Eistein Paniago, ao lado de Jales Mendonça, presidente do IHGG (Foto: Divulgação)

Eistein Paniago, ao lado de Jales Mendonça, presidente do IHGG (Foto: Divulgação)

Eistein Paniago, ao lado de Jales Mendonça, presidente do IHGG (Foto: Divulgação)

Eistein Paniago, ao lado de Jales Mendonça, presidente do IHGG (Foto: Divulgação)

“Nova China” volta a circular 66 anos depois sob curadoria de Einstein Paniago

“Nova China” volta a circular 66 anos depois sob curadoria de Einstein Paniago

Obra do ex-senador goiano Domingos Vellasco registra as mudanças do país asiático após a revolução de 1949 e integra coleção da Fundação João Mangabeira

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Cultura

Publicado originalmente em 1960 e fora de circulação por décadas, o livro Nova China, do ex-senador goiano Domingos Netto de Vellasco, ganhou uma nova edição coordenada pelo professor e economista Einstein Paniago. A obra foi relançada pela Fundação João Mangabeira e passa a integrar a Coleção Equidade e Liberdade.

A publicação foi apresentada no Instituto Histórico e Geográfico de Goiás, em Goiânia, durante evento com pesquisadores, empresários, autoridades e representantes do setor produtivo. O projeto recupera o relato de Vellasco sobre as transformações políticas, econômicas e sociais da China nos primeiros anos após a revolução de 1949.

“Mais do que reeditar um livro, estamos recuperando uma parte importante da memória política de Goiás. Domingos Vellasco foi um homem à frente do seu tempo, e o Nova China revela um olhar equilibrado sobre um período marcante da história mundial”, afirmou Paniago.

Segundo o professor, o interesse pela reedição surgiu da atualidade das reflexões apresentadas pelo ex-senador. “O livro envelheceu apenas cronologicamente. O olhar de Domingos Vellasco continua extremamente atual porque registra, com independência intelectual, um momento decisivo da transformação da China”, disse.

Um goiano diante da revolução chinesa

O livro foi escrito após uma viagem de Vellasco à China, poucos anos depois da chegada de Mao Tsé-Tung ao poder. O então parlamentar relata encontros com o líder chinês e descreve políticas de planejamento econômico, reforma agrária, cooperativismo, combate à fome e desenvolvimento social.

Em vez de reproduzir a divisão ideológica da Guerra Fria, o autor buscou registrar o que viu. Em uma das passagens da obra, definiu a China como um país que “não é nem o paraíso, nem o inferno”.

Vellasco também rejeitou o caráter de propaganda política e registrou sua admiração pelas instituições democráticas dos Estados Unidos. A tentativa de escapar das leituras automáticas sobre o regime chinês é apontada pelos responsáveis pela nova edição como um dos elementos que mantêm o livro relevante.

“Compreender a China contemporânea exige conhecer o percurso histórico que moldou o país, sem buscar respostas simplificadas”, afirmou Einstein Paniago.

Para o professor, a obra não se limita ao interesse acadêmico. O texto também pode contribuir para empresários e gestores públicos que acompanham a ampliação das relações comerciais e institucionais entre Brasil e China.

“As relações econômicas são resultado de processos históricos. Conhecer a formação da China amplia nossa capacidade de compreender a parceria que o país mantém hoje com o Brasil e com Goiás”, declarou.

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Legado político e intelectual

Domingos Vellasco é lembrado como um dos fundadores do Partido Socialista Brasileiro e por sua atuação no Congresso Nacional. Sua produção intelectual, no entanto, permaneceu menos conhecida nas últimas décadas.

O editor Sandro Bello afirmou que a reedição nasceu da tentativa de recuperar essa dimensão da trajetória do ex-senador. Segundo ele, Paniago assumiu a condução do projeto desde as primeiras conversas.

“Apresentei o projeto ao professor Einstein Paniago porque sabia do seu compromisso com a preservação da memória política e intelectual de Goiás. Ele compreendeu imediatamente a importância de reeditar o Nova China e assumiu a curadoria da obra com o cuidado necessário para garantir que esse importante legado de Domingos Vellasco voltasse a circular”, disse.

A Coleção Equidade e Liberdade pretende reunir livros que contribuíram para a formação do pensamento político brasileiro, mas perderam espaço no mercado editorial. A Fundação João Mangabeira prevê novas publicações de autores ligados à história política e intelectual do país.

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Domingos Ketelbey

É repórter, colunista e apresentador. Conecta os bastidores do poder, cultura e cotidiano na cobertura jornalística

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