(Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil)

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Anvisa suspende testes de nova terapia após morte de três pacientes

Anvisa suspende testes de nova terapia após morte de três pacientes

Ensaios da Novartis avaliavam tratamento experimental para doenças autoimunes, como lúpus e esclerose sistêmica

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A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) suspendeu três ensaios clínicos da farmacêutica Novartis com uma nova terapia celular experimental após a morte de três participantes dos estudos. A decisão foi publicada nesta terça-feira (15) e foi adotada por razões de segurança.

Os testes envolvem o rapcabtagene autoleucel, conhecido também como rap-cel ou YTB323. A terapia está sendo investigada para o tratamento de doenças autoimunes graves e ainda não é um tratamento aprovado para essas condições.

Os três ensaios suspensos pela Anvisa já estavam pausados pela própria Novartis desde o início de setembro. Na ocasião, a farmacêutica interrompeu temporariamente a inclusão e o tratamento de pacientes enquanto avaliava os eventos de segurança registrados durante as pesquisas.

O que aconteceu com os pacientes?

Segundo informações divulgadas anteriormente pela Novartis, os três pacientes apresentaram reações graves relacionadas à síndrome hemofagocítica associada a células efetoras imunes, conhecida pela sigla IEC-HS.

A condição é um efeito adverso conhecido das terapias com células CAR-T e pode provocar complicações potencialmente fatais.

Há, entretanto, uma ressalva importante: a resolução da Anvisa não detalha individualmente os eventos que motivaram a suspensão. O ato determina a interrupção dos ensaios como medida de segurança. A associação dos três óbitos à IEC-HS foi informada anteriormente pela própria farmacêutica.

Que doenças estavam sendo estudadas?


Os três estudos suspensos avaliavam o uso da terapia experimental em pacientes com doenças autoimunes graves. Um deles investigava o rap-cel em participantes com granulomatose com poliangeíte ou poliangeíte microscópica ativa grave.

Outro era destinado a pacientes com lúpus eritematoso sistêmico refratário ativo ou nefrite lúpica refratária ativa.

O terceiro, de fase 2, avaliava o tratamento em pessoas com esclerose sistêmica cutânea difusa refratária grave. Nesse estudo, o medicamento experimental era comparado ao rituximabe, com acompanhamento previsto por cinco anos.

Como funciona a terapia?

O rapcabtagene autoleucel faz parte de uma linha de pesquisas que tenta ampliar a utilização das chamadas terapias CAR-T para além de determinados tipos de câncer. De forma simplificada, a estratégia utiliza células do próprio paciente, que são modificadas para atuar sobre alvos específicos do sistema imunológico.

No caso das doenças autoimunes, a aplicação dessa tecnologia ainda está sendo investigada. Portanto, a suspensão anunciada pela Anvisa diz respeito a estudos experimentais e não significa que tratamentos convencionais para lúpus ou outras doenças citadas tenham sido suspensos.

A própria Anvisa explica que pesquisas clínicas com seres humanos são realizadas justamente para avaliar parâmetros de segurança e eficácia antes que novos medicamentos possam chegar ao mercado.

Novartis já havia interrompido os testes

A Novartis anunciou no início do mês que havia pausado temporariamente a inclusão e o tratamento de pacientes nos estudos com rap-cel depois das três mortes.

Na ocasião, a empresa informou que estava analisando os eventos de segurança com comitês independentes e compartilhando as informações com autoridades de saúde. A farmacêutica também afirmou que buscaria formas de melhorar o monitoramento e permitir a identificação mais precoce de possíveis efeitos adversos.

Na publicação consultada nesta terça-feira, a empresa ainda não havia apresentado manifestação específica sobre a nova decisão da Anvisa.

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Domingos Ketelbey

É repórter, colunista e apresentador. Conecta os bastidores do poder, cultura e cotidiano na cobertura jornalística.

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