DC #32: Tatiana Jucá

DC #32: Tatiana Jucá (Foto: Divulgação)

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DOMINGOS CONVERSA #32: O FUTURO DA ENGENHARIA EM GOIÁS, COM TATIANA JUCÁ

DOMINGOS CONVERSA #32: O FUTURO DA ENGENHARIA EM GOIÁS, COM TATIANA JUCÁ

Candidata afirma que engenharia não é ouvida nas decisões da cidade e defende conselho mais ativo no debate público

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Domingos Conversa

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A engenheira civil e candidata à presidência do CREA-GO, Tatiana Jucá, afirmou que Goiânia enfrenta problemas estruturais por falta de planejamento e criticou medidas adotadas na Marginal Botafogo, classificadas por ela como “midiáticas”. Em entrevista ao Domingos Conversa, a candidata também apontou o distanciamento do conselho em relação aos profissionais e defendeu uma mudança de postura institucional.

A entrevista parte de um ponto recorrente na capital: os alagamentos. Para Tatiana, o problema não é novo, mas segue sendo tratado de forma reativa. “Não adianta correr quando começou a chuva”, afirmou. Segundo ela, a cidade carece de planejamento técnico contínuo, com diagnóstico e monitoramento das áreas críticas.

Ao comentar a Marginal Botafogo, uma das principais vias de Goiânia, a engenheira foi direta ao avaliar as intervenções recentes. “A cancela está sendo uma ação paliativa para gerar uma sensação de segurança na população, mas ela não é uma solução prioritária”, disse. “É uma ação até midiática muitas vezes.”

Para a candidata, a repetição de alagamentos expõe a ausência de uma estratégia estruturada. “Já passou da hora de ter um diagnóstico sobre essa marginal”, afirmou. Ela defende que soluções passem por planejamento de longo prazo, com análise técnica da drenagem e, se necessário, obras mais robustas. “Tem solução. Em engenharia, a gente brinca que tudo tem solução.”

Crescimento sem adaptação

Tatiana também relaciona os problemas atuais ao crescimento da cidade sem atualização da infraestrutura. “A Marginal Botafogo foi pensada para uma cidade com cerca de 900 mil habitantes. Hoje nós temos um milhão e meio ou mais só na capital”, disse.

Segundo ela, o aumento da população e da área impermeabilizada impacta diretamente a drenagem urbana. “O fluxo aumentou, a área impermeabilizada aumentou. Isso influencia diretamente no escoamento da água”, afirmou. Para a engenheira, sem adaptação estrutural, a cidade tende a repetir os mesmos gargalos.

Engenharia fora das decisões

Ao longo da entrevista, a candidata questiona o espaço da engenharia nas decisões públicas. “Ela precisa ser ouvida”, afirmou, ao comentar o papel técnico no planejamento urbano. “Precisa ter, sim, uma conversa de engenharia.”

Na avaliação dela, a ausência desse diálogo contribui para soluções paliativas e para a repetição de erros. “Muitas vezes não é um problema no mesmo trecho, são vários. E sem diagnóstico, você não resolve.”


CREA distante da base

As críticas também se voltam ao Conselho Regional de Engenharia e Agronomia. Para Tatiana, a entidade perdeu protagonismo e se afastou dos profissionais. “O CREA hoje está sendo visto como um órgão cartorário, um órgão burocrático, que só leva o valor da anuidade”, disse. “O profissional paga e não vê retorno.”

Segundo ela, o problema não se restringe à capital. “O CREA se distanciou do profissional. E não se afastou só aqui na capital, no interior também”, afirmou. Para a candidata, o modelo atual reforça uma atuação mais voltada à cobrança do que à orientação.

Ao comentar a relação com o poder público, Tatiana também fez críticas. “A gente não vê o conselho representando realmente a engenharia frente aos órgãos públicos”, disse. “Não basta aparecer quando acontece o problema.”

Cobrança e revisão de taxas

Sobre a cobrança de anuidade, a candidata descartou propostas de isenção total, mas reconheceu o peso financeiro sobre os profissionais. “Anuidade zero não existe”, afirmou. “O conselho precisa de recurso para funcionar.”

Ainda assim, ela defende mudanças. “A gente pode, sim, adotar medidas de descontos ou de retribuição daquilo para o profissional”, disse. Segundo Tatiana, a discussão precisa envolver o Conselho Federal de Engenharia e Agronomia (Confea), responsável pelas regras. “Hoje o profissional paga anuidade, paga ART, paga imposto. Isso pesa e onera.”

Tecnologia e futuro da profissão

A entrevista também abordou o avanço da tecnologia na engenharia. Ao comentar o uso de inteligência artificial, Tatiana afastou o risco de substituição do profissional. “De hipótese alguma a gente acredita que ela vai substituir o profissional”, afirmou. “A responsabilidade continua sendo do profissional.”

Para ela, a tecnologia tende a transformar processos, mas não elimina a necessidade de atuação técnica. “Ela vem para somar”, disse.

Proposta de gestão

Como candidata, Tatiana defende reposicionar o CREA como agente técnico ativo. “O CREA precisa ser um aliado”, afirmou, ao defender maior participação do conselho nas decisões públicas.

A proposta inclui revisão do modelo de fiscalização e reaproximação com a base. “A gente precisa trazer o CREA para perto do profissional”, disse. “O conselho tem que ser um prestador de serviço do engenheiro, e não o contrário.”

Ao resumir o que pretende, a candidata aposta em resultado. “A minha gestão vai ser uma gestão de entrega”, afirmou. Ao final, ela deixou um recado direcionado ao poder público. “Se vai falar de engenharia, se vai fazer engenharia, inclua o diálogo com o conselho”, disse. “A gente precisa de abertura.”

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Domingos Ketelbey

É repórter, colunista e apresentador. Conecta os bastidores do poder, cultura e cotidiano na cobertura jornalística

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