Daniel Vilela e Domingos Ketelbey (Foto: Lucas Coqueiro)

Daniel Vilela e Domingos Ketelbey (Foto: Lucas Coqueiro)

Daniel Vilela e Domingos Ketelbey (Foto: Lucas Coqueiro)

Daniel Vilela e Domingos Ketelbey (Foto: Lucas Coqueiro)

DOMINGOS CONVERSA #81: ENTRE O LEGADO CAIADO E UMA MARCA PRÓPRIA EM BUSCA PELA REELEIÇÃO, COM DANIEL VILELA

DOMINGOS CONVERSA #81: ENTRE O LEGADO CAIADO E UMA MARCA PRÓPRIA EM BUSCA PELA REELEIÇÃO, COM DANIEL VILELA

Governador discute alianças, descarta novos impostos e detalha propostas para saúde, transporte e serviços digitais

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Domingos Conversa

Podcast

EXCLUSIVO

O governador Daniel Vilela (MDB), candidato à reeleição, defendeu a continuidade da gestão do ex-governador Ronaldo Caiado e apontou a ampliação do acesso aos serviços públicos e a melhora da qualidade do gasto como prioridades de um novo mandato. Em entrevista a Domingos Ketelbey, nesta sexta-feira (11), no episódio 81 do Domingos Conversa, o emedebista rejeitou a ideia de que sua tarefa seja corrigir o antecessor. “Não é uma questão de corrigir, é uma questão de avançar”, afirmou.

A conversa, que integra a série especial com os candidatos ao governo de Goiás, passou pelos compromissos do plano de governo, pela disputa interna ao Senado e pela relação com o governo federal. Daniel descartou criar novas taxas e impostos, admitiu recorrer à Justiça para destravar o transporte do Entorno e manteve abertas as portas do MDB para o prefeito de Anápolis, Márcio Corrêa.

Continuidade sem antecipar o secretariado

Daniel sustentou que governa em condições diferentes das encontradas por Caiado em 2019. Na avaliação dele, a reorganização das contas, a expansão da rede hospitalar e a estrutura de proteção social permitem assumir compromissos que não eram possíveis no início da administração anterior. “É ampliar o acesso à qualidade desse serviço e também avançar na eficiência, na qualidade do gasto. Acho que esse é o nosso principal objetivo, sermos mais eficientes no gasto, na qualidade, na prestação do serviço”, disse.

Embora tenha destacado a inovação entre suas prioridades, o governador evitou tratar a agenda como uma tentativa de se diferenciar politicamente de Caiado. “Eu não estou preocupado em qual vai ser a minha marca”, afirmou. Para ele, o investimento em tecnologia decorre da necessidade de modernizar a administração e aproveitar ferramentas disponíveis.

Também se recusou a antecipar mudanças no secretariado. “Eu não trato disso antes de ganhar as eleições”, respondeu. Daniel elogiou a equipe que conduz o governo e disse que uma eventual revisão será discutida depois do resultado das urnas.

Serviços pelo WhatsApp

Uma das entregas anunciadas para ainda este ano é a ampliação dos serviços estaduais disponíveis pelo WhatsApp, dentro do projeto Goiás na Palma da Mão. Segundo Daniel, a proposta é reduzir as dificuldades que o cidadão encontra para resolver demandas nos portais do governo.

O governador afirmou que o Estado possui mais de 700 serviços no ambiente digital e citou a segunda via da identidade e a renovação da CNH entre os atendimentos já acessíveis pelo aplicativo. A intenção, disse, é integrar progressivamente os demais serviços.

Questionado se tudo estaria disponível em outubro, delimitou o compromisso: “Todos não, mas grande parte dos mais demandados estarão até o final de outubro integrados”. A meta de alcançar a totalidade dos serviços foi apresentada sem prazo fechado.

Daniel também defendeu o uso de inteligência artificial para reduzir o tempo gasto pelos servidores em tarefas burocráticas. Na área econômica, citou iniciativas de qualificação profissional, atração de investimentos e acesso ao crédito para pequenos negócios. O Pequi Bank, previsto no plano de governo, foi apresentado como instrumento para apoiar o empreendedor que precisa investir e ampliar sua atividade.

A infraestrutura apareceu como outra prioridade. Segundo o governador, há obras em 81 rodovias e mais de 80 em contratação ou desenvolvimento de projetos. Ele argumentou que a qualidade da logística será decisiva para manter a competitividade de Goiás com o fim dos incentivos fiscais.

“Nada de criação de novas taxas”


Ao ser questionado sobre o financiamento das propostas e a necessidade de redesenhar mecanismos de arrecadação diante da reforma tributária, Daniel descartou a criação de novas cobranças. “Então nada de criação de novas taxas, de impostos, nós vamos adaptar, vamos lutar para que a reforma tributária possa beneficiar, potencializar a economia dos Estados produtores, principalmente o nosso Estado”, declarou.

O governador criticou o que considera um risco de favorecimento dos estados consumidores em relação aos produtores. Disse que pretende trabalhar por alterações que preservem a economia goiana e evitem perdas de arrecadação. “Como é que você vai penalizar um Estado que produz?”, questionou. Caso a mudança provoque desequilíbrios, Daniel atribuiu ao Congresso a responsabilidade de corrigi-los. “Se tiver prejuízos fiscais para os Estados, o Brasil, a União, o Congresso Nacional vai ter que ajustar isso.”

O emedebista não apresentou uma estimativa de eventual perda para Goiás. Sustentou que o Estado dispõe de equilíbrio fiscal e recursos em caixa, mas reconheceu que a manutenção dessa condição será uma preocupação dos próximos anos.

No Senado, a disputa pelo voto de Gracinha

Na análise sobre a eleição ao Senado, Daniel tratou o voto da ex-primeira-dama Gracinha Caiado como o mais consolidado e sugeriu que os demais candidatos busquem uma associação com ela. “Agora, se eu fosse um desses candidatos, para mim seria muito óbvio a minha estratégia. É colar no voto daquela que tem o voto mais cristalizado e consolidado hoje, que é a dona Gracinha. É o segundo voto dela”, afirmou.

A resposta veio durante a discussão sobre combinações de votos entre candidatos da base governista e o deputado federal Gustavo Gayer. Daniel avaliou que parte dessas articulações ainda circula de forma superficial, sem necessariamente alcançar o eleitor.

Para ele, a disputa ao Senado pode sofrer mudanças nos últimos dias. “O Senado muda de quinta para domingo, na última semana”, disse. A avaliação foi acompanhada de uma ressalva: ele considera Gracinha menos exposta a essa oscilação pelo reconhecimento do trabalho desenvolvido como primeira-dama e pela força política de Caiado.

O governador não anunciou uma dupla pessoal de votos. Ao defender campanhas associadas, cobrou coerência entre os candidatos. “Tem que ter o mesmo objetivo, o mesmo princípio, a mesma linha política. Isso aí é preciso ter, porque se você destoar, isso não vai colar.”

Mendanha e os limites da disputa interna

Sobre a divergência entre Gracinha e o ex-prefeito de Aparecida de Goiânia Gustavo Mendanha, Daniel classificou o episódio como “página virada”. Confirmou a permanência de Mendanha na base e citou o discurso em que o aliado elogiou Caiado, Gracinha e o grupo governista.

O governador reconheceu que a presença de vários candidatos produz conflitos, como ocorre nas disputas proporcionais. Mas afirmou que há um entendimento sobre os limites dessa competição. “Dentro da nossa base, entre os nossos candidatos, nós temos que ter o nosso respeito, os nossos limites. Uma coisa é você apresentar a sua estratégia, fazer o seu trabalho, outra coisa é você atacar qualquer adversário. Isso aí a gente tem clareza e combinado”, declarou.

MDB aberto para Márcio Corrêa

Daniel também sinalizou disposição para receber de volta no MDB o prefeito de Anápolis, Márcio Corrêa, que declarou apoio à sua candidatura. Questionado sobre a disputa do prefeito com o comando do PL, o governador destacou a amizade entre os dois e o histórico de apoio ao projeto político de Corrêa.

Para Daniel, a adesão do prefeito era natural tanto pela relação pessoal quanto pelas parcerias entre Estado e município. Citou investimentos em infraestrutura, saúde, transporte e desenvolvimento econômico como razões para a aproximação.“O nosso partido está de portas abertas para ele voltar”, afirmou, ao tratar da possibilidade de Corrêa deixar a atual legenda. Diante da confirmação de que o convite estava posto, reforçou: “Nunca estiveram fechadas”. O governador não anunciou uma filiação acertada nem estabeleceu prazo para a mudança.

Aposta em Caiado e críticas ao governo federal

No cenário nacional, Daniel manteve a aposta na candidatura presidencial de Caiado e evitou escolher entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e Flávio Bolsonaro em um eventual segundo turno.

Mesmo após a insistência sobre essa hipótese, não antecipou uma preferência. “Eu tenho que acreditar e acredito fielmente que o meu candidato vai chegar no segundo turno e vai ganhar as eleições”, respondeu.

O governador avaliou que o principal desafio de Caiado é se tornar mais conhecido nacionalmente. Sua expectativa é que o eleitor reconheça a experiência política e administrativa do ex-governador na reta final da campanha.

As críticas mais diretas foram destinadas à relação com o governo federal. Daniel afirmou que Goiás deixa de receber R$ 500 milhões por ano na saúde e atribuiu a situação a uma decisão política. “Não avançamos porque politicamente eles estão penalizando o nosso Estado”, declarou. O cálculo desse valor não foi detalhado durante a entrevista.

Ao defender que divergências eleitorais não interfiram na prestação de serviços, citou a própria relação com as prefeituras. Segundo ele, o governo mantém parcerias inclusive com municípios cujos prefeitos não apoiam sua candidatura.

Novo Hugo até março de 2027

Na saúde, Daniel apresentou um prazo para a transferência do Hugo ao prédio adquirido pelo Estado. A previsão anunciada é concluir a mudança no início do próximo ano, até março. “A ideia é que em janeiro, fevereiro, no mais tardar, em março, a gente já esteja totalmente migrado para lá”, afirmou. Segundo o governador, o imóvel passa por adaptações e terá quartos individuais, ampliação das salas cirúrgicas e estrutura preparada para incorporar procedimentos com robótica.

Na entrevista, Daniel falou em passar de 320 para 500 leitos. Esses números diferem dos apresentados no plano de governo, que prevê ampliação de 342 para 460. A diferença não foi esclarecida durante a conversa.

O governador disse que a transferência permitirá reformar o prédio atual para instalar um hospital voltado à saúde da mulher, incluindo maternidade de alto risco. Afirmou que já determinou o levantamento estrutural do imóvel e o desenvolvimento do projeto.

Também defendeu que a próxima etapa da regionalização seja concentrada no acesso, na qualidade do atendimento e na redução da espera por cirurgias. Segundo Daniel, o Estado realizou 35 mil cirurgias eletivas no ano passado, diante de uma demanda anual estimada por ele em 25 mil. O objetivo apresentado é atender os novos casos e reduzir o estoque de procedimentos acumulados.

Transporte do Entorno pode ir à Justiça

Daniel admitiu recorrer à Justiça para permitir que Goiás e o Distrito Federal assumam o transporte coletivo do Entorno caso não haja uma solução negociada com a União.

Segundo seu relato, os dois governos estão dispostos a participar do financiamento e defendem um modelo semelhante ao adotado na Região Metropolitana de Goiânia. A proposta apresentada ao governo federal seria dividir o custeio entre os três entes.

O governador disse que buscará implementar a mudança, se reeleito, “nem que seja judicializar para que o Estado assuma o transporte coletivo junto com o DF e a gente construa uma alternativa”. Afirmou que a União não deu uma resposta definitiva à proposta.

Na discussão sobre a tarifa metropolitana de R$ 4,30, Daniel se comprometeu com a manutenção do subsídio e dos investimentos, mas não anunciou o congelamento do valor durante todo um novo mandato. “Precisamos manter o subsídio, garantir os investimentos, continuar reformando”, afirmou.

Sobre tarifa zero, condicionou a possibilidade à participação federal. Disse que a gratuidade não seria sustentável se financiada sem esse apoio. “O Estado não sustenta, quebra, não tem jeito. Então tem que ser realista.”

A resposta não foi uma rejeição à gratuidade em qualquer cenário. “Nós podemos avançar, desde que tenha a participação do governo federal”, acrescentou.

Tecnologia contra o feminicídio

Ao tratar do feminicídio, Daniel anunciou o desenvolvimento de uma ferramenta com inteligência artificial para permitir que mulheres ameaçadas peçam socorro de forma discreta e rápida. A iniciativa deverá passar por um projeto-piloto em Goiânia. “Nós estamos desenvolvendo uma solução tecnológica com inteligência artificial para poder dar àquelas mulheres que querem fazer o seu grito de socorro uma condição discreta e o mais rápido possível para a gente poder atuar, entrar e garantir a segurança dela”, afirmou. O recurso foi apresentado como projeto em desenvolvimento, não como serviço já disponível à população.

O governador defendeu uma resposta que vá além das forças policiais, com participação do Judiciário, do Ministério Público e do Legislativo. Também propôs discutir os mecanismos de concessão e acompanhamento das medidas protetivas e anunciou a elaboração de um plano multissetorial. “Esse é um crime tão complexo que ele não envolve só as forças de segurança”, disse. Daniel sustentou que o objetivo não pode se limitar à prisão dos autores, mas deve ser impedir que os crimes aconteçam.

Primeiro turno depende do eleitor

Ao longo da entrevista, Daniel relacionou sua preparação para o cargo à convivência com o pai, o ex-governador Maguito Vilela, e ao trabalho ao lado de Caiado. Descreveu-se como “braço operacional” do antecessor e disse conhecer as dificuldades e o potencial dos municípios.

No encerramento, evitou cravar uma vitória no primeiro turno. “Se vai ser no dia 4 de outubro, é só os goianos que podem dizer”, respondeu. “Eu estou trabalhando fortemente para ganhar a eleição e ter o voto de confiança dos goianos para administrar Goiás pelos próximos quatro anos".

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Domingos Ketelbey

É repórter, colunista e apresentador. Conecta os bastidores do poder, cultura e cotidiano na cobertura jornalística.

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