Presidente do Avante diz que bolsonarista “amadureceu” e nega ruído com grupo de Daniel; aproximação encosta na disputa de Gracinha ao Senado
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O vereador Thialu Guiotti (Avante) reuniu nesta quarta-feira (19) Gustavo Gayer (PL), Romário Policarpo (Cidadania) e Bruno Peixoto (União Brasil) em um adesivaço em Goiânia. O ato expôs uma escolha que atravessa a base de Daniel Vilela: Thialu apoia Gayer para uma das vagas ao Senado.
Gayer é o ponto fora da curva da fotografia. Candidato ao Senado pelo PL, ele está fora da coligação de Daniel e integra o campo de Wilder Morais, adversário do governador na disputa pelo Palácio das Esmeraldas.
Thialu, por sua vez, preside em Goiás o Avante, partido que oficializou apoio à reeleição de Daniel em julho. Bruno Peixoto também está no campo governista. Policarpo hoje pertence ao Cidadania, integrado à federação com o PSDB de Marconi Perillo, mas até recentemente mantinha trânsito direto com o grupo que sustentou o governo de Ronaldo Caiado.
É nesse cruzamento que o adesivaço ganha peso político.
“O Policarpo é um amigo que eu tenho, o Bruno Peixoto da mesma forma. O Gustavo Gayer eu admiro pela luta e pela coragem de tocar em temas sensíveis na política nacional. E o Daniel Vilela, obviamente, a gente estava no governo Caiado. Ele faz parte dessa nova geração à qual eu mesmo pertenço”, afirmou Thialu ao jornalista Domingos Ketelbey.
Segundo o vereador, não há incompatibilidade entre apoiar a reeleição de Daniel e trabalhar pela eleição de Gayer ao Senado.
“Eu pertenço a esse grupo político. Foi um ato por mim, que contou com a presença do Gayer, Policarpo e Bruno Peixoto. Nós caminhamos juntos”, disse.
Gayer “amadureceu”, diz Thialu
Ao ser questionado sobre a convivência de Gayer com políticos de grupos diferentes daquele tradicionalmente ocupado pelo PL, Thialu apontou uma mudança no comportamento do deputado.
“Eu vejo que o Gayer amadureceu. Essa é a palavra que pode ser colocada nesse momento”, afirmou.
Na avaliação do presidente estadual do Avante, uma candidatura majoritária exige alianças para além das fronteiras ideológicas e partidárias.
“Não existe a possibilidade de disputar uma candidatura majoritária sem ter alianças que são, em algum momento, diferentes do que você defende. Apesar de tanto o Peixoto, o Policarpo e eu sermos a favor do Estado de Goiás. Como ele não aceita uma aliança com alguém que deseja o melhor para o Estado, independentemente de sermos de esquerda ou direita?”, questionou.
A movimentação ocorre justamente quando Gayer tenta ampliar o apoio para além do PL e do Novo. Thialu reivindica ter sido um dos primeiros políticos de fora desse campo a declarar voto no deputado. “É importante frisar isso: você não tinha políticos declarando apoio ao Gayer. Eu fui o primeiro fora da bolha do PL e do Novo a declarar apoio e, após isso, ele teve outras adesões”, afirmou.
E Gracinha?
Há um segundo componente na movimentação. E ele está dentro da própria base governista.
Gracinha Caiado (União Brasil) disputa uma das duas vagas ao Senado e aparece atualmente na liderança da corrida. Gayer, embora esteja fora do grupo de Daniel, ocupa a segunda posição no levantamento mais recente do Paraná Pesquisas: Gracinha tem 41% e o candidato do PL, 27,1%. Vanderlan Cardoso aparece em seguida, com 21,4%.
Por isso, cada adesão conquistada por Gayer dentro ou nas proximidades da base governista pode ser observada também pela campanha de Gracinha. Não porque exista, até aqui, uma reação pública da candidata, mas porque o deputado do PL disputa diretamente espaço com os nomes ao Senado vinculados ao grupo de Daniel.
Thialu nega que sua escolha produza qualquer ruído. “Não vejo nenhum ruído de forma alguma. Eu tenho minhas opções políticas. Para mim, o Gayer é preparado. Eu não vejo dificuldade nessa questão da base. Zacharias e Gracinha nunca me procuraram para conversar”, afirmou.
A declaração toca num ponto sensível da campanha. Enquanto Daniel concentra uma ampla aliança partidária para o Governo de Goiás, os votos ao Senado seguem menos disciplinados. O próprio Thialu deixa claro que pretende separar as escolhas.
Para a primeira vaga, diz estar fechado com Gayer. Para o segundo voto, ainda divide a preferência. “Sobre a segunda vaga, eu vou dar uma ‘ademão’ para o Oséias Varão e o Vanderlan Cardoso”, afirmou.

Domingos Ketelbey
É repórter, colunista e apresentador. Conecta os bastidores do poder, cultura e cotidiano na cobertura jornalística
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