Aliado histórico entra em campo para reduzir eventuais resistências no setor
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Política
O pré-candidato à Presidência pelo PSD, Ronaldo Caiado, começou a calibrar sua entrada em um dos terrenos mais sensíveis da disputa nacional: o agronegócio com forte presença bolsonarista. Para isso, escalou um nome com trânsito consolidado no setor: o ex-deputado federal e presidente licenciado da Federação da Agricultura e Agropecuaria de Goiás (Faeg), José Mário Schreiner passou a acompanhá-lo nas agendas, operando como ponte política e simbólica.
A movimentação ganhou forma nesta sexta-feira (17), no Farm Day 2026, em Cariri do Tocantins. Caiado chegou ao evento ao lado de Zé Mário e da pré-candidata ao Senado, Gracinha Caiado. O gesto foi lido como sinalização direta ao setor, com tentativa de reduzir resistências e ampliar interlocução.
Ex-deputado federal entre 2019 e 2022, Zé Mário foi vice-líder do governo de Jair Bolsonaro e mantém acesso a lideranças que orbitam o bolsonarismo no agro. É esse capital que Caiado tenta incorporar à pré-campanha, sobretudo em regiões onde o segmento tem peso eleitoral decisivo.
Mesmo licenciado da CNA e do Senar, o dirigente segue como referência nacional do setor. Na prática, atua como articulador de Caiado, abrindo portas e organizando agendas em ambientes onde a disputa política passa menos por palanque e mais por confiança construída ao longo do tempo. A relação entre os dois, com mais de três décadas, sustenta o movimento.
O desenho também conversa com Goiás. Zé Mário deixou funções institucionais para manter o nome disponível como vice na chapa do governador Daniel Vilela. No entorno governista, a leitura é de composição eleitoral: o dirigente agregaria ao MDB uma camada de apoio no agro que hoje tende ao campo do senador Wilder Morais.
No evento, realizado na Fazenda Pai e Filho, Caiado percorreu estandes e participou do painel “Perspectivas para o Brasil do Futuro”, mediado pelo jornalista João Batista Olivi, ao lado do senador Eduardo Gomes e do presidente da Aprosoja-Brasil, Maurício Buffon.
Com cerca de 100 expositores, público estimado em 5 mil pessoas e expectativa de movimentar R$ 1 bilhão em negócios, o Farm Day virou mais do que vitrine do setor. Serviu como campo de teste para uma estratégia que tenta transformar proximidade política em ativo eleitoral, com o agro no centro da equação.

Domingos Ketelbey
É repórter, colunista e apresentador. Conecta os bastidores do poder, cultura e cotidiano na cobertura jornalística
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