Ex-deputado avalia que disputa pela segunda vaga está aberta, cobra reação da base governista e relembra rompimento com tucano em 2016
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Política
O ex-deputado federal Delegado Waldir Soares (União Brasil) afirmou que considera o deputado federal Gustavo Gayer (PL) praticamente eleito ao Senado em Goiás e avaliou que a disputa deverá se concentrar na segunda vaga. Em entrevista ao Domingos Conversa, nesta sexta-feira (7), Waldir também fez um alerta à candidatura de Gracinha Caiado (União Brasil) e retomou um episódio de 2016 para acusar o ex-governador Marconi Perillo (PSDB) de traição política.
Vice-presidente do União Brasil em Goiás e candidato à Câmara dos Deputados, Waldir projetou que Gayer deverá ultrapassar a votação obtida por Wilder Morais em 2022, quando o atual senador recebeu cerca de 800 mil votos.
“Na minha opinião, acho que uma vaga é do Gustavo Gayer. O Gayer não vai ter menos votos que o Wilder. O Wilder teve 800 mil. Então o Gayer tem mais. Tem um milhão”, afirmou.
Para Waldir, o cenário coloca pressão especialmente sobre Gracinha, uma das candidatas ao Senado vinculadas à base do governador Daniel Vilela (MDB).
“A Gracinha não pode subir no salto e achar que está ganhando a eleição e ficar sentada esperando a eleição. Se não arregaçar as mangas, a equipe dela não arregaçar as mangas, os prefeitos não entrarem na campanha”, disse.
A base governista chega à disputa com quatro candidaturas ao Senado: Gracinha Caiado, Gustavo Mendanha, Vanderlan Cardoso e Zacharias Calil. O PL, por sua vez, lançou Gayer e Oséias Varão. Há ainda candidaturas da esquerda e do campo tucano.
Waldir afirmou que a multiplicidade de nomes tende a fragmentar os votos e repetiu que, na sua avaliação, Gayer larga em vantagem.
“Quem na base tem um milhão de votos? Ninguém”, declarou. Para ele, os demais nomes devem disputar uma única cadeira: “O restante dos candidatos vai brigar por uma vaga”.
Durante a entrevista, Waldir também revisitou a relação com Marconi Perillo. Segundo ele, após ser o deputado federal mais votado de Goiás em 2014, teria recebido do então governador a promessa de que seria o candidato do grupo à Prefeitura de Goiânia em 2016.
“Quem passar no segundo turno é o nosso presidente. Só não sou a esquerda”, resumiu.
Waldir afirma que entrou na campanha de reeleição de Marconi naquele segundo turno acreditando no compromisso. Dois anos depois, porém, o PSDB decidiu discutir a realização de prévias para escolher seu candidato na capital.
“Eu caí no conto da sereia. Ele disse que eu seria o próximo candidato, que eu seria o prefeito de Goiânia em 2016. E eu acreditei”, relatou.
A decisão de promover uma disputa interna teria provocado o rompimento.
“Eu fui lá no Palácio e falei: você me deu a palavra que eu seria o seu candidato”, contou Waldir, que relatou ter usado palavras duras no encontro.
Ele acabou deixando o grupo tucano e disputou a Prefeitura de Goiânia pelo então PR. Waldir afirmou que o episódio ainda pesa na forma como conduz suas relações políticas.
“Eu não gosto de ser traído. Eu sou excelente amigo, sou parceiro. Mas eu sou melhor inimigo”, disse.
Na entrevista, Waldir também afirmou que apoia Daniel Vilela ao governo e Ronaldo Caiado na disputa presidencial, mas deixou claro que apoiará qualquer nome da direita que chegue a um eventual segundo turno contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Domingos Ketelbey
É repórter, colunista e apresentador. Conecta os bastidores do poder, cultura e cotidiano na cobertura jornalística
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