede Blockchain Brasil e está em processo de aprovação institucional para adesão na modalidade de participante associado. Essa etapa ainda precisa ser concluída para consolidar formalmente a entrada da entidade na rede.
Além do desenvolvimento das aplicações, o projeto busca conectar associações comerciais, federações empresariais e entidades produtivas de diferentes estados. A ideia é criar um ambiente colaborativo para inovação aplicada aos negócios, com foco em comércio exterior, documentação, rastreabilidade e segurança de dados.

Domingos Ketelbey
É repórter, colunista e apresentador. Conecta os bastidores do poder, cultura e cotidiano na cobertura jornalística
Continue a leitura








