Prefeito defende que tricentenário da antiga capital seja marcado por projeto de compensação com obras, curso de medicina e investimentos no centro histórico
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Política
O prefeito da Cidade de Goiás, Aderson Gouvêa, quer que o Governo de Goiás participe de uma agenda de reparação histórica à antiga capital no aniversário de 300 anos do município, em 2027. Em entrevista ao jornalista Domingos Ketelbey, Aderson afirmou que a transferência da capital para Goiânia, em 1937, esvaziou parte da estrutura administrativa, econômica e educacional da cidade, e que o tricentenário deve ser usado para recolocar a cobrança na mesa do Estado.
Segundo o prefeito, a gestão municipal trabalha em um levantamento sobre um projeto de lei apresentado em 1936, que já previa medidas de compensação à Cidade de Goiás pela mudança da capital. A proposta agora é atualizar essa pauta e transformá-la em investimentos concretos.
“Com a saída da transferência da capital, havia inclusive um acordo jurídico e político de fazer a compensação pela perda da capital. Isso em estrutura, em infraestrutura, mas também na parte financeira. Pena que isso não aconteceu de fato”, afirmou Aderson.
A cobrança deve passar pelo Palácio das Esmeraldas e pela Assembleia Legislativa. Daniel Vilela assumiu o Governo de Goiás em 31 de março de 2026, após a renúncia de Ronaldo Caiado, segundo registro oficial do governo estadual.
Aderson disse que já iniciou conversas sobre as melhorias que a cidade precisa e que solicitou agenda para apresentar oficialmente a pauta ao Governo de Goiás. A intenção é que o Estado assuma parte das ações que a Prefeitura classifica como compensação histórica.
A lista inclui a implantação de um curso de medicina, requalificação do calçamento do centro histórico, melhorias nas galerias pluviais, revitalização da região do mercado, intervenções no entorno do Rio Vermelho, reforço no abastecimento de água e ações de proteção ambiental. “Nós precisamos do apoio do Estado para a implantação de um curso de medicina na Cidade de Goiás”, disse o prefeito.
Aderson também citou valores. Segundo ele, apenas a revitalização do calçamento histórico, com melhorias nas galerias e na área do Rio Vermelho, está estimada em cerca de R$ 40 milhões. Outro projeto considerado fundamental é a captação de água no Rio Uru, com investimento previsto na casa de R$ 30 milhões.
O prefeito afirma que a cidade voltou a crescer e que a estrutura atual de abastecimento precisa ser reforçada. A obra no Rio Uru, segundo ele, também deve entrar no pacote de reparação a ser apresentado ao Estado. “Esses são alguns dos elementos que nós vamos pautar junto ao Governo do Estado para que possamos, nos 300 anos, celebrar essa vitória para todo o povo de Goiás”, afirmou.
Na Assembleia, Aderson busca apoio do presidente Bruno Peixoto e de uma frente de parlamentares. O prefeito reconhece que a autoria de eventual projeto de lei terá de partir do Executivo estadual, mas defende que os deputados abracem a proposta. “Os parlamentares precisam também entender e abraçar essa ideia”, disse.
A estratégia do prefeito é dar peso político ao tricentenário. Em vez de limitar a data a eventos culturais, a Prefeitura tenta transformar os 300 anos em uma agenda de obras, orçamento e reconhecimento institucional da antiga capital. “Quando a gente fala na Cidade de Goiás, você fala em Goiânia, você fala em Anápolis, você fala em todo o Estado e também em todo o Brasil, porque aqui nasceu o Centro-Oeste”, afirmou Aderson.

Domingos Ketelbey
É repórter, colunista e apresentador. Conecta os bastidores do poder, cultura e cotidiano na cobertura jornalística
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