Brasil chegou a 6.341 empresas em recuperação judicial, enquanto pedidos no agronegócio cresceram 21,9% no primeiro trimestre e Goiás está entre os estados com maior concentração de produtores rurais pessoa jurídica nessa situação
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Economia
O aumento das recuperações judiciais no Brasil também acende um sinal de atenção para o agronegócio de Goiás. O país chegou ao segundo trimestre de 2026 com 6.341 empresas em recuperação judicial dentro da base monitorada pela RGF, enquanto os pedidos envolvendo o agro cresceram 21,9% no primeiro trimestre deste ano.
O levantamento nacional analisado pela Forbes mostra que o número de empresas em recuperação judicial avançou quase 58% em pouco mais de três anos. No primeiro trimestre de 2023, eram 4.014 empresas. Em maio deste ano, o número havia chegado a 6.341.
A base utilizada pela RGF exclui microempresas e acompanha cerca de 2,7 milhões de companhias ativas. Comércio, indústria de transformação e agropecuária estão entre os setores mais atingidos.
Médias empresas concentram quase metade dos casos
As empresas de médio porte representam 49% das companhias em recuperação judicial incluídas no levantamento.
Proporcionalmente, entretanto, a ocorrência é maior entre empresas grandes. O índice chega a 14,4 casos para cada mil companhias classificadas como muito grandes e a 11,7 casos por mil entre as grandes empresas.
O cenário reúne companhias com problemas diferentes. Endividamento elevado, custo de crédito, dificuldades de gestão, alterações no comportamento dos consumidores e problemas específicos de determinados setores aparecem entre os fatores identificados na análise.
Crédito mais caro aumenta pressão
O atual nível dos juros é apontado como um dos elementos que agravaram a situação de empresas já endividadas.
Durante a pandemia, quando a taxa Selic chegou a 2% ao ano, muitas empresas recorreram a empréstimos e programas de crédito para manter funcionários, estoques e operações.
Parte dessas dívidas foi refinanciada posteriormente. Com o aumento dos juros, renovar empréstimos e administrar passivos tornou-se mais caro.
Especialistas ouvidos pela Forbes ressaltam, porém, que os juros não explicam isoladamente o crescimento das recuperações judiciais. Problemas de gestão, mudanças de mercado e endividamentos acumulados ao longo de anos também interferem na situação de cada empresa.
Pedidos no agro crescem 21,9%
No agronegócio, dados da Serasa Experian mostram 474 pedidos de recuperação judicial no primeiro trimestre de 2026. No mesmo período de 2025, haviam sido registrados 389. O crescimento foi de 21,9%.
O levantamento reúne produtores rurais que atuam como pessoas físicas, produtores constituídos como pessoas jurídicas e empresas ligadas à cadeia do agronegócio.
Entre os produtores rurais pessoa jurídica, o avanço foi ainda maior. Foram 196 pedidos entre janeiro e março, contra 113 no mesmo período de 2025, aumento de 73,5%.
Goiás aparece entre estados com mais pedidos
Mato Grosso, Goiás e Mato Grosso do Sul lideraram o número de pedidos apresentados por produtores rurais constituídos como pessoa jurídica no primeiro trimestre.
Entre as atividades desse grupo, o cultivo da soja concentrou 137 solicitações de recuperação judicial. A criação de bovinos apareceu em seguida, com 42 pedidos.
Já entre produtores que atuam como pessoa física foram contabilizadas 182 solicitações no primeiro trimestre deste ano, redução de 6,7% em relação às 195 registradas no mesmo período de 2025.
Em todo o ano passado, o agronegócio brasileiro havia registrado 1.990 pedidos de recuperação judicial, maior número desde o início da série histórica da Serasa Experian, em 2021. O total representou crescimento de 56,4% sobre as 1.272 solicitações registradas em 2024.

Domingos Ketelbey
É repórter, colunista e apresentador. Conecta os bastidores do poder, cultura e cotidiano na cobertura jornalística
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