Parte do PL avalia que apoio a Daniel Vilela só faz sentido com espaço real na chapa majoritária
3 de janeiro de 2026 às 10:19
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Política
No PL goiano, a eventual aliança com o vice-governador Daniel Vilela (MDB) para 2026 tem preço. E não é baixo. Além da segunda vaga ao Senado direcionada ao deputado federal Gustavo Gayer, setores do partido defendem que a legenda indique também o vice da chapa encabeçada pelo emedebista.
“Hoje, a nossa prioridade é a candidatura do senador Wilder Morais ao Governo, mas, se houver composição, o PL precisa ser contemplado de forma ampla, inclusive com a indicação da vice”, afirma um interlocutor liberal ao Blog Domingos Ketelbey.
Internamente, o partido trabalha com duas correntes bem definidas. A primeira defende, de forma intransigente, a candidatura própria de Wilder Morais ao Palácio das Esmeraldas. A segunda avalia que uma aliança com o governador Ronaldo Caiado (UB) e com Daniel Vilela pode ser politicamente vantajosa, desde que o PL tenha protagonismo real na chapa majoritária.
“Na nossa avaliação, a composição só faz sentido se o partido for plenamente contemplado. Isso passa pelo apoio da base do governador ao Gustavo, pela vice e até pela suplência da Gracinha Caiado”, resume outra fonte.
Nos bastidores, a lista de possíveis nomes para a vice já circula. Todos vereadores de Goiânia: Oséias Varão, Coronel Urzêda e Major Vitor Hugo. Varão aparece como aposta na interlocução com o eleitorado evangélico. Pastor da Assembleia de Deus, é visto como um nome capaz de ampliar pontes com um segmento decisivo nas urnas.
Urzêda e Vitor Hugo carregam outro ativo. Ambos vêm da segurança pública e mantêm relação histórica com o ex-presidente Jair Bolsonaro. Vitor Hugo, em particular, foi aliado de primeira hora e chegou a liderar o governo Bolsonaro na Câmara dos Deputados.
Apesar de figurarem no radar da composição majoritária, os três articulam 2026 com foco principal no Legislativo. Vitor Hugo, que chegou a ensaiar uma pré-candidatura ao Senado, recuou e passou a tratar como prioridade o retorno à Câmara.
Entre aliados do deputado federal Gustavo Gayer, a defesa da aliança passa também por autopreservação. A leitura é que, com o PL dentro do governo, a máquina estadual tende a reduzir o tom e evitar confrontos diretos com o parlamentar. Daí a disposição de parte da legenda em relativizar a candidatura própria ao Governo.
O senador Wilder Morais, no entanto, segue convicto de que sua candidatura será mantida. De acordo com interlocutores, ele deixou essa posição clara diante do próprio governador Ronaldo Caiado e do senador Flávio Bolsonaro, quando os três estiveram juntos recentemente em uma reunião no Palácio das Esmeraldas. “Ele não abre mão. Vai até o fim”, resume uma fonte liberal.
No Palácio, a tese de entregar ao PL o Senado e a vice é vista com desconfiança. “Eles querem demais”, avalia um auxiliar do governador. “O foco do PL é o Senado. A decisão sobre a vice do Daniel será do governador Ronaldo Caiado. Isso está muito claro”, crava a fonte.
Domingos Ketelbey
É repórter, colunista e apresentador. Conecta os bastidores do poder, cultura e cotidiano na cobertura jornalística
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