Fernando Pestana nega interpretação atribuída a sua obra sobre a palavra “harmonia” e admite acionar banca
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O professor de Língua Portuguesa Fernando Pestana contestou a justificativa usada pela Fundação Aroeira, responsável pela banca de concurso da Prefeitura de Catalão para manter o gabarito de uma questão sobre fonemas. De acordo com ele, a interpretação atribuída a sua obra não corresponde ao que ensina. “Citação completamente indevida. Inexistente na minha gramática”, destacou ao Blog do DK.
O nome de Pestana foi citado pela banca ao negar recurso de candidato em uma questão que cobra a contagem de letras e fonemas da palavra “harmonia”. Na resposta, a organizadora sustenta que o vocábulo possui seis fonemas, com base na existência de um suposto “fonema nasal (on)”. Procurado pela reportagem, o professor reagiu de forma direta. “Um completo absurdo!”, afirmou.
Pestana também negou reconhecer a interpretação apresentada pela banca. Segundo ele, não há identificação com a tese usada para sustentar o gabarito. “Eu não tenho a menor ideia do que a banca pensou. Essa pergunta tem de ser dirigida a ela”, disse. A fala atinge o ponto central da justificativa, que recorre ao livro “A Gramática para Concursos Públicos” para embasar a decisão. A obra é de autoria do próprio professor.
Além de contestar o conteúdo atribuído a seu nome, Pestana indicou que avalia medidas contra a banca organizadora. “Sem dúvida tenho interesse em tomar alguma ação contra a banca”, afirmou. O professor que leciona para concursos há mais de 20 anos também reforçou que é a primeira vez que atribuem a ele uma resposta que não está de acordo com seus ensinamentos.
A questão gira em torno da análise fonológica da palavra “harmonia”, contestada por concurseiros. Ao manter o gabarito, a banca considerou que haveria um agrupamento nasal entre as letras “o” e “n”, reduzindo o número de fonemas. A interpretação, no entanto, é contestada por candidatos que recorreram do item e também pelo autor citado na fundamentação.
Para o professor, a justificativa apresentada parte de uma leitura equivocada da estrutura da palavra. “A palavra ‘harmonia’ apresenta 8 letras e 7 fonemas, pois a única letra que não representa um fonema nesta palavra é o ‘h’. É completamente equivocado interpretar o ‘on’ dessa palavra como um dígrafo vocálico, pois este só se realiza quando uma vogal vem acompanhada de ‘m’ ou ‘n’ na mesma sílaba, o que não ocorre em ‘harmonia’, uma vez que a sua divisão silábica é a seguinte: har-mo-ni-a”, explicou.
A reportagem procurou a Fundação Aroeira, responsável pela organização do concurso, para comentar o caso. O espaço segue aberto para manifestação.
Candidato aponta inconsistências e questiona condução do concurso
Um dos candidatos ouvidos pela reportagem afirma que a questão sobre “harmonia” é apenas parte de um conjunto de problemas identificados ao longo do certame.
Ele afirma ter recorrido de cinco questões da prova, com provimento parcial. “Tive duas aceitas e três negadas. Uma eu desisti, mas a de gramática é muito problemática”, disse.
Sobre o item que envolve a palavra “harmonia”, o candidato sustenta que não há dígrafo ou nasalização que justifique a redução no número de fonemas. “A banca argumentou que o ‘on’ seria um dígrafo nasal, mas isso não ocorre entre sílabas diferentes”, afirmou.
Ele relata ainda que o caso foi levado ao professor citado na justificativa. “A gente enviou para o Pestana e ele disse que o gabarito está errado”, disse.
O candidato também aponta atrasos no cronograma. “A banca deveria ter publicado o resultado dos recursos no sábado, mas só divulgou no domingo à noite”, afirmou.
Além disso, ele menciona outros pontos que considera problemáticos, como questionamentos sobre o cumprimento de cotas e divergências em questões de outras disciplinas. “São várias inconsistências. Isso abre margem para suspeitas sobre a condução do concurso”, afirmou.

Domingos Ketelbey
É repórter, colunista e apresentador. Conecta os bastidores do poder, cultura e cotidiano na cobertura jornalística
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