Gustavo Mendanha fala sobre Alexandre de Moraes (Foto: Divulgação)

Gustavo Mendanha fala sobre Alexandre de Moraes (Foto: Divulgação)

Gustavo Mendanha fala sobre Alexandre de Moraes (Foto: Divulgação)

Gustavo Mendanha fala sobre Alexandre de Moraes (Foto: Divulgação)

Mendanha promete votar impeachment de Moraes se houver crime de responsabilidade

Mendanha promete votar impeachment de Moraes se houver crime de responsabilidade

Candidato ao Senado cobra reação da Casa após revelações envolvendo ministro do STF e Daniel Vorcaro e diz que não aceitará “blindagem”

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Política

O candidato ao Senado por Goiás Gustavo Mendanha (PRD) afirmou nesta quarta-feira (2) que, se eleito, votará pelo impeachment do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), caso as apurações sobre a relação do magistrado com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro apontem a prática de crime de responsabilidade.

O posicionamento ocorre após a divulgação de mensagens recuperadas pela Polícia Federal no celular de Vorcaro, ex-dono do Banco Master. O material indica que o empresário e Moraes mantiveram contato frequente e se encontraram ao menos seis vezes. Em uma das mensagens, enviada dois dias antes de ser preso, Vorcaro questionou o ministro sobre a possibilidade de deixar o país.

Segundo as informações tornadas públicas pela investigação, Vorcaro também procurou Moraes enquanto tentava conter o avanço das apurações contra o banco. A PF aponta ainda que o ministro fez alterações na versão de um contrato de R$ 131 milhões firmado entre o Banco Master e o escritório de advocacia de sua esposa, Viviane Barci de Moraes. Moraes não havia se manifestado sobre as revelações até a divulgação das reportagens.

Mendanha classificou as informações como graves e cobrou uma resposta do Senado ainda na atual legislatura. “Espero que o Senado Federal aja agora, com firmeza, responsabilidade e agilidade. Uma situação dessa dimensão não pode se arrastar indefinidamente. A ausência de respostas desgasta o Supremo Tribunal Federal, enfraquece o próprio Senado e aumenta a desconfiança da população nas instituições”, afirmou.

Mendanha defende análise dos fatos

O candidato evitou antecipar uma condenação de Moraes, mas defendeu que os fatos sejam analisados pelos mecanismos previstos na Constituição. “Não se trata de antecipar condenações nem de promover julgamentos políticos. Trata-se de apurar o que aconteceu e permitir que os mecanismos previstos na Constituição funcionem. Se houver elementos que configurem crime de responsabilidade, o Senado tem o dever de agir”, disse.

A pressão sobre o Senado aumentou após a divulgação do material da PF. A oposição voltou a defender o impeachment de Moraes e novos pedidos foram apresentados, enquanto o presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), ainda enfrenta cobranças para dar andamento às representações.

Nesta quarta-feira, o presidente do STF, Edson Fachin, também reagiu ao episódio e afirmou que a Corte adotará as “medidas cabíveis e necessárias” diante das revelações. Fachin defendeu a preservação da integridade institucional do Supremo e afirmou que ocupantes de cargos elevados estão submetidos a deveres e limites.

Mendanha disse esperar que o caso seja esclarecido antes do fim da atual legislatura. Caso isso não ocorra e seja eleito em outubro, afirmou que pretende cobrar o avanço das análises a partir de fevereiro de 2027. “Se essa situação chegar a fevereiro de 2027 sem uma resposta e os goianos me derem a oportunidade de representá-los no Senado, vou trabalhar desde o primeiro dia para que os fatos sejam analisados e os procedimentos cabíveis avancem”, declarou.

No trecho mais duro do posicionamento, o ex-prefeito de Aparecida de Goiânia afirmou que não aceitará que o Senado seja utilizado para impedir a responsabilização de autoridades. “Não aceitarei que o Senado seja usado como uma gaveta para proteger quem quer que seja. Se ficar demonstrada a prática de crime de responsabilidade, defenderei a abertura do processo e não hesitarei em votar pelo afastamento. Ministro do Supremo não está acima da Constituição, senador não pode se esconder atrás do cargo e nenhuma instituição está dispensada de prestar contas à sociedade. Se houver crime, tem que haver consequência. A lei precisa valer para todos, sem exceção”, concluiu.

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Domingos Ketelbey

É repórter, colunista e apresentador. Conecta os bastidores do poder, cultura e cotidiano na cobertura jornalística

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