Foto: Áureo Rosa/Divulgação

Foto: Áureo Rosa/Divulgação

Foto: Áureo Rosa/Divulgação

Foto: Áureo Rosa/Divulgação

DOMINGOS CONVERSA #41: RESISTÊNCIA, RUA 8 E O CENTRO DE GOIÂNIA NUMA ENCRUZILHADA

DOMINGOS CONVERSA #41: RESISTÊNCIA, RUA 8 E O CENTRO DE GOIÂNIA NUMA ENCRUZILHADA

Áureo Rosa afirma que retomada da Rua 8 depende de presença concreta da Prefeitura, segurança, fiscalização e organização da vida noturna

·

Domingos Conversa

Podcast

Escute na Apple:

Podcast

Veja e escute no Spotify:

Podcast

https://open.spotify.com/show/1mau1iwJP3hQnwtuNaQyZy

Veja e escute no YouTube:

Podcast

O empresário Áureo Rosa, proprietário do Zé Latinhas, avalia que o Centro de Goiânia vive um momento decisivo. Em entrevista ao Domingos Conversa, gravada na Rua 8, ele afirmou que a retomada da região já começou pela ocupação noturna, mas ainda depende de ações concretas do poder público para não ficar restrita ao discurso da revitalização.

A gente está numa encruzilhada mesmo”, disse Áureo. “A gente vai olhar no futuro e falar: se nesse período tivesse um abraço da Prefeitura, a história seria diferente.”

Arquiteto e urbanista, Áureo é terceira geração da família à frente do Zé Latinhas, casa fundada em 1967 e considerada uma das mais antigas em funcionamento na capital. Antes de assumir o bar, ele pesquisou a decadência do Centro e as formas de ocupação noturna do espaço público. Hoje, além do Zé Latinhas, também é um dos nomes por trás do Maria Garrafinhas, na Rua do Lazer.

Na entrevista, Áureo afirma que o Centro passou décadas preso a promessas de revitalização. Para ele, a diferença do momento atual é que há uma retomada em curso, puxada por bares, comerciantes e frequentadores. “A solução está posta, está feita. O prefeito precisa, de fato, falar: o que eu preciso para que vocês continuem ali daquela forma?”, afirmou.

Segundo o empresário, depois da reabertura e fortalecimento do Zé Latinhas, a região passou a atrair novos estabelecimentos. Ele estima que hoje existam cerca de 15 bares no entorno, com potencial para novos negócios em ruas próximas. O risco, segundo ele, é a falta de governança afastar quem poderia investir no Centro.

Áureo cobra presença permanente da Prefeitura na Rua 8 e na Rua do Lazer. A lista inclui fiscalização, limpeza, ordenamento de ambulantes, combate à venda irregular de bebidas, apoio da Guarda Civil Metropolitana, diálogo com a Polícia Militar, controle de horários, banheiros e protocolos mínimos para atendimento ao público.

“Não é só fechar a rua. A gente precisa ter uma presença da Prefeitura aqui”, afirmou. Para ele, o Centro precisa ser tratado como área turística e de convivência, não apenas como ponto de fiscalização eventual.

O dono do Zé Latinhas também criticou a ausência de ações básicas de ordenamento. Ele citou o funcionamento de distribuidoras até a madrugada, ambulantes com som alto, venda irregular de bebida e falta de estrutura para os frequentadores. “Quem tem autorização, quem é organizado e quem tem essa noção de cidadania acaba ficando no mesmo ambiente de quem não tem”, disse.

Na avaliação de Áureo, a gestão do ex-prefeito Rogério Cruz foi marcada por dificuldade de diálogo com os empresários da região. Ele relata que o Zé Latinhas sofreu “umas dez tentativas de fechamento” naquele período. Em uma reunião com secretários, chegou a dizer que o bar não acabaria. “Vocês vão fechar o Zé se vocês me matarem antes”, afirmou.

O empresário diz ver maior abertura na gestão do prefeito Sandro Mabel, mas ressalta que diálogo ainda não basta. “Com ele a gente tem mais abertura. Só que abertura não é suficiente. Falta agora uma ação concreta para, de fato, a coisa deslanchar.”

Áureo também aponta que o Centro se tornou ativo político. Segundo ele, a região, que antes tinha pouca influência eleitoral, passou a ajudar na eleição de vereadores e virou pauta permanente da Câmara Municipal. Ele cita a atuação da vereadora Kátia Maria (PT), que levou seu escritório político para a Rua do Lazer, e da vereadora Aava Santiago (PSB), autora de projeto relacionado ao fechamento da rua.

Para o empresário, o futuro do Centro depende de uma decisão política. Ou a Prefeitura assume a região como prioridade urbana, turística e cultural, ou o movimento pode perder força. “Já acabou outras vezes”, alertou.

Image

Domingos Ketelbey

É repórter, colunista e apresentador. Conecta os bastidores do poder, cultura e cotidiano na cobertura jornalística

Continue a leitura

Carlos Lupi, presidente nacional do PDT