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Brasil conquistou o penta em 2002, mas abriu caminho para um tabu que nasceu para ser batido (Foto: Reprodução)

Brasil conquistou o penta em 2002, mas abriu caminho para um tabu que nasceu para ser batido (Foto: Reprodução)

Brasil conquistou o penta em 2002, mas abriu caminho para um tabu que nasceu para ser batido (Foto: Reprodução)

Brasil conquistou o penta em 2002, mas abriu caminho para um tabu que nasceu para ser batido (Foto: Reprodução)

Brasil encara a Noruega para vencer um fantasma que nasceu depois do penta

Brasil encara a Noruega para vencer um fantasma que nasceu depois do penta

Seleção não derrota uma equipe europeia no mata-mata da Copa desde os dois gols de Ronaldo contra a Alemanha, em 2002

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Esportes

Eu era um menino de 13 anos quando vi o Brasil derrubar a Alemanha com dois gols de Ronaldo Fenômeno, em Yokohama. Do outro lado estavam Oliver Kahn, Miroslav Klose e uma camisa pesada. Do lado de cá, uma seleção que transformou a dura derrota contra a França na final de 1998 em acerto de contas. “Todo mundo tenta, mas só o Brasil pode ser penta”. Sim: o Brasil era pentacampeão do mundo. O único.

Aquela manhã parecia inaugurar uma eternidade. Não inaugurou. Quase 24 anos depois, o Brasil vive um fantasma.

Desde 30 de junho de 2002, o Brasil jamais venceu uma seleção europeia em confronto eliminatório de Copa do Mundo. A maior campeã do torneio, dona das cinco estrelas que ninguém mais tem, passou a tropeçar justamente quando o caminho para a taça cruzava com a Europa.

Neste domingo (5), às 17h, em Nova Jersey, a seleção brasileira enfrenta a Noruega pelas oitavas de final da Copa do Mundo. A partida vale vaga nas quartas, mas carrega algo que vai além da tabela. O Brasil joga contra Haaland, contra a Noruega e contra um jejum que já atravessou gerações.

Em 2006, a França de Zidane parou o Brasil nas quartas de final. Thierry Henry fez o gol da vitória por 1 a 0, em Frankfurt, e encerrou a campanha de uma seleção que ainda carregava a aura do penta, mas já não tinha o mesmo fôlego.

Em 2010, a Holanda virou sobre o Brasil na África do Sul. Robinho abriu o placar. Depois, vieram o apagão, a expulsão de Felipe Melo e os gols de Wesley Sneijder. O time de Dunga caiu por 2 a 1 e deixou a Copa com a sensação de ter perdido um jogo que estava em suas mãos.

Em 2014, não houve sensação. Nem dá para falar em golpe: foi trauma, mesmo. A Alemanha fez 7 a 1 no Mineirão e cravou a derrota mais dura da história da seleção. O país que havia sido derrotado por Ronaldo em 2002 devolveu o golpe de forma brutal, em Belo Horizonte, diante de um Brasil atordoado. 

Quatro anos depois, na Rússia, a Bélgica repetiu o roteiro das quartas de final. Fernandinho marcou contra, Kevin De Bruyne acertou um chute de fora da área e Renato Augusto descontou tarde demais. O placar de 2 a 1 empurrou o Brasil para mais uma eliminação contra europeus.

No Catar, em 2022, a ferida veio com outro desenho. Neymar fez um gol de craque na prorrogação contra a Croácia. A classificação parecia encaminhada. A quatro minutos do fim, Bruno Petkovic empatou. Nos pênaltis, os croatas venceram por 4 a 2. Marquinhos acertou a trave na cobrança decisiva.

A Noruega, adversária deste domingo, acrescenta outro incômodo à conta. É a única seleção, entre as que já enfrentaram o Brasil, que nunca perdeu para a Amarelinha. Foram quatro jogos, com duas vitórias norueguesas e dois empates.

O retrospecto começou em 1988, em Oslo, com empate por 1 a 1. Em 1997, também na capital norueguesa, veio a derrota por 4 a 2, mesmo com Ronaldo e Romário no ataque. No ano seguinte, na Copa da França, o Brasil saiu na frente com Bebeto, mas levou a virada por 2 a 1. O último encontro, em 2006, terminou novamente empatado, desta vez por 1 a 1.

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O lateral Douglas Santos admitiu que a escrita pode servir como combustível. “Acho que isso pode servir como motivação para que a gente possa tirar essa escrita. A gente espera que nesse jogo, que é tão especial para nós, possamos dar o melhor e sairmos felizes e contentes com a vitória”, afirmou.

A Noruega de hoje também conversa com a Noruega de ontem. Stale Solbakken, atual técnico, enfrentou o Brasil como jogador. Alf-Inge Haaland, pai de Erling Haaland, estava no time que venceu a seleção em 1997. Erik Thorstvedt, pai de Kristian Thorstvedt, e Goran Sorloth, pai de Alexander Sorloth, também fazem parte dessa linha que atravessa décadas.

O atacante Matheus Cunha disse que o elenco brasileiro conversa sobre as eliminações recentes. “É muito mais sobre não querer reviver aquele dia do que propriamente sobre o adversário ou a escola de onde ele vem, no caso a europeia. Para ganhar a Copa do Mundo, temos de passar por essas dificuldades. Que agora seja diferente e possamos contar uma outra história”, disse.

Talvez esteja aí o ponto. O Brasil não precisa vencer a Europa inteira neste domingo. Precisa vencer a Noruega. Mas, em Copas do Mundo, os fantasmas raramente aparecem sozinhos.

Para quem viu Ronaldo ajoelhar a Alemanha em 2002, a espera já ficou longa demais. A seleção que ensinou o mundo a contar estrelas precisa, agora, reaprender a atravessar noites de mata-mata contra europeus. A primeira chance é contra um adversário que nunca perdeu para o Brasil. Tabus existem para serem batidos.

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Domingos Ketelbey

É repórter, colunista e apresentador. Conecta os bastidores do poder, cultura e cotidiano na cobertura jornalística

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