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Uma em cada cinco famílias compromete mais da metade da renda com dívidas

Uma em cada cinco famílias compromete mais da metade da renda com dívidas

Pesquisa da CNC mostra que endividamento e inadimplência recuaram em setembro, mas o tempo médio de atraso aumentou e chegou a 65 dias

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Economia

O número de famílias brasileiras com contas atrasadas diminuiu em setembro, mas a situação financeira de quem já está inadimplente continua preocupante. Segundo pesquisa divulgada nesta quinta-feira (8) pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), 29,6% das famílias tinham dívidas vencidas e não pagas, enquanto 81,7% possuíam algum tipo de dívida.

Os dados fazem parte da Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic). Em agosto, a inadimplência atingia 29,9% das famílias, enquanto o endividamento estava em 82%. A queda de setembro foi a primeira registrada no indicador geral de endividamento em 2026.

Apesar da melhora, os números mostram que uma parcela significativa dos brasileiros ainda enfrenta dificuldades para equilibrar o orçamento. Além disso, o tempo médio de atraso das contas aumentou, indicando que quem já está devendo pode estar demorando mais para conseguir regularizar a situação.

Contas atrasadas há mais de três meses preocupam

O tempo médio de atraso no pagamento das dívidas passou de 65 dias em agosto para 65,3 dias em setembro. Esse é o maior patamar desde novembro de 2024.

Outro dado chama a atenção: 48,9% das contas vencidas estavam atrasadas havia mais de 90 dias.

A pesquisa também mostra que 12,5% das famílias brasileiras declararam não ter condições de pagar as dívidas em atraso. O percentual permaneceu estável em relação ao mês anterior.

Os resultados indicam que, embora menos famílias tenham entrado ou permanecido na inadimplência, a dificuldade de pagamento continua elevada entre aquelas que acumulam débitos.

Quase uma em cada cinco famílias compromete mais da metade da renda


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O peso das dívidas no orçamento doméstico também é um dos pontos de atenção do levantamento. Em setembro, 19,4% das famílias relataram comprometer mais da metade dos rendimentos mensais com o pagamento de dívidas. O percentual é o maior desde fevereiro deste ano.

Em média, os brasileiros destinavam 29,6% da renda ao pagamento de compromissos financeiros.

O levantamento considera modalidades como cartão de crédito, cheque especial, carnês de lojas, empréstimos pessoais, crédito consignado e financiamentos de veículos e imóveis.

É importante diferenciar endividamento de inadimplência. Uma família pode ter parcelas de financiamento ou compras no cartão e estar com todos os pagamentos em dia. A inadimplência ocorre quando existem contas vencidas e não pagas.

Famílias de baixa renda continuam mais endividadas

A pesquisa também revela diferenças conforme a faixa de renda.

Entre as famílias que recebem até três salários mínimos, o endividamento caiu de 85,1% em agosto para 84,6% em setembro.

Na faixa de três a cinco salários mínimos, o percentual passou de 83,7% para 83,3%.

Já entre aquelas com renda de cinco a dez salários mínimos, houve movimento contrário: o endividamento aumentou de 77,2% para 77,9%.

A inadimplência recuou na maioria das faixas de renda, mas apresentou leve crescimento entre as famílias que recebem mais de dez salários mínimos, passando de 14,9% para 15%.

O que esperar dos próximos meses?

A CNC avalia que a redução dos indicadores de endividamento e inadimplência representa um sinal de melhora, mas destaca que a recuperação financeira das famílias ainda depende de condições econômicas mais favoráveis.

A entidade projeta novas reduções das contas em atraso no próximo trimestre, acompanhadas de uma possível estabilização do endividamento.

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Domingos Ketelbey

É repórter, colunista e apresentador. Conecta os bastidores do poder, cultura e cotidiano na cobertura jornalística.

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