Candidata do PSB afirma que disputa não deve ser transformada em confronto com o STF e cobra agenda voltada a renda, saúde, educação e moradia
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Política
A candidata ao Senado Isaura Lemos (PSB) criticou adversários da direita que colocam o impeachment de ministros do Supremo Tribunal Federal entre as principais bandeiras da campanha. Em entrevista ao Domingos Conversa, a ex-deputada estadual afirmou que esse tipo de proposta está distante das prioridades do eleitor.
“Mostra que eles não têm proposta, porque o povo vota para fazer diferença nas suas vidas e não para impeachment de ministro”, afirmou ao jornalista Domingos Ketelbey.
Isaura argumentou que o debate para o Senado deveria estar concentrado em temas com impacto direto sobre a população, como renda, moradia, saúde e educação. “Essa não é uma pauta importante, a meu ver”, completou.
Crítica à pauta anti-STF
A declaração ocorreu após Isaura ser questionada sobre o discurso adotado por candidaturas do campo da direita e da centro-direita que pretendem chegar ao Senado defendendo maior enfrentamento ao Supremo.
A candidata do PSB considera que transformar o impeachment de ministros em uma das razões centrais para disputar uma cadeira no Senado reduz o debate eleitoral a uma agenda de confronto institucional.
Isaura, contudo, não isentou o Judiciário de críticas. Durante a entrevista, defendeu mudanças no sistema e disse que integrantes do Poder Judiciário também precisam prestar contas à sociedade.
“O que é importante é nós fazermos uma reforma no Judiciário para que os ministros, os juízes, também tenham um compromisso com a população”, afirmou.
Supremo recebe avaliação positiva na defesa da democracia
A candidata fez uma distinção entre suas críticas ao funcionamento do Judiciário e a atuação recente do STF em questões institucionais.
Na avaliação de Isaura, o Supremo teve papel positivo na preservação da democracia e do Estado de Direito.
“Eu avalio positiva no quesito democracia e garantia do Estado de Direito”, disse.
Ela argumentou, porém, que essa avaliação não significa concordância irrestrita com todas as decisões do tribunal.
Segundo Isaura, o Judiciário também integra uma estrutura institucional que nem sempre consegue garantir na prática direitos sociais previstos na Constituição.
A candidata citou a moradia como exemplo e questionou a dificuldade de famílias sem casa própria encontrarem respostas efetivas do poder público.
“Teto de juros e não teto de gastos”
Ao estabelecer quais deveriam ser as prioridades de um mandato no Senado, Isaura voltou sua crítica principalmente para a política econômica.
A candidata defendeu limitar o peso dos juros e ampliar a capacidade de investimento público em políticas sociais. “Nós precisamos de teto de juros e não teto de gastos”, afirmou.
Isaura disse que pretende discutir no Senado a destinação dos recursos públicos, com prioridade para saúde, educação, moradia e melhores condições de vida para trabalhadores.
Para ela, são essas as discussões que deveriam diferenciar as candidaturas na eleição, em vez de uma disputa concentrada na relação entre Congresso e Supremo.
Gayer também é alvo
Durante outro momento da entrevista, Isaura direcionou a crítica ao deputado federal Gustavo Gayer (PL), também candidato ao Senado. “Qual o serviço prestado pelo candidato ao Senado Gustavo Gayer? Qual o serviço prestado?”, questionou.
A candidata afirmou não enxergar resultados concretos do mandato do parlamentar que tenham alterado a vida da população e criticou campanhas que colocam o combate ao PT como principal argumento eleitoral.
“Eles falam que estão aí para tirar o PT do poder. Isso não é uma proposta que vai mudar a vida do povo”, disse. Isaura disputa uma das duas vagas de Goiás ao Senado e integra a frente de esquerda que apoia a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Domingos Ketelbey
É repórter, colunista e apresentador. Conecta os bastidores do poder, cultura e cotidiano na cobertura jornalística
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