Encontro marcado para sábado deve oficializar candidaturas, mas direção ainda discute governo, Senado e alianças da frente de esquerda
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Política
O PT de Goiás marcou para sábado, 1º de agosto, a convenção que deveria encerrar a pré-campanha. A três dias do encontro, o partido ainda discute o item mais importante da pauta: a composição da chapa majoritária.
No convite divulgado pela presidente estadual da sigla, Adriana Accorsi, a convenção aparece como um momento de “união, esperança e luta”. Nos bastidores, o cenário é menos poético. O PT tenta conciliar a candidatura de Luis César Bueno ao governo, as reivindicações dos aliados e a insistência de setores que ainda enxergam Adriana como uma opção mais competitiva.
A direção estadual sustenta que Luis César comandará a chapa. O ex-deputado já recebeu o aval do PT goiano, da Federação Brasil da Esperança e dos partidos que integram a frente de esquerda. Mesmo assim, a discussão não foi completamente encerrada pela cúpula nacional.
O próprio pré-candidato tratou de manter uma porta aberta. Em entrevista ao Domingos Conversa, disse que só entrou na disputa depois que Adriana e a vereadora Aava Santiago, do PSB, recusaram a missão.
“Se alguma delas disser que será candidata, com certeza o cenário é outro”, afirmou Luis César.
A frase resume a situação. O PT tem candidato, mas o candidato ainda precisa conviver com a hipótese de ser substituído. Adriana afirma que disputará a reeleição à Câmara dos Deputados. A direção nacional, porém, sempre considerou seu nome mais competitivo para o Palácio das Esmeraldas.
A conta dos aliados
A dúvida sobre o governo é apenas uma parte do problema. A frente também precisa definir o candidato a vice e preencher as duas vagas ao Senado.
Luis César afirma que a vice foi reservada ao PDT. O partido discute os nomes dos advogados Kowalsky Ribeiro e Carlos Mundim. A escolha, que deveria ser a parte mais simples da composição, ainda não foi anunciada.
No Senado, a fila é maior do que o número de cadeiras. Cíntia Dias, do PSOL, Isaura Lemos, do PSB, Aldo Arantes, do PCdoB, e Ricardo Dias, do PV, disputam duas vagas.
O PSB já sinalizou que pode rever sua participação na aliança caso Isaura não seja contemplada. A definição foi encaminhada às direções nacionais, onde os partidos costumam resolver os impasses estaduais com uma calculadora de alianças que envolve os outros 26 estados.
É o modelo federalizado citado por Luis César. Uma vaga concedida em Goiás pode ser compensada por uma cabeça de chapa no Rio Grande do Sul, em Pernambuco ou em outro ponto do mapa. O problema é explicar ao eleitor goiano por que uma candidatura local depende de uma negociação travada a centenas de quilômetros do Estado.

Domingos Ketelbey
É repórter, colunista e apresentador. Conecta os bastidores do poder, cultura e cotidiano na cobertura jornalística
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