Ex-deputado afirma que não se arrepende do parecer e diz que episódio lhe custou votos em 2018
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Política
Dez anos depois de relatar na Câmara dos Deputados o processo de impeachment de Dilma Rousseff, Jovair Arantes afirmou nesta segunda-feira (25), que não mudaria a posição adotada em 2016.
Em entrevista ao Domingos Conversa, o ex-deputado federal disse que apresentaria novamente o mesmo relatório favorável ao prosseguimento do processo contra a então presidente. “Eu faria o mesmo relatório hoje, sem nenhuma dúvida”, afirmou.
Jovair sustentou que, naquele momento, havia uma pressão social ampla pela abertura do processo e que o Congresso respondeu a uma mobilização que havia tomado as ruas do país. “O Brasil queria, o Brasil ansiava por aquilo. E nós fizemos o trabalho junto com toda a Câmara Federal e o Brasil dando apoio total”, disse ao jornalista Domingos Ketelbey.
Custo eleitoral
O ex-deputado também relacionou sua atuação no impeachment à derrota que sofreu nas eleições de 2018.
Segundo Jovair, parte do eleitorado de esquerda que tradicionalmente votava nele deixou de apoiá-lo depois do processo contra Dilma. “Eu tinha aí uns 15, 20 mil votos da esquerda em Goiás, e esses votos não vieram, e eu perdi a eleição por mil e poucos votos”, afirmou.
Ainda assim, disse que não se arrepende da decisão. “A obrigação do homem público é fazer o que tem que fazer. Não interessa se vai ser para ganhar voto ou se vai ser para perder voto”, declarou.
Decisões posteriores
Durante a entrevista, Jovair também foi questionado sobre decisões judiciais posteriores relacionadas às chamadas pedaladas fiscais e sobre a interpretação de que elas teriam enfraquecido a base política do impeachment.
O ex-deputado afirmou que o relatório produzido à época estava fundamentado e disse que essas decisões ajudaram a criar a impressão de que o Congresso havia cometido uma injustiça. “Eles tentaram passar isso”, disse.
Jovair voltou a sustentar a legitimidade da decisão tomada pelo Legislativo e associou o processo à pressão popular daquele período.
“O país não é do Ministério Público, o país não é do STF, o país não é dos políticos, o país é do povo”, afirmou.
No bate-bola ao final da entrevista, perguntado se considera o episódio um impeachment ou um golpe, respondeu de forma direta: “Impeachment.”

Domingos Ketelbey
É repórter, colunista e apresentador. Conecta os bastidores do poder, cultura e cotidiano na cobertura jornalística
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