Pedido de vista adia julgamento sobre infidelidade partidária e mantém vereadora no cargo por tempo indeterminado
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Política
O PSDB perdeu a vereadora Aava Santiago, para o PSB, em um movimento sem carta de anuência e fora da janela partidária, e agora tenta recuperar na Justiça o mandato conquistado por ela nas urnas. Nesta quarta-feira (22), porém, o partido precisou adiar a expectativa.
O Tribunal Regional Eleitoral de Goiás suspendeu o julgamento da ação que questiona a permanência da vereadora na Câmara de Goiânia. O relator, desembargador Adenir Teixeira Peres Júnior, e a desembargadora Stefane Fiúza Cançado Machado apresentaram pedido de vista conjunto.
Na prática, o processo entrou no modo de espera e Aava permanece como vereadora. O PSDB continua cobrando a cadeira. E o TRE-GO ainda não marcou a próxima sessão.
A disputa jurídica é consequência de uma separação política pouco amigável. Aava deixou o PSDB, filiou-se ao PSB e assumiu o comando estadual da nova legenda. O antigo partido sustenta que houve infidelidade partidária e reivindica o mandato.
A defesa afirma que a troca ocorreu com justa causa. A vereadora alega divergências políticas com o PSDB, sobretudo no debate nacional, e sustenta que sua permanência na sigla havia se tornado inviável.
É sabido por todos que a parlamentar é muito próxima ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) que até gostaria de vê-la como representante de seu palanque em Goiás. Os tucanos goianos, contudo, flertam com a candidatura presidencial de Flávio Bolsonaro (PL).
Em nota, a assessoria de Aava fez questão de lembrar que o pedido de vista não representa derrota. “A suspensão decorre de instrumento regularmente previsto no ordenamento jurídico e não representa qualquer decisão de mérito sobre a ação”, afirmou.
O esclarecimento é juridicamente correto e politicamente necessário. Em processos desse tipo, cada intervalo vira munição para os dois lados.
Aava foi eleita com 10.482 votos e tornou-se a mulher mais votada da história da Câmara de Goiânia. O PSDB argumenta que, no sistema proporcional, o mandato também pertence ao partido. A vereadora responde com o peso das urnas.

Domingos Ketelbey
É repórter, colunista e apresentador. Conecta os bastidores do poder, cultura e cotidiano na cobertura jornalística
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