
Áureo Rosa afirma que retomada da Rua 8 depende de presença concreta da Prefeitura, segurança, fiscalização e organização da vida noturna
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O empresário Áureo Rosa, proprietário do Zé Latinhas, avalia que o Centro de Goiânia vive um momento decisivo. Em entrevista ao Domingos Conversa, gravada na Rua 8, ele afirmou que a retomada da região já começou pela ocupação noturna, mas ainda depende de ações concretas do poder público para não ficar restrita ao discurso da revitalização.
“A gente está numa encruzilhada mesmo”, disse Áureo. “A gente vai olhar no futuro e falar: se nesse período tivesse um abraço da Prefeitura, a história seria diferente.”
Arquiteto e urbanista, Áureo é terceira geração da família à frente do Zé Latinhas, casa fundada em 1967 e considerada uma das mais antigas em funcionamento na capital. Antes de assumir o bar, ele pesquisou a decadência do Centro e as formas de ocupação noturna do espaço público. Hoje, além do Zé Latinhas, também é um dos nomes por trás do Maria Garrafinhas, na Rua do Lazer.
Na entrevista, Áureo afirma que o Centro passou décadas preso a promessas de revitalização. Para ele, a diferença do momento atual é que há uma retomada em curso, puxada por bares, comerciantes e frequentadores. “A solução está posta, está feita. O prefeito precisa, de fato, falar: o que eu preciso para que vocês continuem ali daquela forma?”, afirmou.
Segundo o empresário, depois da reabertura e fortalecimento do Zé Latinhas, a região passou a atrair novos estabelecimentos. Ele estima que hoje existam cerca de 15 bares no entorno, com potencial para novos negócios em ruas próximas. O risco, segundo ele, é a falta de governança afastar quem poderia investir no Centro.
Áureo cobra presença permanente da Prefeitura na Rua 8 e na Rua do Lazer. A lista inclui fiscalização, limpeza, ordenamento de ambulantes, combate à venda irregular de bebidas, apoio da Guarda Civil Metropolitana, diálogo com a Polícia Militar, controle de horários, banheiros e protocolos mínimos para atendimento ao público.
“Não é só fechar a rua. A gente precisa ter uma presença da Prefeitura aqui”, afirmou. Para ele, o Centro precisa ser tratado como área turística e de convivência, não apenas como ponto de fiscalização eventual.
O dono do Zé Latinhas também criticou a ausência de ações básicas de ordenamento. Ele citou o funcionamento de distribuidoras até a madrugada, ambulantes com som alto, venda irregular de bebida e falta de estrutura para os frequentadores. “Quem tem autorização, quem é organizado e quem tem essa noção de cidadania acaba ficando no mesmo ambiente de quem não tem”, disse.
Na avaliação de Áureo, a gestão do ex-prefeito Rogério Cruz foi marcada por dificuldade de diálogo com os empresários da região. Ele relata que o Zé Latinhas sofreu “umas dez tentativas de fechamento” naquele período. Em uma reunião com secretários, chegou a dizer que o bar não acabaria. “Vocês vão fechar o Zé se vocês me matarem antes”, afirmou.
O empresário diz ver maior abertura na gestão do prefeito Sandro Mabel, mas ressalta que diálogo ainda não basta. “Com ele a gente tem mais abertura. Só que abertura não é suficiente. Falta agora uma ação concreta para, de fato, a coisa deslanchar.”
Áureo também aponta que o Centro se tornou ativo político. Segundo ele, a região, que antes tinha pouca influência eleitoral, passou a ajudar na eleição de vereadores e virou pauta permanente da Câmara Municipal. Ele cita a atuação da vereadora Kátia Maria (PT), que levou seu escritório político para a Rua do Lazer, e da vereadora Aava Santiago (PSB), autora de projeto relacionado ao fechamento da rua.
Para o empresário, o futuro do Centro depende de uma decisão política. Ou a Prefeitura assume a região como prioridade urbana, turística e cultural, ou o movimento pode perder força. “Já acabou outras vezes”, alertou.

Domingos Ketelbey
É repórter, colunista e apresentador. Conecta os bastidores do poder, cultura e cotidiano na cobertura jornalística
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