Iniciativa leva educação sobre violência contra a mulher a alunos, professores e agricultoras familiares, com apoio do Programa Goyazes
2 de março de 2026 às 08:23
·
Sociedade
O Projeto Maria da Penha nas Escolas inicia, nesta segunda-feira (2), uma caravana por 12 municípios de Goiás com foco na conscientização sobre as formas de violência contra a mulher. O lançamento oficial será realizado às 9h, na sede da Federação Goiana de Municípios, em Goiânia.
Nos dias 3 e 4, a iniciativa participa do evento “Movimente”, em Brasília, promovido pelo Sebrae em parceria com a Secretaria de Projetos Especiais da Assembleia Legislativa de Goiás, no Royal Tulip, com presença confirmada de Maria da Penha.
Criado em 2016 e idealizado pela pesquisadora e gestora de projetos Manoela Barbosa, o projeto utiliza literatura infantil em quadrinhos como ferramenta pedagógica. O material é voltado para crianças a partir de 10 anos e narra a história da farmacêutica cearense que deu nome à Lei Maria da Penha e se tornou símbolo nacional no enfrentamento à violência doméstica.
Segundo a organização, já foram distribuídos mais de 45 mil exemplares em 65 cidades de cinco estados. Além da versão colorida destinada a alunos e profissionais da educação, o projeto disponibiliza edição ampliada e em braille para pessoas com deficiência visual.
Em 2026, as ações contam com recursos do Programa Goyazes, do Governo de Goiás, por meio da Secretaria de Estado da Cultura, com patrocínio da Equatorial Energia.
Ao longo de março, a caravana passará por Bela Vista de Goiás, Goiás, Iporá, Matrinchã, Porangatu, Cocalzinho, Goianésia, Aparecida de Goiânia, Orizona, Silvânia, São Miguel do Passa Quatro e Senador Canedo. Além de escolas, estão previstas palestras direcionadas a mulheres da agricultura familiar.
A expectativa é atingir 20.250 pessoas diretamente, com a distribuição do mesmo número de exemplares. A organização estima que o alcance pode ser até quatro vezes maior quando o material circula nos lares.
Manoela Barbosa, idealizadora da Skambau Produções, afirma que os dados reforçam a urgência do debate. “Apenas no primeiro semestre de 2025, o Mapa da Violência apontou uma média de 187 estupros por dia no Brasil. Além disso, foram mais de 1.400 casos de feminicídio segundo o Mapa da Segurança Pública de 2025. São pelo menos quatro mulheres mortas por dia. Os números são crescentes e alarmantes”, declarou.
Ela acrescenta que 71% das agressões ocorreram na frente de outras pessoas, incluindo crianças, e que a maioria das vítimas tem entre 25 e 34 anos. Também destaca que 64,3% dos feminicídios aconteceram dentro de casa.
“Levar essa discussão para as escolas é possibilitar que essas crianças e jovens aprendam, desde cedo, a identificar o que é violência e quem sabe proporcionar um futuro diferente para cada uma delas. Estamos ensinando para as meninas os sinais de alerta e as formas de buscar ajuda e buscando informar e educar os meninos para que eles não se tornem agressores. Essa é uma tarefa coletiva, é uma política pública necessária e urgente”, completou.

Domingos Ketelbey
É repórter, colunista e apresentador. Conecta os bastidores do poder, cultura e cotidiano na cobertura jornalística
Continue a leitura








