Petista mira segundo turno e propõe ampliar arrecadação para financiar mudanças nos serviços públicos
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O candidato ao governo de Goiás Luis César Bueno (PT) aposta na associação com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva para chegar ao segundo turno e promete aumentar a arrecadação estadual em 30% no primeiro ano, sem elevar impostos. Em entrevista ao Domingos Conversa nesta terça-feira (8), o ex-deputado defendeu a retomada da gestão direta dos hospitais públicos e a implantação gradual da tarifa zero no transporte coletivo.
De volta ao podcast apresentado pelo jornalista Domingos Ketelbey, menos de dois meses depois da primeira participação, Luis César respondeu sobre financiamento, prazos e prioridades de um eventual governo. Também tratou da tentativa de trazer o presidente a Goiás e das dificuldades financeiras da campanha.
A aposta no eleitor de Lula
Luis César afirmou que sua estratégia é reunir os eleitores do presidente na candidatura estadual e aproveitar a divisão entre os adversários de direita. Cobrado sobre a previsão feita em julho de aparecer competitivo em setembro, estabeleceu uma nova referência.
“Se nós chegarmos até o dia 15 de setembro com 14%, nós vamos para o segundo turno”, declarou. A projeção é do candidato, que atribui ao partido capacidade de crescer nos últimos dias: “O PT é um partido de chegada”.
Ao revisitar a escolha de seu nome, reconheceu que a direção nacional buscava uma aliança mais ampla em Goiás. “Mas isso não foi possível e nós tivemos que optar por uma solução caseira”, afirmou. Reivindicou a experiência de quatro mandatos na Assembleia e o conhecimento do orçamento estadual como credenciais para governar.
Tentativa de trazer o presidente ao Entorno
A presença de Lula continua como objetivo da campanha, mas Luis César não anunciou data ou cidade confirmadas. A alternativa apresentada é aproveitar uma permanência do presidente em Brasília para organizar um evento em município goiano próximo à capital federal.
“Nós entendemos que nós poderíamos fazer um ato conjunto na região metropolitana de Brasília”, disse, ao tratar da possibilidade de reunir sua campanha e a candidatura aliada ao governo do Distrito Federal.
O petista reconheceu que São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro concentram a atenção da campanha presidencial. Ainda assim, afirmou que trabalha para encaixar uma passagem pelo Entorno.
Arrecadação 30% maior
A promessa de ampliar receitas apareceu quando Luis César foi questionado sobre o custo dos concursos e da expansão dos serviços públicos. “Pretendemos ampliar a arrecadação em 30% no primeiro ano”, respondeu.
Segundo ele, o aumento viria do combate à sonegação, à lavagem de dinheiro e ao contrabando, combinado com estímulos à produção. Na entrevista, não apresentou uma conta detalhada da contribuição de cada medida para alcançar o percentual.
A proposta econômica inclui organizar investimentos em oito regiões, ampliar o processamento de grãos e carnes, apoiar a agricultura familiar e oferecer condições para pequenos empreendedores comprarem equipamentos e obterem capital de giro. Na mineração, defendeu atrair atividades industriais: “Nós vamos investir em terras raras, mas vamos não apenas exportar terras raras, mas industrializar terras raras”.
Hospitais sob gestão direta
Na saúde, Luis César reafirmou que pretende substituir gradualmente as organizações sociais pela administração direta do Estado. Apontou os hospitais de urgência de Goiânia como prioridade, sem identificar nominalmente as primeiras unidades.
“É impossível fazer isso tudo de uma vez. Temos que começar com uma, duas unidades nos seis primeiros meses”, afirmou.
O candidato sustenta que a mudança permitiria melhorar a remuneração e estruturar carreiras públicas. “O médico será um profissional de Estado, como é o delegado de polícia, como é o militar, como é o promotor de justiça”, declarou.
Também propôs um Vapt-Vupt da saúde, voltado a pequenos procedimentos, para reduzir a pressão sobre a regulação. A defesa dos concursos alcança a educação, área em que criticou a permanência de profissionais contratados provisoriamente durante vários anos.
Tarifa zero e divisão da conta
Luis César apresentou a gratuidade como parte de uma reorganização do transporte, não como medida isolada. Defendeu corredores exclusivos, melhoria do serviço e um fundo de mobilidade para financiar a implantação gradual.
“A tarifa zero só funciona se tiver corredor exclusivo e transporte de qualidade”, afirmou. A intenção, segundo ele, é oferecer condições para que usuários deixem carros e motos em casa.
Ao explicar o financiamento, citou participação empresarial e das três esferas de governo. Apresentou estimativas de R$ 680 milhões anuais para Goiânia e R$ 985 milhões para Brasília, mas não esclareceu quanto representaria despesa adicional aos subsídios existentes nem detalhou a divisão dos aportes.
Para o Entorno, propôs um consórcio entre municípios, Goiás, Distrito Federal e União. Na Grande Goiânia, negou que pretenda extinguir a Câmara Deliberativa de Transportes Coletivos. “Não, ao contrário, nós vamos estruturá-la”, respondeu.
Segurança e câmeras nas fardas
Na segurança, o petista defendeu concentrar esforços em investigação financeira, lavagem de dinheiro e crimes digitais. “O crime mudou de configuração. O crime subiu de andar”, afirmou.
Prometeu concursos, reestruturação das carreiras e integração entre Polícia Civil e Fisco. Questionado sobre o número de contratações, não apresentou um quantitativo e voltou a mencionar a necessidade de ampliar a arrecadação.
Sobre câmeras nos uniformes, manteve a defesa da proposta, mas não fixou prazo. “Não vamos definir tempo”, respondeu. Disse que pretende discutir o uso dos equipamentos com as corporações e construir consenso para a implantação.
Campanha com poucos recursos
Luis César reconheceu limitações financeiras e comparou sua disputa com a candidatura de Fernando Haddad em São Paulo.
“Eu tenho certeza que entre investir na nossa campanha, investir na campanha do Fernando Haddad de São Paulo, muitos vão investir no Fernando Haddad de São Paulo”, afirmou. Não identificou financiadores nem apresentou a comparação como decisão formal da direção nacional.
Sobre as reclamações de candidatos a respeito da distribuição de recursos, disse que houve problemas de comunicação entre sistemas e que a situação estava sendo corrigida. Defendeu os critérios partidários: “Nós, além de ter justiça, nós temos cotas. Cotas para negros, cotas para as mulheres”.

Domingos Ketelbey
É repórter, colunista e apresentador. Conecta os bastidores do poder, cultura e cotidiano na cobertura jornalística.
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